sábado, 20 de setembro de 2025

A mediocridade - Oliver Harden

 A mediocridade, em seu ímpeto insidioso, comparece diariamente como um banquete forçado, tentando enfiar-nos goela abaixo os restos de sua própria inanidade. Somos cercados por um exército de falsos profetas: idiotas que se arrogam vendedores de soluções universais, ignorantes que proclamam com pompa ilusórios avanços, enfermos da alma que, em sua própria cegueira, pretendem ditar preceitos de saúde e equilíbrio. Essa multidão do raso não edifica realidade, apenas constrói simulacros, pois quem vive prisioneiro de ilusões ineptas não tem autoridade para apontar caminhos.

O que se promove, assim, não é conhecimento, mas ruído; não é verdade, mas espetáculo. A mediocridade, em sua essência, é ruidosa porque teme o silêncio, prolixa porque teme a profundidade. Seu reinado depende de enganar com aparências, de mascarar a própria vacuidade sob o verniz da retórica fácil e da promessa vazia.
Em tempos como os nossos, a mediocridade tornou-se quase um sistema, erigida como norma social e transformada em moeda corrente. O idiota é aplaudido como sábio, o ignorante assume a tribuna como oráculo e o doente é tomado por mestre de vitalidade. Nietzsche já advertia que o rebanho prefere as certezas banais às verdades difíceis, e é justamente nesse terreno que a mediocridade prospera, pois ela se alimenta da preguiça de pensar e da covardia de olhar o real sem filtros.
É preciso, contudo, uma resistência íntima, uma disciplina da lucidez. Resistir à mediocridade não é apenas recusar suas ofertas, mas sobretudo preservar em si mesmo um espaço de autenticidade onde a mentira não encontre abrigo. O espírito verdadeiramente crítico não se deixa encantar pelo brilho barato das soluções instantâneas, tampouco se entrega ao conforto narcótico da ilusão coletiva.
Pois viver em meio à mediocridade é inevitável, mas sucumbir a ela é escolha. E a tarefa do espírito que busca a verdade, por mais árdua que seja, é não permitir que o lixo do banal se confunda com o alimento do essencial.
Oliver Harden

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