sábado, 10 de outubro de 2026

Saúde Mental - Afeta todos nós!

 




You never truly know the battles someone is fighting behind their smile.

🥹💙
Some people are silently carrying pain they struggle to explain, doing their best to get through days that feel heavier than anyone realizes.
That’s why kindness matters. A little patience, a heartfelt conversation, a listening ear, or a simple “How are you, really?” can mean more than we ever know. Sometimes, the smallest act of compassion can remind someone that they are not alone.
🫂🤍
And if life has been especially difficult for you lately, please remember this: you don’t have to be strong every single day. You’re allowed to rest, to ask for help, to take a step back, and to begin again as many times as you need. Healing takes time, and you don’t have to figure everything out all at once.
🌷❤️‍🩹
Your struggles do not define your worth. Your pain deserves to be acknowledged, your feelings deserve to be heard, and your life deserves care, love, and understanding.
So, let’s be gentler with one another—not just today, but every day. We may never fully understand what someone else is going through, but we can always choose to make their world a little less lonely.
💙🕊️
✨
You are enough. You are not a burden. Your story is still unfolding, and the world is better with you in it. Always.

A Borboleta monarca ou almirante, uma das mais belas!

 



A borboleta-almirante que está esta semana no jardim é um dos insectos migradores mais extraordinários da Europa — e o que está a fazer agora é exactamente o que as andorinhas estão a fazer nos fios eléctricos: a acumular as últimas reservas para uma viagem de centenas de quilómetros.

A migração outonal da borboleta-almirante de Portugal para o Norte de África começa em Setembro e vai até Outubro. Os adultos que passaram o Verão nos jardins portugueses cruzam o Estreito de Gibraltar quando as condições de vento são favoráveis e hibernam nos climas amenos do Marrocos e da Argélia, onde passam o Inverno em semi-actividade.
A orientação durante a migração usa o campo magnético terrestre como bússola e a posição solar como relógio. Estudos com borboletas com campos magnéticos alterados artificialmente mostram que a navegação é perturbada de forma proporcional à alteração — o que confirma que o campo magnético é o sistema primário de orientação.
A hera em flor — Hedera helix — é a planta mais importante do jardim para a borboleta-almirante em Outubro: é uma das poucas fontes de néctar activas neste mês em Portugal, e as borboletas visitam-na consistentemente ao longo de dias até atingirem as reservas de gordura necessárias para a viagem.
Deixa a hera crescer livremente num muro a sul. Não é invasora quando controlada — e as suas flores de Outubro são a última refeição antes de Marrocos de um dos insectos mais extraordinários que passa pelo jardim ao longo do ano.

Uma das minhas plantas favoritas!




 As buganvílias formam um grupo enorme, com cores que vão do branco ao magenta, ao laranja e ao dourado.

A comparação mostra 24 variedades conhecidas.
Características comuns:
1. Sol pleno para florescer bem.
2. Solo bem drenado, sem encharcar.
3. Rega moderada, mais espaçada depois de estabelecida.
4. Poda após a floração para estimular novos ramos.
Pontos de atenção:
- As cores que parecem pétalas são brácteas, e as flores verdadeiras são pequenas e brancas.
- Os nomes das variedades mudam conforme a região e o produtor.
- Não suportam geadas fortes.
A escolha da cor depende do estilo do jardim e do clima local.

A verdadeira atitude!

 


Platão ensinou Aristóteles a pensar. Não a concordar.

Aristóteles estudou durante cerca de vinte anos na Academia de Platão. Admirava seu mestre e foi profundamente influenciado por ele. Mas isso não o impediu de discordar de algumas de suas ideias.
Uma dessas diferenças estava na maneira de entender a realidade.
Para Platão, aquilo que vemos ao nosso redor muda o tempo todo. Uma flor bonita, por exemplo, nasce, envelhece e desaparece. Mas a ideia de Beleza, aquilo que nos permite reconhecer algo como belo, não dependeria daquela flor. Platão acreditava que existiam verdades e ideias universais além das coisas concretas que vemos.
Aristóteles pensava diferente. Para ele, não era preciso separar essas ideias do mundo real. Para compreender as coisas, deveríamos observar, investigar e estudar a própria realidade.
Mestre e discípulo.
Admiração sem submissão.
Discordância sem inimizade.
Mais de dois mil anos depois, essa relação ainda nos ensina algo importante: pensar não é repetir as ideias de quem admiramos. É ter liberdade para questioná-las também.
Em que momento deixamos de discutir ideias e começamos a tratar quem pensa diferente como inimigo?

