Lola Montez: a mulher que nunca pediu permissão
O seu nome verdadeiro era Eliza Rosanna Gilbert, nascida na Irlanda em 1823. Aos dezesseis anos já havia desafiado a sua família casando com um homem mais velho, mas logo abandonou aquele casamento. Fugiu para a Europa e reinventou-se como Lola Montez, a bailarina espanhola", uma personagem que lhe abria as portas da fama... e do escândalo.
Na Baviera conquistou o próprio rei Luis I, um monarca de mais de 60 anos que caiu rendido à sua ousadia. A lenda conta que, num baile, o rei perguntou se o seu voluptuoso busto era natural ou uma farsa do vestido. Lola, sem pestanejar, mostrou-lhe em público, deixando claro que com ela as subtilezas não existiam.
O romance foi tão apaixonado quanto turbulento. Influenciou o rei, enfureceu a corte e ganhou inimigos em todos os cantos. Quando um jornal a atacou, ela não enviou cartas de protesto: entrou na redação e chicoteou o editor com um chicote. Se algum homem a desafiasse, respondia com a mesma audácia: pedia duelos de arma e quando eles se recusavam, atacava-os com os punhos.
A sua vida foi uma sucessão de episódios incendiários: amante de artistas como Liszt e Dumas, viajante incansável pela Europa, América e Austrália, amazona, esgrimista e atiradora. Nos Estados Unidos, até enfrentou o movimento sufragista, que considerava demasiado dócil. Para ela, as mulheres não deviam pedir direitos, mas arrebatá-los com factos, como as lendárias Amazonas.
Morreu jovem, com apenas 39 anos, mas deixou para trás um eco que ainda ressoa: o de uma mulher que nunca se deixou domesticar, que desafiou reis, intelectuais e preconceitos.
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