sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Um novo normal. A romantização do sofrimento autoria de António Craveiro, professor e pedagogo!

 Um novo normal. A romantização do sofrimento. António Craveiro, professor e pedagogo!

Responde-me a uma coisa com toda a honestidade do mundo: desde quando aceitamos que amar alguém significa viver a pisar ovos dentro da própria casa?
Em que momento começámos a acreditar que uma paixão verdadeira tem de nos tirar a paz, roubar-nos o sono, provocar ansiedade e deixar-nos constantemente a tentar perceber o que fizemos de errado?
Talvez tenhamos romantizado demasiado o sofrimento.
Há relações em que se passa o dia a medir palavras para evitar discussões, a engolir lágrimas para não parecer demasiado sensível, a aceitar silêncios como se fossem normais e a encontrar justificações para comportamentos que, no fundo, sabemos que não são aceitáveis.
E, pior ainda, começamos a chamar intensidade àquilo que é instabilidade, chamamos paixão àquilo que é dependência e confundimos migalhas de afeto com amor.
Receber carinho depois de uma semana de frieza parece um acontecimento extraordinário. Um abraço depois de dias de distância transforma-se numa espécie de recompensa. E nós agarramo-nos àquele pequeno momento bom, esquecendo todos os momentos que nos fizeram sentir pequenos.
É assim que a montanha-russa emocional vai destruindo a autoestima em silêncio.
Mas existe algo ainda mais importante: amor sem respeito deixa de ser amor vivido a dois.
Quem ama não precisa de concordar sempre, mas precisa de respeitar.
Quem ama não precisa de estar permanentemente colado ao outro, mas quer estar presente.
Quem ama não precisa de abandonar a sua individualidade, mas sabe criar uma parceria.
Quem ama não procura constantemente razões para se afastar; procura razões para construir.
Quem ama cuida.
Quem ama procura.
Quem ama pergunta como estamos.
Quem ama preocupa-se.
Quem ama dá importância.
Quem ama faz do outro uma prioridade — não necessariamente a única, mas uma prioridade.
Porque prioridades também são escolhas.
E quando numa relação começamos a sentir que somos sempre a última opção, quando o nosso tempo é aquele que sobra, quando a nossa presença é dispensável e quando existe sempre alguma coisa ou alguém mais importante, não podemos fingir que isso não tem consequências.
Uma relação não se alimenta apenas de palavras bonitas, química ou momentos extraordinários. Alimenta-se de presença, respeito, lealdade, cuidado, cumplicidade e reciprocidade.
Lealdade não é apenas não trair.
Lealdade é proteger a relação quando o outro não está presente.
É não fazer deliberadamente aquilo que sabemos que magoaria quem amamos.
É saber colocar limites.
É não alimentar situações que podem ferir a confiança.
É agir de acordo com aquilo que dizemos sentir.
Porque amar alguém também é pensar: “Como é que as minhas escolhas vão fazer esta pessoa sentir-se?”
E talvez seja aqui que muitas relações se perdem.
Confundimos liberdade com ausência de consideração. Confundimos independência com indiferença. Confundimos espaço com distância emocional. E, quando damos por nós, duas pessoas que um dia queriam estar juntas passam a viver uma ao lado da outra, mas emocionalmente cada vez mais longe.
Depois vem a desculpa habitual: “É assim mesmo uma relação.”
Não.
Não é assim que uma relação tem de ser.
Amor não é viver permanentemente em estado de alerta, sem saber qual será a versão da pessoa que vamos encontrar. Não é ter medo de falar. Não é sentir culpa por tudo. Não é implorar por atenção. Não é aceitar desprezo em troca de alguns momentos de carinho.
E também não é sofrer todos os dias em nome de um futuro que talvez nunca chegue.
Temos uma tendência perigosa para acreditar que quanto mais difícil for uma história, maior será o amor no final. Como se todas as noites mal dormidas fossem provas de amor e todas as feridas fossem apenas capítulos necessários para chegar ao “felizes para sempre”.
Mas a vida não é um filme.
O sofrimento não transforma uma relação numa grande história de amor.
Às vezes, transforma apenas duas pessoas cansadas em duas pessoas feridas.
Uma relação saudável não significa ausência de problemas. Haverá discussões, diferenças, dias difíceis, cansaço e momentos de afastamento.
Mas existe uma diferença enorme entre ter problemas numa relação e fazer da própria relação um problema.
Quando duas pessoas se amam, procuram soluções.
Quando se magoam, procuram reparar.
Quando se afastam, procuram reencontrar-se.
Quando erram, procuram reconhecer.
Quando existe uma dificuldade, enfrentam-na juntos.
Porque uma relação é, acima de tudo, uma parceria.
É olhar para o outro e perceber: “Eu não estou aqui apenas para receber amor. Estou aqui também para cuidar do teu coração.”
E talvez esta seja uma das maiores provas de amor: ter consciência de que aquilo que fazemos pode destruir a pessoa que dizemos amar — e, mesmo assim, escolher não o fazer.
Não adianta existir uma química absurda se a convivência nos desmonta por dentro.
Não adianta dizer “amo-te” se as atitudes dizem “não és importante”.
Não adianta querer alguém na nossa vida se não queremos verdadeiramente estar na vida dessa pessoa.
Porque amar não é apenas sentir.
Amar é escolher.
É cuidar.
É respeitar.
É procurar.
É estar.
É ser leal.
É construir.
E, sobretudo, é fazer com que a pessoa que amamos se sinta segura dentro da relação que construímos juntos.
Por isso, talvez esteja na hora de deixarmos de chamar “amor” àquilo que nos destrói.
Nem toda a história difícil é uma grande história de amor.
Às vezes, é apenas uma história onde nos esquecemos de nós próprios enquanto tentávamos salvar alguém que nunca teve a mesma vontade de nos salvar.
O amor da nossa vida não deve ser a nossa tempestade diária.
Deve ser o lugar onde, mesmo quando o mundo lá fora desaba, encontramos um cais onde podemos finalmente descansar.
António Craveiro

