sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Meu livro Meu amigo!

 


O livro por encontrar

Como é que escolhemos os amigos? Pegamos numa pessoa qualquer e fica ela a nossa amiga, por não termos mais nenhuma e porque entretanto pode aparecer outra melhor? Mas é assim que a maioria das pessoas escolhe os livros, para depois espantar-se e lamuriar-se de que não passou da página 37.

Os livros têm de ser escolhidos como escolhemos os amigos. Precisam de gostar, mais ou menos, das mesmas coisas — ou de coisas muito diferentes. Precisam de crescer connosco. Precisam de falar connosco. Precisam de nos ouvir. Precisam de corresponder ao que esperamos deles.

Se eu, que tantos livros leio, entro em luto quando esgoto um autor e levo dias a saltar de livro em livro à procura de um que me cative, como fará quem não é viciado na leitura? Como fará quem não gosta de não gostar de ler?

Um livro é uma coisa íntima. Há livros para toda a gente, e para todos os gostos, mas estão escondidos. É preciso procurá-los. São como os amigos. Não são como os filmes, que são feitos para as multidões.

Há livros que são só para duas ou três pessoas — mas, para essas duas ou três pessoas, muito bons. E feitos de propósito. Como aqueles amigos inexplicáveis de quem mais ninguém gosta.

Procurar um livro para ler é importante porque as más escolhas inibem as leituras futuras. Há milhões de leitores perdidos que se deixaram convencer de que os livros são todos um bocadinho chatos (o que é só um bocadinho verdade) e que ler é uma chatice.

Vale a pena procurar muito porque só através de um livro compatível — envolvente, guloso, impressionante, difícil de largar — é que se compreende que a leitura é o melhor investimento de tempo e atenção que se pode fazer, ao ponto de se poder considerar um roubo, pelo pouco que nos custa e pelo muito que nos traz.

Deve-se perguntar a toda a gente que se conhece: “Que livro é que achas que me vai interessar?”

O importante é o leitor, não o livro.

O livro já está feito — já está morto —, mas o leitor ainda está por fazer.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

As coisas simples!

 “ O essencial é invisível aos olhos”

… Esta frase de O Pequeno Príncipe nos lembra que a coisa mais importante na vida não é o que podemos ver ou tocar, mas aquilo que sentimos e vivemos no mais profundo. Muitas vezes nos deixamos levar pelas aparências, pelo material ou pelo que os outros consideram valioso, quando na verdade, o que é verdadeiramente importante está no amor, na amizade, nos momentos compartilhados e nos sentimentos genuínos.
É um chamado para olhar com o coração, para valorizar o que realmente importa e não esquecer que, como crianças, um dia soubemos ver a magia no simples.
(O pequeno príncipe)
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Pessoas com um P grande!

 “Há pessoas assim. Conheço algumas. Pessoas-árvore. Pessoas com corações frondosos e ramos fortes. Pessoas que dão sombra quando a dor queima e que nos deixam fazer ninho no seu carinho. Pessoas que respeitam as suas raízes e a sua terra. Pessoas que não renunciam à sua verticalidade. Árvores até ao fim, porque ser árvore é o seu princípio. Pessoas que dão flor. Fruto. Oxigénio. Pessoas que são o respirarmos fundo e voltarmos à tona. Pessoas que são uma lufada de ar fresco. São maravilhosas as pessoas-árvore. Não se arvoram em floresta ou bosque. São naturais e humildes. Nelas entroncam os valores da simplicidade e da autenticidade. Sabem que a luz do sol dá para todos e que ninguém pode roubar a ninguém a sua natureza.”

Elisabete Bárbara
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Artigo do Jornal The Guardian 18-02-2025 " As crianças e as novas tecnologias"




Children are starting school unable to sit up or hold a pencil – and I know the culprit

Kathryn Peckham

 

As an early years specialist, I’ve seen the drastic impact of screens replacing physical activity and face-to-face interaction

 

Tue 18 Feb 2025 14.02 GMT

As an early year’s education specialist, over the past decade I have seen children enter classrooms with fewer and fewer of the skills needed to begin their formal education. The key culprit, in my opinion? Screen time.

