sábado, 5 de julho de 2025

O primeiro chuveiro elétrico

 Lá nos anos 1930, o gaúcho ...

Francisco Canhos criou o primeiro chuveiro elétrico do mundo para ajudar o seu pai doente, que precisava de banhos quentes frequentes.
Naquela época, não existia aquecimento elétrico de água como conhecemos hoje. Francisco, que era técnico em eletrónica, desenvolveu um sistema usando resistência elétrica para aquecer a água direta do cano!
A invenção revolucionou os lares brasileiros - e hoje, mais de 70% das casas no país usam chuveiro elétrico!
Como funciona?
O princípio é simples, mas engenhoso:
A água fria passa por dentro de um tubo onde há uma resistência elétrica (uma espécie de fio enrolado feito de um material que aquece com a corrente elétrica). Quando o chuveiro é ligado, essa resistência aquece e a água sai quente.
A temperatura é controlada pela intensidade da corrente ou pela quantidade de água que passa.
Apesar de ser uma invenção genuinamente brasileira, o chuveiro elétrico é pouco usado fora do Brasil. Em países da Europa e América do Norte, por exemplo, o aquecimento é geralmente central - com água aquecida em boilers ou caldeiras.

Um exame que hoje seria considerado perigoso.

Década de 1960. Uma mulher elegante deita-se numa cadeira médica enquanto dois médicos, de bata impecável e gravata, preparam um exame que hoje seria considerado perigoso.
O aparelho focado no pescoço é uma máquina de raio-X, parte de um procedimento comum na época para diagnosticar condições de tiróide, garganta ou coluna cervical. Mas o que hoje nos parece uma cena tirada de um filme de ficção científica, então era sinónimo de vanguarda.
Durante aqueles anos, o fascínio pela radiação roçava o ingénuo. Era usado sem muito controle: medir pés em sapataria, tratar acne, até mesmo em refrigerantes “energéticos” com rádio. O risco parecia distante. Invisível.
As proteções eram mínimas, efeitos a longo prazo desconhecidos... ou ignorados.
Esta fotografia, hoje perturbadora, lembra-nos que o progresso também tem sombras. Que cada avanço deve ser acompanhado de reflexão, ética e cuidado. Porque a história da medicina não é escrita apenas com ciência, mas também com os erros que nos obrigaram a aprender.

 


O nome dela é Diana Nyad.

Imagine uma mulher de 64 anos mergulhada em águas infestadas de tubarões. Sem gaiola, sem parar para dormir, com o corpo dilacerado por picadas de alforrecas venenosas. O mar contra ela. A idade contra ela. A lógica contra ela. E ainda assim, ali estava ela, determinada a nadar 177 km entre Cuba e a Flórida — algo que ninguém jamais conseguiu sem proteção.
O nome dela é Diana Nyad. E ela não era uma nadadora comum.
Nascida em 1949, Diana encontrou nas águas seu refúgio e sua força. Desde pequena, já desafiava os limites da resistência. Mas a sua história não é feita apenas de vitórias. É marcada por feridas profundas. Na juventude, foi vítima de abusos. Enfrentou derrotas, rejeições, e viu portas se fecharem onde havia sonhos a florescer.
Aos 28 anos, tentou atravessar o Estreito da Flórida. Fracassou. Aos 29, tentou de novo. Fracassou outra vez. Aos 30, foi vencida por tubarões e correntes impiedosas. Desistiu. E durante mais de três décadas, acreditou que seu sonho havia morrido no fundo daquele mar.
Mas havia algo que o tempo não conseguiu apagar: a chama dentro dela.
Aos 60 anos, enquanto muitos desaceleram, ela decidiu acelerar. Disse a si mesma: “É agora.” Ouviu vozes dizendo que era tarde demais, que o corpo não aguentaria. Mas ela decidiu ouvir apenas o coração.
Tentou a travessia mais quatro vezes. E o oceano foi cruel. Tempestades. Ondas colossais. Exaustão brutal. E mais fracassos.
Até que, em 2 de setembro de 2013, na quinta tentativa, depois de 53 horas ininterruptas de braçadas contra o impossível, Diana Nyad tocou a areia da Flórida.
Suas primeiras palavras ecoaram como um grito à humanidade:
“Nunca desista.”
Diana se tornou a primeira pessoa a completar a travessia sem gaiola de proteção. Não por vaidade. Não por medalhas. Mas para provar que os limites são escolhas.
Sua história é um hino à coragem, um murro na cara do conformismo, um lembrete feroz de que nunca é tarde demais para recomeçar, que a idade é apenas um número e que fracassar não é o fim — é parte da jornada.
Hoje, Diana Nyad não é apenas uma nadadora. É símbolo de uma verdade poderosa:
A verdadeira vitória não está em nunca cair, mas em continuar nadando mesmo quando tudo parece afundar.