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Que expressão usar quando falamos da nossa "cara metade"?

Formas populares de declarar o Amor / carinho a alguém!

Hoje, gostaria de me debruçar sobre três expressões que são usadas com alguma frequência quando estamos apaixonados por alguém.

A primeira, a expressão francesa " Tu me manques!", que significa " Sinto a tua falta!", ou "Fazes-me falta!". Esta é a minha favorita, pois, numa tradução mais livre, eu diria, " Preciso de ti, porque me completas."

A segunda, a expressão inglesa "Miss you!", quer dizer, "Tenho saudades tuas!" ou "Sinto a tua falta!" É uma das formas mais comuns de demonstrar afeto e nostalgia por alguém que está longe de nós. Como romântico que sou, arriscaria uma tradução mais livre do género, "A minha vida sem ti, não faz sentido!"

A terceira, também uma expressão inglesa muito usada para declarar o Amor / Afeto por alguém, "Love you!" ou "Amo-te!". Esta expressão carrega um peso emocional muito grande. No entanto, alargou o âmbito da sua significação. Tornou-se, acho eu, muito popular, banal e repetitiva, e usada em vários contextos, que nem sempre referem um amor ou carinho enorme pela pessoa amada, mas sim, usada como forma de declarar um sentimento de amizade, afeição por um amigo, familiar e até um animal de estimação. E, já não vou referir "I like you!".

A quarta, "Du fehlst mir!" de origem germanica. Literalmente a frase traduz-se como "Tu fazes-me falta!". Será a mais parecida a "Miss you!."

Falta apenas a frase em Português - "Amo-te!" é uma declaração profunda de amor, afeto e ligação emocional a alguém. Expressa que a vida tem mais valor com a presença da outra pessoa, e reservada para momentos muito especiais ou relações íntimas. De origem latina amare. 

Aqueles que, como eu, vivem intensamente os sentimentos e as relações pessoais, e dão muita importância às palavras, usariam aquela que tem um sentido mais profundo de união / comunhão com a nossa cara metade.  A declaração de amor mais profunda, e que implica uma fusão de almas, a primeira, é, de longe, a escolhida. Apesar de ser Português, não descarto a frase portuguesa. 

Ivo Correia

04-10-2026

domingo, 20 de setembro de 2026

Momentos inesquecíveis!

 


A Summer to remember

Amanhã, dia 21 de setembro, começa o outono, com isto quero dizer que o verão está a chegar ao fim.

Foi um verão cheio de experiências novas, que não vou descrever, pois ficaria muito aquém do que senti, e senti muito.

Abri-me ao mundo, e foi a melhor coisa que fiz. Conheci gente fantástica, ficou prometido regressarmos ao sítio onde fomos genuínos, sem filtros, sem rótulos. Momentos, esses, que vivi com muita alegria e em cavaqueira amena.

O Porto Santo, que muito amo, como muitos sabem, proporcionou-me momentos únicos. Confesso que não ia com grandes expetativas, apenas com planos para caminhar, nadar e usufruir da bondade e da genuinidade das gentes dessa ilha paradisíaca.

Mas a vida trocou-me as voltas, como muitas vezes o faz, a cada caminhada acabava a manhã com uma mão cheia de histórias humanas, sofridas, inesperadas. Às tantas, tive de apontar todas essas vivências, porque eram tantas e tão inusitadas. Chegadas de surpresa que se transformaram em momentos incríveis. Almoços à beira-mar, passeios no areal. De tudo um pouco!

Fiquei a conhecer vidas que, de outra forma, nunca imaginaria existirem. Essas pessoas partilharam o seu precioso tempo, e arriscaram confiar em mim. Senti, pois, raramente o sinto, que era escutado, e, faziam questão de saber a minha opinião. Neste verão senti que era visível para algumas pessoas.

