Why some people have all the Luck?
Why some people have all the Luck?
The 2025 Women’s Prize for Fiction longlist
The full list in
alphabetical order by author surname is:
Alíngua portuguesa tem uma importância crescente na economia mundial contemporânea. Os nove Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) refletem uma população de cerca de 296 milhões, perspetivando a ONU chegar aos 500 milhões até ao final do século. A língua portuguesa, matriz fundacional da CPLP, afirma-se como língua de aproximação de povos, de concertação político-diplomática e de comunicação global: é a 4.ª ou 5.ª mais falada no mundo; é a primeira no hemisfério sul; a utilização na Internet está em franca ascensão; e é língua oficial ou de trabalho em mais de trinta organizações internacionais.
Os países da CPLP, em conjunto, dispõem de um enorme potencial económico, representando cerca de 8% da superfície continental do planeta e mais de 50% das novas descobertas de recursos energéticos do século XXI. Encontram-se entre os cinco lugares cimeiros da produção mundial de petróleo, detêm uma vasta plataforma continental com recursos marinhos e minerais e, aproximadamente, cerca de 14% das reservas mundiais de água doce.
Falada em quatro continentes, desempenha um papel significativo por motivos distintos. A nossa língua revela oportunidades de acesso a mercados emergentes e de grande potencial económico, recordando que o Brasil é uma das maiores economias do mundo, a África lusófona tem grande potencial de se assumir com um polo de investimento e Timor-Leste posiciona-se como uma porta para o mercado asiático.
A pertença dos Estados-membros da CPLP a regiões geográficas distintas, em processos de integração económica, propicia novas oportunidades de cooperação, negócios e investimento, tornando a língua portuguesa relevante no comércio internacional. É uma língua de comunicação em regiões-chave de comércio e a presença de empresas lusófonas em mercados globais fortalece a posição como língua de negócios para os investimentos internacionais.
Sublinhando o crescimento demográfico e jovem nos países da CPLP, verificamos que cria um mercado consumidor de produtos e serviços, atraente para empresas globais. Além disso, a juventude está cada vez mais conectada digitalmente, o que facilita a disseminação da língua, acelera a adoção do idioma no setor das TI, impulsiona a economia digital e interliga essas economias com o resto do mundo de maneira mais eficaz.
Paralelamente, nos domínios da educação, formação profissional e capacitação, o número crescente de escolas, universidades e programas que oferecem ensino em português, ou com foco na língua portuguesa, cria recursos humanos qualificados, fomentando a diversidade dos setores produtivos e o crescimento das economias, tornando-as mais competitivas e integradas no mercado global.
A língua portuguesa tem, igualmente, um impacto significativo nas indústrias culturais, criativas e turísticas. A diversidade cultural e económica na CPLP oferece uma oportunidade única para as empresas diversificarem portfólios, com produtos e serviços para atender a diferentes necessidades e preferências, contribuindo para a valorização do idioma comum.
O português é, ainda, língua oficial de organizações internacionais como a União
Europeia, o Mercosul, a SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral] e a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], fortalecendo o seu papel em políticas globais e nas relações diplomáticas, sendo relevante na integração de mercados em regiões de grande potencial.
As atividades da CPLP para o fortalecimento em diversas dimensões da língua portuguesa merecem, também, destaque, assinalando-se o novo objetivo geral de Cooperação Económica e Empresarial, em fase de afirmação e consolidação. É uma oportunidade para os Estados-membros se apoiarem mutuamente no desenvolvimento das economias, promovendo a partilha de informação, a convergência de políticas públicas sobre temas globais e a adoção de instrumentos multilaterais para reforço da capacidade produtiva, a formação de recursos humanos, o estímulo das trocas comerciais e a captação de investimento.
A língua portuguesa assume, assim, grande valor estratégico, fortalecendo as economias locais. É essencial para governos, empresas e indivíduos que procuram crescer e inovar no cenário económico global.
Zacarias da Costa
Secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
A
Máscara como forma de dissimulação e suas implicações na Interação Social
A
máscara, seja literal ou figurativa, sempre desempenhou um papel fundamental na
maneira como os indivíduos interagem socialmente. Em diversas culturas, as máscaras
foram utilizadas para rituais, teatro e festividades, permitindo que aqueles
que as usam assumam diferentes papéis e ocultem a sua verdadeira identidade. No
entanto, na esfera social quotidiana, o uso da "máscara" como forma
de dissimulação levanta questões importantes sobre autenticidade, confiança e a
complexidade das relações humanas.
No
contexto social, as pessoas frequentemente adotam diferentes
"máscaras" para se adaptarem a situações específicas. Essa prática
pode ser vista como um mecanismo de defesa, uma maneira de se proteger contra
julgamentos ou de atender às expectativas alheias. No ambiente de trabalho, por
exemplo, é comum que indivíduos escondam suas vulnerabilidades para manter uma
imagem profissional. Nas redes sociais, a construção de uma “persona”
idealizada muitas vezes se distancia da realidade, criando um fosso entre o que
se mostra e o que realmente se é.