On a child’s first day at school, it’s normal to expect a few nerves. But they should be able to move around confidently, pick up stationery, make new friends, build a relationship with their teacher and start to feel part of a wider community. Instead, a recent survey reported that some children in England and Wales are unable to sit up or hold a pencil. I have seen kids racked with separation anxiety and unable to form bonds. Upset and confused, they miss instructions and hold back or lash out. To a busy teacher this looks like a lack of ability, or a disruptive child to be managed. Children are simply being set up to fail.

For a while, it seemed as if the pandemic might have been the culprit for delayed development. Lockdowns undeniably had an impact on the development of children raised during that period as they were unable to play outside and interact with others, but five years on, it would seem that this was a short-term issue masking a much longer-term trend.

Lockdowns compounded habits that had already begun with the introduction of the first touch-screen phones. More and more parents relied on smartphones to work, organise their lives, shop, and keep in touch with friends and family. Burnt-out and distracted, they spent less time actively parenting. In turn, they handed their kids a device to keep them entertained. The result has been children growing up with less physical activity and face-to-face social interaction.

Imagine spending a year immobilised in a cast – your muscles would weaken and your movements would become awkward. Now, think about children missing foundational years of muscle development, when practice should be natural and constant, because, instead of moving, children have been incentivised to sit quietly with a device.

Children need opportunities to run, play, climb and explore. They need obstacles to move their bodies around, tunnels to crawl through, beams to balance over, and hula hoops to jump between. Every muscle and joint should be used as they develop balance and posture. This helps to forge the deep brain-body connections required for coordination and spatial awareness.

Cognitively, children are struggling because they are not having quality interactive time with their caregivers. A cohort study of Australian children aged 12 to 36 months found a negative association between screen time and parent-child talk. With fewer adult words spoken, there was a reduction in child vocalisations and the back-and-forth conversations crucial for language development and social skills. Devices are also having a behavioural impact, with studies showing a link between excessive screen time and emotional reactivity, aggression and externalising behaviours in children.

Even more worryingly, these outcomes are not being distributed equally among children; they affect those who already face significant disadvantages due to economic and racial inequality. Research revealed that Dutch children from lower socioeconomic backgrounds tend to have higher screen time and a study from the US examining sociodemographic factors found that Black children reported higher levels of various screen time activities compared with their peers. Interestingly, the researchers behind the US study made an association between limited access to safe recreational spaces and increased screen time. Our environments shape us, and it is clear that children need access to safe play spaces where they can experience socially interactive and physical play.

Some children are simply more vulnerable when starting school than others. Rather than a one-size-fits-all approach, children and families, especially those with other disadvantages, would benefit from targeted parenting programmes and support. The main lesson I would give to parents is this: when screen time is used it should be interactive, with engaging discussions about the content to enhance learning and connect on-screen lessons to real-life situations, promoting a child’s cognitive and social development. We cannot turn back the tide of technology, but we can use it more mindfully.

  • Kathryn Peckham is an early childhood consultant, researcher, author and founder of Nurturing Childhoods

 

A morte do Amor

 

“Em que momento morre o amor? Às vezes o amor nasce de um olhar, de uma palavra, de um gesto. Mas eu tenho a impressão de que ele morre muitas vezes. Ele tem mortes súbitas, imperceptíveis. Adeuses que não sabemos que damos. Dias cinzas de chuva que não nos aproximamos. Ou de uma presença que nos foi negada quando mais precisávamos nos aninhar no peito do outro, ou ganhar um abraço em silêncio. Mas talvez o amor morra, morra mesmo, quando os olhos se desencontram, as mãos se desenlaçam, e há um não sei quê de falta. São caminhos que não se cruzam e não flui a alegria do encontro de dois sorrisos. Um beijo que não mais encaixa, um corpo que se torna estrangeiro, uma frase pela metade. Mas, sobretudo o amor morre mesmo é de ausências.”

Ivana Dzakula
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