Embarquei, também, numa aventura, únioca, que foi, é e será sempre uma mais valia para mim. Conheci sítios, na ilha da Madeira, que nunca imaginara que existissem. Convivi com pessoas simples, contudo autênticas “pedras preciosas”. Partilhamos experiências de vida únicas! Pessoas que, com a sua presença, contribuem para que nos tornemos melhores seres humanos. A sua energia contagia-nos, acalma-nos, curam-nos! Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que estejam permanentemente na minha vida!  

A todas elas a minha admiração pela oportunidade, que me têm dado, de as conhecer melhor, e a sorte que tive / tenho por as ter ao meu redor. Bem hajam!

Acredito que este outono será a continuação do verão que agora termina, assim o espero.

Ivo Correia

20 de setembro de 2026

Consideração é conhecer os pequenos detalhes - excelente texto de António Craveiro! Valorizemos quem nos valoriza!

 A CONSIDERAÇÃO

A vida, na verdade, não é simples. Mas torna-se mais leve quando aprendemos a escolher quem também nos escolhe.
Querer caber onde não há espaço é o que torna tudo pesado e exaustivo. A vida ganha outra leveza quando deixamos de insistir naquilo que é unilateral e decidimos investir em quem não tem dúvidas sobre o nosso valor.
A reciprocidade não exige malabarismos, jogos ou grandes demonstrações. É simples. É clara. É estar. É fazer questão.
Talvez por isso existam pessoas que dizem gostar muito de nós e, ainda assim, nos fazem sentir tão pouco importantes. Porque gostar sem consideração pode ser apenas um sentimento bonito que nunca aprendeu a transformar-se em cuidado.
E é aqui que entra a consideração.
Considerar alguém é pensar antes de agir. É não deixar de fazer as nossas escolhas, mas lembrar que algumas delas podem tocar, magoar ou desiludir quem está ao nosso lado.
É pensar antes de falar, não por medo de dizer o que sentimos, mas porque sabemos que as palavras também deixam marcas.
É tomar uma decisão e, antes de avançar, perguntar a nós próprios:
“Se esta pessoa é importante para mim, será que aquilo que estou a fazer também leva em conta o que ela poderá sentir?”
Consideração é conhecer os pequenos detalhes.
É lembrar aquilo que o outro valoriza. É perceber quando a nossa presença é importante. É cumprir uma palavra. É não deixar alguém à espera sem uma explicação. É não tratar como indiferente quem nunca nos tratou como indiferentes.
Porque, muitas vezes, a maior prova de consideração não está naquilo que fazemos por alguém.
Está naquilo que escolhemos não fazer porque sabemos que poderia magoá-lo.
E isto não vale apenas para relações amorosas.
Vale para amigos, irmãos, pais, filhos, colegas. Vale para qualquer pessoa a quem dizemos que é importante para nós.
No fundo, considerar alguém é incluí-lo na forma como caminhamos pelo mundo.
Não significa viver em função dessa pessoa. Não significa abdicar da nossa liberdade ou deixar de fazer as nossas escolhas.
Significa apenas reconhecer que, quando alguém ocupa um lugar na nossa vida, merece também ocupar um pequeno espaço nos nossos pensamentos antes de algumas decisões.
Porque dizer “gosto de ti” é bonito.
Mas fazer alguém sentir que foi tido em consideração talvez seja uma das formas mais silenciosas, mais bonitas e mais sinceras de dizer exatamente a mesma coisa.
No final, consideração é isso: lembrar que não estamos sozinhos no mundo e que, quando alguém importa, as nossas escolhas também podem ter impacto no coração dessa pessoa.

António Craveiro
setembro 2026

Nem tudo o que parece é!

 SEJAMOS HONESTOS: CONHECER ALGUÉM, HOJE, É MUITAS VEZES COMPRAR UMA PESSOA PELA FOTOGRAFIA E SÓ DESCOBRIR OS DEFEITOS QUANDO A ENCOMENDA CHEGA A CASA.