quinta-feira, 3 de julho de 2025

O problema é que eles não querem ser como o pai!

 

A desvantagem dos conselhos

O ainda jovem doutor Hipólito está a dar conselhos aos filhos, recomendando o curso que ele próprio tirou, com brilho e, diz ele, algum prazer. Quantos de nós não estiveram — ou não estarão prestes a estar — na mesma posição? É mais um capítulo no já descomunal calhamaço sobre as razões que levam as pessoas a não seguir os conselhos que lhes dão.

O problema, parece-me, não está nos conselhos que se dão, que até podem ser bons. O problema está no dador. Neste caso, no ainda jovem doutor Hipólito, ex-furor da Católica, actualmente a gerir destinos na Caixa. Quando dá conselhos à filha e ao filho — todos bons, porque já os ouvi (e dei!) várias vezes —, aquilo que eles ouvem não são os conselhos em si, mas o seguinte: “Se um dia quiserem ser como eu, façam assim...”

O problema é que eles não querem ser como o pai. Aliás, de uma forma bastante vaga, pode-se dizer que querem ser tudo menos o pai.

O pai, convém lembrar, está sempre a queixar-se. A frase preferida do ainda jovem doutor Hipólito, que faz de letra para a música do suspiro profundo que a acompanha, é: “Só eu é que sei...”

Não é só o ainda jovem doutor Hipólito. Todos os conselhos padecem deste mal. E não são só os conselhos: são os programas e os planos de educação. Têm todos este defeito: eis o que as criancinhas devem estudar se um dia quiserem ser como as pessoas que fizeram o plano de estudos.

E eis o que os adultos devem fazer, no caso de quererem arrepiar caminho, para se tornarem cidadãos parecidos com quem se preocupa tanto como eles. Os receptores de conselhos podem não saber nada — nem sequer o que querem —, mas há pelo menos uma coisa que sabem perfeitamente que não querem, com toda a força anímica que Deus lhes deu: não querem tornar-se na pessoa que lhes está a dar conselhos.

E a maneira mais segura de ficarem iguaizinhas ao ainda jovem doutor Hipólito?

É fazendo o que ele diz para fazer. E a única forma de escapar é não seguir os conselhos que dá.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Uma música para ir embora

 Camden Town, Londres. Duas semanas antes de sua morte, Amy Winehouse foi vista pela última vez caminhando sozinha pelas ruas que tanto amava. Usava um casaco muito grande e uma guitarra pendurada no ombro... como uma promessa esquecida.