Entretanto,
o uso excessivo dessas máscaras pode levar a consequências negativas. A
constante necessidade de representar um papel pode gerar um desgaste emocional
significativo, levando à perda da própria identidade e a sentimentos de
alienação. Além disso, relações baseadas na dissimulação tornam-se frágeis e
superficiais, pois carecem da transparência e sinceridade necessárias para um
vínculo autêntico.
Por
outro lado, há situações em que a adoção de uma "máscara" social é
não apenas aceitável, mas essencial. A etiqueta e os códigos de conduta exigem
que se controle certas emoções e comportamentos para garantir a harmonia na
convivência coletiva. No entanto, a linha entre a adaptação social e a
falsidade pode ser tênue. Quando a máscara se torna um instrumento de
manipulação ou engano, compromete-se a confiança nas interações interpessoais,
criando barreiras que dificultam a construção de relações genuínas.
Diante
disso, é necessário um equilíbrio entre a adaptação social e a autenticidade.
Embora seja natural ajustar nosso comportamento de acordo com o contexto, é
essencial que isso não nos afaste de nossa verdadeira essência. A autenticidade
não significa a ausência de filtros sociais, mas sim a coerência entre o que
sentimos e o que expressamos.
Num
mundo onde as aparências frequentemente se sobrepõem à essência, questionar o
uso das máscaras sociais torna-se um exercício fundamental para quem busca
interações mais sinceras e relações mais profundas. Afinal, por mais
sofisticada que seja a máscara, a verdade sempre encontra uma maneira de “vir à
tona de água”.
Aquela falsa e triste semelhança
Entre quem julgo ser e quem eu sou.
Sou a máscara que volve a ser
criança,
Mas reconheço, adulto, aonde estou.
Isto não é o Carnaval, nem eu
Tenho vontade de dormir, e ando
O que passa, ondeando, em torno meu,
Passa (...)
Dormir, despir-me deste mundo
ultraje,
Como quem despe um dominó roubado.
Despir a alma postiça como a um
traje.
Tenho náusea carnal do meu destino.
Quase me cansa me cansar. E vou,
Anónimo, (...) menino,
Por meu ser fora à busca de quem sou.
Álvaro de Campos, heterónimo de
Fernando Pessoa
03-03-2025
Ivo Eduardo
Correia
O Entrudo:
Origens e Celebrações Atuais
O Entrudo é
uma festividade de origem pagã que remonta à Antiguidade, sendo considerado o
precursor do Carnaval moderno. A palavra "Entrudo" deriva do latim
"introitus", que significa "entrada", referindo-se ao
período de preparação para a Quaresma na tradição cristã. Sua celebração está
associada a rituais de renovação, fertilidade e despedida dos excessos antes do
período de abstinência religiosa.
Acredita-se
que o Entrudo tenha raízes nas festas romanas, como as Saturnais e Lupercais,
onde se promoviam brincadeiras, trocas de papéis sociais e banquetes. Com o
passar dos séculos, a festividade foi incorporada ao calendário cristão e
espalhou-se pela Europa, sendo trazida para o Brasil e outros países pelos
colonizadores portugueses.
No passado,
especialmente em Portugal e no Brasil colonial, o Entrudo era marcado por
brincadeiras rústicas, como o arremesso de água, farinha e outros produtos
entre os participantes. Essas práticas, muitas vezes desordeiras, foram
gradualmente substituídas por celebrações mais organizadas, dando origem ao
Carnaval moderno.
Atualmente,
o Entrudo ainda é celebrado em algumas regiões de Portugal e do Brasil,
especialmente em cidades do interior. Em Portugal, destacam-se festividades
tradicionais em localidades como Lazarim, Podence e Torres Vedras. Em Lazarim,
por exemplo, as celebrações incluem o uso de máscaras de madeira esculpidas
artesanalmente e desfiles satíricos. Já em Podence, a festa é marcada pelos
"Caretos", personagens mascarados que simbolizam a irreverência e a
tradição cultural do Nordeste Transmontano.
No Brasil,
embora o Entrudo tenha perdido força ao longo dos anos, sua influência pode ser
vista no Carnaval, que mantém a essência de festa popular e brincadeiras
públicas. Algumas cidades ainda preservam elementos das antigas festividades,
como os blocos de rua e as batalhas de confetes.
A celebração
do Entrudo, mesmo com suas transformações ao longo do tempo, continua sendo um
marco cultural importante, representando a alegria, a liberdade e a renovação
antes do período de recolhimento da Quaresma. Seu legado perdura nas
festividades carnavalescas, reforçando a identidade e a tradição popular em
diferentes partes do mundo.
03-03-2025
Ivo Eduardo
Correia
As pessoas de luz não engoliram nenhuma lanterna nem têm uma vela acesa em cima da cabeça.