segunda-feira, 14 de julho de 2025

A história de Bobbi Gibb

 Em 1966, quando Bobbi Gibb se candidatou para correr na Maratona de Boston, a resposta foi direta — e brutal:

“As mulheres não são fisiologicamente capazes de correr uma maratona, e nós não podemos assumir essa responsabilidade.”
Mas Bobbi não recuou. No dia da maratona, exatamente há 50 anos, ela escondeu-se atrás de uns arbustos, à espera do momento certo.
Vestia as bermudas do irmão, um par de ténis masculinos, um maillot e uma camisola com capuz. Assim que metade dos corredores passaram, ela saltou para dentro da corrida — determinada, anónima e clandestina.
O calor começou a sufocar, mas ela não tirava o capuz.
“Se me vissem, iam tentar me parar. Cheguei a pensar que poderia ser presa.”
Logo, os corredores à sua volta perceberam: ela era uma mulher. Bobbi temia que a expulsassem da estrada ou chamassem a polícia. Mas, ao contrário disso, os homens disseram:
“Se alguém tentar impedi-la, nós não deixaremos.”
Pela primeira vez, ela sentiu-se segura — e tirou a camisola.
Quando o público percebeu que uma mulher estava correndo a maratona mais prestigiada do mundo, a reação não foi de choque ou raiva.
Foi de alegria.
Os homens aplaudiram. As mulheres choraram.
Ao chegar em Wellesley College, centenas de estudantes já a esperavam, pulando, gritando, celebrando cada passo seu como uma vitória coletiva.
Na linha de chegada, o próprio governador de Massachusetts a aguardava. Apertou-lhe a mão.
Bobbi Gibb, que “não era capaz” aos olhos de uma sociedade inteira, tornou-se a primeira mulher a correr a Maratona de Boston — e terminou entre os três primeiros colocados não oficiais.
Ela não correu apenas contra o relógio.
Correu contra a história — e venceu.





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