No início, toda a gente vem em “versão de demonstração”: tranquila, segura, independente, divertida, muitos risinhos, borboletas no estômago, emocionalmente saudável, zero ciúmes, zero dramas e, claro, aquela frase que nunca falha: “Eu prezo muito a liberdade de cada um. Numa relação, cada pessoa tem de ter o seu espaço.” É praticamente uma entrevista de emprego onde toda a gente mente no currículo.
Porque ninguém, no auge da conquista, olha para ti e diz: “Olha, antes de te apaixonares, convém saberes algumas coisas. Sou possessiva. Sou desconfiada. Tenho ciúmes. Não gosto muito que o meu parceiro saia sem mim. Cafés com amigas também são um conceito que vou precisar de analisar.
E quando não sei onde estás, a minha cabeça não descansa: produz uma série da Netflix com oito episódios, duas temporadas e um final que, normalmente, não tem nada a ver com a realidade. Ahhh… sou teimosa. Tenho uma dificuldade monumental em pedir desculpa. Às vezes amuo e espero que descubras sozinho porquê. E, para terminar, tenho um pequeno lado vingativo que prefiro não explorar nesta primeira fase da relação.”
Ninguém diz isto. Diz-se: “Sou muito segura de mim.” Até aparecer a Patrícia. “Quem é a Patrícia?” “Uma colega.” “Ah…” “E porque é que ela pôs um coração? Que put@!!!”
E eles fazem exatamente o mesmo. “Sou super saudável emocionalmente.” “Não ligo nada às redes sociais.” “Não sou ciumento.” “Sou muito simples.” “Não gosto de dramas.” Claro. Não liga às redes sociais, mas sabe perfeitamente quem viu o teu story.
Não é ciumento, mas reparou que começaste a seguir uma pessoa nova. É emocionalmente saudável, mas quando alguma coisa o incomoda responde “nada”, desaparece durante três horas e espera que desenvolvas capacidades de investigação criminal. E é “muito simples” até perceberes que essa simplicidade vem acompanhada de 37 regras que nunca te contou, mas que devias obviamente conhecer.
E aqui está a parte mais absurda: fazemos isto para sermos escolhidos. Escondemos aquilo que achamos que pode afastar o outro e mostramos aquilo que acreditamos que ele quer encontrar. Chamamos-lhe omissão, estratégia, prudência, medo de assustar… No fundo, muitas vezes é só marketing emocional.
E depois, quando a relação avança e começam a aparecer as letras pequeninas dos termos e condições, lá vem a frase: “Nunca pensei que ele/ela fosse assim.” Pois não. Porque no início não estavas a conhecer uma pessoa. Estavas a conhecer a candidatura dela ao cargo de “amor da tua vida”.
O problema é que a candidatura vem sempre impecável. O contrato é que traz as cláusulas. E quando finalmente aparece a pessoa real com ciúmes, manias, inseguranças, defeitos, contradições, mau feitio, medos, virtudes e toda a tralha que vem dentro de um ser humano ficamos chocados.
“Mas onde estava esta pessoa?” Estava lá. Tu é que estavas demasiado ocupado a apaixonar-te pela versão que te estavam a vender. E talvez a verdade mais incómoda seja esta: não queremos realmente conhecer alguém. Queremos encontrar alguém que corresponda àquilo que já decidimos que queremos.
Por isso, quando alguém mente para nos conquistar, dizemos que fomos enganados. Quando alguém é sincero e não corresponde ao nosso ideal, chamamos-lhe red flag.
E depois ainda temos a lata de perguntar porque é que já ninguém se mostra como é. Talvez porque perceberam uma coisa muito simples: Neste mercado, a verdade pode fazer perder a venda.

sábado, 19 de setembro de 2026

Não devemos adiar a nossa vida, porque ela pode acabar de repente!

