sexta-feira, 14 de março de 2025

Uma grande Mulher!

 História de uma Grande Mulher! Ottilie "Ottla" Kafka!

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Em 1943, uma corajosa mulher judia estava no limiar do seu destino.
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Chamava-se Ottilie "Ottla" Kafka. Aos quarenta e um anos, tinha tomado uma decisão que selaria o seu destino:
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Acompanhar um grupo de crianças ao campo de concentração de Auschwitz. A sua vida foi marcada pela luta, independência e peso de um nome imortal.
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Ottla Kafka nasceu em 29 de outubro de 1892 em Praga, no seio de uma família judia de classe média.
Era a mais nova dos quatro filhos de Hermann e Julie Kafka.
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Enquanto seu irmão mais velho, Franz, atingiria a fama como escritor, Ottla destacou-se pela sua rebeldia e espírito independente.
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Desde pequena, Ottla desafiou as expectativas da família.
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Enquanto as suas irmãs, Valli e Elli, seguiam os caminhos convencionais do casamento e da vida doméstica, ela inclinou-se para o trabalho agrícola e para a educação.
Frequentou uma escola para mulheres e depois decidiu se formar em agricultura, uma escolha incomum para uma mulher do seu tempo.
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Não foi apenas a sua vocação que a diferenciava, mas o seu caráter.
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Ottla era ousada, desafiadora e perspicaz. O seu irmão Franz considerava-a a sua confidente e amiga mais próxima.
Nas suas cartas, confiava-lhe pensamentos que não partilhava com mais ninguém. Para ele, Ottla era uma luz na sua existência sombria.
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Durante os anos 20, Ottla assumiu o controle de uma propriedade em Zürau, uma pequena cidade longe da agitação de Praga.
Lá levou uma vida simples, rodeada de natureza e trabalho duro. Foi em Zürau que Franz passou uma temporada recuperando da sua tuberculose, escrevendo os seus famosos Cadernos de Zürau, nos quais traduziu pensamentos filosóficos influenciados pela sua estadia lá.
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Em 1920, Ottla conheceu Josef David, um advogado cristão com quem se casou em 1921, desafiando as tradições familiares.
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O casamento foi visto com desaprovação pelo pai, que nunca aceitou totalmente a sua união com um não-judeu. Apesar disso, Ottla seguiu o seu caminho com firmeza.
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A felicidade, no entanto, foi efêmera. Com a ascensão do nazismo, a vida dos judeus na Checoslováquia tornou-se perigosa.
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Ottla divorciou-se de Josef em 1942, talvez na esperança de protegê-lo e às suas filhas da perseguição.
No entanto, o seu destino já estava marcado.
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Nesse mesmo ano, ela foi deportada para o gueto de Theresienstadt, onde, apesar das condições desumanas, trabalhou com força e dedicação, ajudando outros prisioneiros, especialmente crianças.
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Em 1943, ofereceu-se voluntariamente para acompanhar um grupo de crianças num transporte para Auschwitz.
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Sabia o que significava, mas não hesitou. Com uma determinação silenciosa, ele entrou no comboio ao lado dos pequenos, compartilhando com eles a sua última viagem.
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Em 7 de outubro de 1943, Ottla Kafka foi morta na câmara de gás de Auschwitz.
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Embora a barbárie nazi tenha apagado sua vida, a sua memória continua viva nas cartas que ela trocou com Franz e nas memórias de quem a conheceu.
Ottla Kafka foi mais do que irmã de um génio: foi uma mulher de coragem inabalável, que escolheu seu próprio destino até o fim.