Era de noite. Amy desceu sozinha para a plataforma vazia de Mornington Crescent. Não havia imprensa. Não havia fãs. Apenas um vigilante que a observou de longe.
Então, ele tocou uma música.
Era uma melodia suave, com ar de bolero e nostalgia de jazz.
A letra falava sobre voltar para casa.
De desaparecer.
De ser esquecida... docemente.
Ninguém a reconheceu.
Ninguém gravou.
Só uma idosa pensou baixo:
“Essa garota canta com a alma partida”.
Dias depois, Amy Winehouse foi encontrada sem vida em sua casa.
Tinha 27 anos.
E aquela canção... nunca apareceu em nenhum disco.
Não foi registrada em nenhum arquivo.
Talvez tenha sido a despedida dele.
Uma que não procurava ovação, mas silêncio.
Uma música para ir embora... onde ninguém a pudesse impedir.
May be a black-and-white image of 1 person



Um deslumbrante piso de mosaico romano

 Sob as movimentadas ruas da Londres atual, arqueólogos descobriram um deslumbrante piso de mosaico romano, datado do século II ou III d.C. Parte de uma sumptuosa sala de jantar numa vila romana ou mansão (um tipo de pousada à beira da estrada), esse piso intricado permaneceu oculto por mais de 1.800 anos sob camadas de terra e desenvolvimento urbano.

O mosaico exibe um impressionante centro em forma de estrela, cercado por padrões geométricos entrelaçados, desenhos ondulados e medalhões — tudo feito com tesselas vermelhas, pretas e brancas. O seu design detalhado reflete o apurado senso romano de simetria, simbolismo e ordem espacial. Notavelmente bem preservado, ele representa o delicado equilíbrio entre a expansão contínua da cidade e os tesouros do passado que, uma vez ou outra, ela revela.
Contemplar esse antigo piso é como puxar a cortina do tempo, oferecendo um vislumbre de um mundo há muito desaparecido, mas preservado na pedra. Ele nos lembra o desejo humano intemporal de decorar, de lembrar e de deixar vestígios das nossas vidas.
No photo description available.

1.3K

terça-feira, 1 de julho de 2025

O QUE É A RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA?

 O QUE É A RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA?

A radiação solar constitui um importante fator natural do clima da Terra influenciando significativamente o ambiente. A parte ultravioleta do espectro solar (UV) desempenha um papel determinante em muitos processos na biosfera, possuindo muitos efeitos benéficos, poderá no entanto causar graves prejuízos para a saúde se o nível de UV exceder os limites de “segurança”.
De facto, se a quantidade de radiação ultravioleta exceder os limites a partir dos quais os mecanismos de defesa, inerentes a cada espécie, se tornam ineficazes, poderão ser causados graves danos a nível biológico, facto que também se aplica ao organismo humano e em particular aos órgãos da pele e da visão.
Com o intuito de serem evitadas lesões, agudas e crónicas, resultantes da exposição a elevadas níveis de UV, as pessoas deverão limitar a sua exposição à radiação solar adotando medidas de proteção, medidas estas que variam consoante a sensibilidade de cada um à mesma radiação solar.
A variação diurna e anual da radiação solar que chega à superfície é governada por fatores astronómicos e parâmetros geográficos bem como por condições atmosféricas. As ações decorrentes das atividades humanas que atingem a atmosfera, poluindo o ar e influenciando a camada de ozono, afetam também a radiação UV que chega à superfície. Consequentemente, a radiação UV é um parâmetro ambiental altamente variável no espaço e no tempo.
A radiação ultravioleta (UV) faz parte do espectro da radiação solar nos comprimentos de onda compreendidos entre 290 nm a 400 nm.
A chamada radiação UV-B corresponde ao intervalo espectral de 280 nm a 320 nm, sendo a principal responsável pela formação de queimaduras na pele, cancro da pele, cataratas e outros efeitos na saúde humana. A radiação solar UV-B que incide na atmosfera da Terra é absorvida principalmente pelo ozono estratosférico o qual se encontra entre 10 km e 50 km de altitude. No entanto, existem outros componentes atmosféricos que podem contribuir também para uma atenuação (por absorção e/ou por difusão) da radiação UV-B na atmosfera como as nuvens, o aerossol atmosférico e até o próprio ar. Existem ainda outros fatores que podem contribuir para o aumento da radiação UV-B como as reflexões das nuvens, neve, areia, etc.
No photo description available.