 O AMANHÃ É O HOJE ADIADO

O amanhã é o lugar para onde enviamos tudo aquilo que não tivemos coragem de viver hoje.
Depositamos nele as palavras que não dissemos, os abraços que economizamos, as decisões que o medo interrompeu e os sonhos que julgamos ainda não merecer. Transformamos o futuro numa espécie de armazém da existência, como se o tempo pudesse conservar intacto aquilo que a nossa hesitação abandona.
Amanhã, diremos.
Amanhã, iremos.
Amanhã, começaremos.
Amanhã, finalmente, seremos.
E assim, enquanto pronunciamos essa palavra tão cheia de promessas, retiramo-nos silenciosamente do único instante em que a vida realmente acontece. O corpo permanece no presente, mas a consciência já partiu. Continuamos respirando, trabalhando, atravessando ruas, respondendo perguntas, porém alguma parte essencial de nós se ausentou por antecedência.
Há uma forma discreta de morrer que não exige o fim do coração. Basta deixar de habitar os próprios dias.
Muitos de nós não perdemos a vida de uma só vez. Perdemos aos poucos, em pequenas concessões feitas à espera. Um afeto não declarado, uma viagem sempre remarcada, um pedido de perdão suspenso, um livro que jamais começamos, uma mudança que adiamos até que a permanência se torne destino. Cada adiamento parece insignificante quando considerado isoladamente, mas, reunidos, eles compõem a arquitetura inteira de uma existência não vivida.
O amanhã possui uma beleza perigosa. Como nunca chegou, ainda não foi ferido pela realidade. Nele, tudo permanece possível. Somos mais corajosos, mais livres, mais generosos. No futuro, teremos tempo, disposição, serenidade e certeza. No futuro, saberemos exatamente o que fazer com a vida.
Talvez seja por isso que amamos tanto o amanhã, ele jamais nos contradiz.
O hoje, ao contrário, é imperfeito. Chega desalinhado, trazendo cansaço, medo, obrigações e dúvidas. Não nos oferece as condições ideais, apenas a matéria bruta do possível. Exige que escolhamos sem garantias, que amemos sem conhecer o desfecho, que partamos sem possuir um mapa completo. O presente não promete segurança. Promete somente presença.
E talvez seja isso o que mais nos assusta.
Estar verdadeiramente presente significa não poder atribuir a outro tempo a responsabilidade por aquilo que somos. Significa reconhecer que a vida não está nos esperando em algum ponto distante da estrada. Ela está acontecendo enquanto hesitamos. Está passando enquanto preparamos uma versão futura de nós mesmos para vivê-la.
Há pessoas que aguardam durante anos a ocasião perfeita para serem felizes. Não percebem que a perfeição da ocasião é uma invenção criada pelo medo para permanecer imóvel. A vida não chega quando tudo estiver resolvido. Ela chega incompleta, desordenada, às vezes dolorosa, e pede que a acolhamos assim mesmo.
O amanhã não é um novo território. É apenas o hoje que atravessou a noite.
Se levamos para ele os mesmos temores, as mesmas desculpas e a mesma recusa de existir, nada verdadeiramente começa. Muda-se a data no calendário, mas a alma permanece sentada no mesmo lugar. O tempo avança, nós é que nem sempre avançamos com ele.
Existe, portanto, uma diferença profunda entre esperar e adiar. Esperar pode ser um gesto de sabedoria. Há frutos que não amadurecem sob a violência da pressa. Adiar, contudo, é muitas vezes a arte de oferecer ao futuro aquilo que nossa coragem se recusou a entregar ao presente.
Enquanto esperamos o momento certo, talvez seja o momento que esteja esperando por nós.
Um dia descobrimos que muitos dos nossos amanhãs já se tornaram ontens. As pessoas a quem pretendíamos dizer alguma coisa já não podem ouvir. Os lugares que desejávamos visitar já não existem como antes. O corpo que imaginávamos sempre disponível começa a impor suas fronteiras. Algumas portas, cansadas de permanecer abertas, finalmente se fecham.
Então compreendemos, tarde demais, que o tempo não nos roubou tudo. Algumas coisas fomos nós que deixamos de receber.
A tragédia do adiamento não está apenas na perda das oportunidades, mas na lenta transformação daquele que espera. Cada gesto não realizado modifica silenciosamente quem poderíamos ter sido. Toda escolha recusada também nos escolhe. O caminho que não percorremos continua existindo dentro de nós, não como estrada, mas como ausência.
Talvez os arrependimentos sejam justamente isso, fantasmas das vidas que abandonamos antes que pudessem nascer.
Viver o hoje não significa agir impulsivamente, como se não houvesse consequências ou futuro. Significa apenas não utilizar o futuro como esconderijo. Significa compreender que o amanhã deve ser preparado, mas não habitado antes de chegar. Podemos plantar para ele, sonhar com ele e construir em sua direção, sem abandonar o chão sobre o qual os nossos pés agora repousam.
Porque a vida não nos pede heroísmo em todos os instantes. Às vezes, pede apenas uma pequena fidelidade ao presente. Fazer a ligação. Pronunciar a verdade. Começar a primeira página. Sentar-se ao lado de quem amamos. Olhar demoradamente o céu. Permitir que um momento seja suficiente sem obrigá-lo a tornar-se memória antes mesmo de terminar.
Talvez a existência não seja a soma dos grandes acontecimentos, mas a maneira como permanecemos dentro dos pequenos. Talvez a felicidade não esteja guardada no futuro, mas espalhada em fragmentos tão discretos pelo presente que somente uma alma verdadeiramente atenta consegue recolhê-los.
O amanhã continuará sendo necessário. Precisamos dele para que a esperança possua uma janela. Mas não podemos fazer dessa janela uma porta de fuga. Quem vive sempre inclinado sobre o futuro acaba contemplando a própria vida à distância.
E nenhuma existência deveria ser apenas observada.
É preciso habitá-la.
Hoje.
Mesmo sem certeza. Mesmo sem perfeição. Mesmo com medo.
Porque o amanhã é o hoje adiado, e toda vez que entregamos a ele aquilo que poderíamos viver agora, ausentamo-nos por antecedência do único lugar em que ainda estamos vivos.
Oliver Harden