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O Desejo e as suas consequências

O Paradoxo dos Desejos: Efemeridade da Vontade, Eternidade das Consequências
A existência humana é uma sucessão de impulsos que se chocam contra a rigidez do real. Somos movidos por desejos, aqueles fogos breves que incendeiam a alma, consumindo-se rapidamente na experiência do presente. No entanto, embora o desejo seja efêmero, as suas consequências não compartilham da mesma transitoriedade. Uma decisão tomada no ímpeto de um instante pode reverberar pela eternidade, moldando destinos, corroendo consciências, esculpindo cicatrizes invisíveis no tecido da psique.
Freud já apontava para a natureza compulsiva do desejo, essa pulsão que brota do inconsciente e busca sua descarga imediata. O prazer, enquanto fenômeno, é breve; mas o que dele decorre pode transcender sua duração. Há nisso uma ironia fundamental: quanto mais instantâneo o desejo, mais permanente pode ser a sua marca. A história humana é repleta de exemplos trágicos desse paradoxo—guerras deflagradas por paixões momentâneas, traições cometidas em segundos e lamentadas por uma vida inteira, escolhas impensadas que definem o destino de um indivíduo ou de uma civilização.
Dostoiévski, em sua exploração da psique humana, nos deu personagens que vivem à mercê dessa dinâmica. Raskólnikov, em Crime e Castigo, acredita que um ato pontual—um assassinato justificado por uma lógica utilitarista—poderia libertá-lo do peso de sua condição social. Mas seu desejo de provar sua superioridade filosófica colapsa sob o peso de sua consciência. O ato dura instantes; a culpa, no entanto, se torna sua prisão perpétua.
Nietzsche, ao proclamar a transvaloração de todos os valores, nos alerta para o perigo da moral tradicional, que reprime os impulsos e domestica a vontade. Mas o que acontece quando o desejo se liberta de qualquer amarra? Quando a existência se torna um ato de pura afirmação instantânea, sem a consideração do que virá depois? Há um abismo nesse pensamento, pois, se tudo é permitido ao instante, o homem pode se tornar escravo de suas próprias vontades passageiras, sem perceber que, ao ceder a elas, pode estar hipotecando sua eternidade.
O tempo é assimétrico: o desejo que nasce e morre num instante pode lançar suas sombras sobre uma vida inteira. O prazer de uma mentira pode ser breve, mas o peso da desconfiança que ela gera pode ser perpétuo. Um erro cometido em um momento de impulso pode construir uma cadeia de eventos irreversíveis.
A sabedoria, então, consiste em compreender essa dialética entre o instante e a permanência. O verdadeiro desafio da existência não é sufocar o desejo, mas compreendê-lo e reconhecer que cada escolha traz consigo um eco que pode ultrapassar sua origem.
A pergunta que resta é: estamos prontos para suportar a eternidade das nossas próprias decisões?
Fique Atento!…
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A primeira mulher japonesa a escrever um clássico

 No século XI, uma mulher japonesa escreveu uma obra literária que seria considerada o primeiro romance do mundo. Esta é a história de Murasaki Shikibu.

Nascida por volta de 973 em uma família nobre do Japão, Murasaki Shikibu é conhecida por sua obra-prima "O Conto de Genji" ("Genji Monogatari"). Seu verdadeiro nome é desconhecido, pois "Murasaki Shikibu" é um nome de pena que se refere a um personagem de seu romance e sua posição na corte imperial.
Murasaki foi bem educada, dominando o chinês clássico em uma época em que esse conhecimento era raro até entre os homens. Ela se tornou dama de honor na corte da Imperatriz Shoshi, onde começou a escrever o seu famoso romance.
"O Conto de Genji" é uma extensa obra literária que segue a vida e os amores do Príncipe Genji, um cortesão excepcionalmente talentoso e atraente. O romance oferece uma visão detalhada da vida na corte imperial japonesa e explora temas de amor, poder e a natureza efêmera da vida. Com mais de 50 capítulos, a obra é conhecida por sua complexidade e profundidade psicológica.
A influência de "O Conto de Genji" na literatura japonesa e mundial é imensa. O romance foi traduzido em inúmeras línguas e continua sendo estudado e apreciado pelo seu estilo literário e retrato da sociedade Heian. Murasaki Shikibu não só é reconhecida como a primeira romancista do mundo, mas também como uma das escritoras mais importantes da história.
A história de Murasaki Shikibu nos lembra que criatividade e talento podem transcender as barreiras do tempo e da cultura. Com sua obra-prima, Murasaki deixou um legado literário que continua inspirando leitores e escritores de todo o mundo.
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O livro como memória da humanidade

 O Livro

Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.
Em «César e Cleópatra» de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.
(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria.
Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Livro'
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