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

"Unrequited love" - a romantização de uma relação - quem nunca passou por isso, atire a primeira pedra!

 


Às vezes, não nos apaixonamos pela pessoa. Apaixonamo-nos por aquilo que imaginámos que ela era.

Há uma coisa curiosa no amor: não projetamos apenas nos outros aquilo que somos. Muitas vezes, projetamos neles aquilo que gostaríamos que fossem.
Vemos um gesto de carinho e imaginamos cuidado.
Uma mensagem e imaginamos interesse.
Um momento de proximidade e imaginamos cumplicidade.
Uma promessa e imaginamos compromisso.
E, pouco a pouco, vamos preenchendo os espaços vazios com aquilo que o nosso coração deseja encontrar.
Sem perceber, começamos a conhecer não a pessoa que está diante de nós, mas a pessoa que gostaríamos que ela fosse.
E é aqui que nasce uma das maiores ilusões do amor: a romantização.
Romantizamos comportamentos que talvez devessem ser questionados. Damos significado a silêncios, justificamos ausências, encontramos explicações para incoerências e transformamos pequenas migalhas de atenção em grandes provas de amor.
Não porque sejamos ingénuos, mas porque quando desejamos muito que alguma coisa seja verdadeira, tornamo-nos especialistas em encontrar razões para acreditar nela.
E talvez seja essa a parte mais dolorosa: por vezes, não fomos enganados por ninguém. Fomos nós que, sem perceber, construímos uma realidade paralela onde a pessoa correspondia exatamente àquilo que precisávamos que ela fosse.
Apaixonámo-nos pela versão que criámos.
E quando a realidade finalmente começa a contrariar a fantasia, custa aceitar. Porque não estamos apenas a perder uma pessoa. Estamos a perder também a história que construímos sobre ela.
Por isso, conhecer verdadeiramente alguém exige uma coisa difícil: olhar para essa pessoa sem acrescentar aquilo que gostaríamos de encontrar.
Ver o que ela faz, e não apenas o que diz.
Observar como nos trata, e não apenas como nos faz sentir.
Aceitar aquilo que ela demonstra, mesmo quando não corresponde àquilo que desejávamos.
Porque amar alguém não deveria significar transformar a realidade para que ela caiba no nosso sonho.
Às vezes, o que chamamos de amor é apenas a nossa esperança a trabalhar horas extraordinárias.
E talvez seja por isso que este texto do Bruno Fernandes seja tão certeiro.

Porque, no fim, há duas ilusões possíveis: alguém pode estar a vender-nos uma versão de si próprio… e nós podemos estar a comprar essa versão porque é exatamente aquilo que queríamos acreditar.

Bruno Fernandes