As mães são o nosso mundo

 As mães são o nosso mundo, mas não são deste mundo. Têm poderes. As mães são mágicas. Acordam de noite, assim do nada, porque sentem que o filho as vai chamar. Antes de ouvir, já escutaram a voz do filho. O coração das mães não se engana. Aliás, não é possível enganar uma mãe a menos que ela queira. Às vezes, faz-se de desentendida, mas só porque entendeu há muito que há coisas que é preciso deixar passar, mesmo que nada lhe passe ao lado. As mães são estranhas. Às vezes, parece que têm dupla personalidade. Andam sempre a chamar a atenção dos filhos, não os deixam parar em ramo verde, e tens de fazer isto e fazer aquilo, já te disse que não, já tens idade para arrumar as tuas coisas, sou sempre eu a fazer tudo nesta casa, e vai estudar, mas derretem-se ao falar deles às outras pessoas. As mães são aquelas pessoas que põem babetes aos filhos, mas elas é que andam sempre babadas. As mães estão sempre cansadas, mas trabalham como se não estivessem. Claro que, assim, ninguém liga quando dizem que estão cansadas ou doentes, porque fazem tudo na mesma. As mães podem estar a morrer de fome, mas primeiro querem saber se o filho já comeu. As mães não se esquecem de mandar levar um casaco ou de recomendar aos filhos que se agasalhem e que não apanhem frio. As mães às vezes estão inseguras e têm vontade de chorar, mas dizem sempre que foi das cebolas ou que têm alergia e que vai correr tudo bem. As mães nascem com os filhos e vivem para eles o resto da vida. Às vezes, as mães trocam os nomes dos filhos quando chamam por eles, mas não trocam os filhos por nada nem por ninguém.

ilustração de J. Kirk Richards



sábado, 1 de agosto de 2026

Isto é problema nosso, também!

 Há quem olhe para Ceuta e pense: “Isso é um problema de Espanha.”

Não é.
Pedro Sánchez passou anos a defender políticas de regularização em massa e uma abordagem cada vez mais permissiva à imigração irregular.
Hoje, Espanha enfrenta uma pressão sem precedentes na sua fronteira externa.
E Portugal continua em silêncio.
É curioso.
Os portugueses adoram Schengen. Gostam de atravessar a fronteira para ir a Badajoz ou a Vigo, encher o depósito, fazer compras e regressar sem mostrar um único documento.
Mas esquecem-se de uma coisa.
Essa liberdade só existe porque alguém protege as fronteiras externas da Europa.
A liberdade depende da segurança.
Entretanto, por toda a Europa, cresce a preocupação com a insegurança, com a criminalidade violenta e com a incapacidade de muitos governos para controlar quem entra no seu território. Os cidadãos sentem essa realidade no dia a dia, mesmo quando parte do debate político insiste em ignorá-la.
Se as fronteiras externas deixarem de ser credíveis, Schengen deixa de ser sustentável.
Talvez seja nessa altura que muitos portugueses descubram que a liberdade de atravessar a fronteira para ir às compras ou encher o depósito nunca foi gratuita.
Dependia de uma segurança que demasiados líderes trataram como garantida.

Ana Marta



Como a Terra poderá ficar em 2100?

 Como a Terra ficará em 2100?

Imagine acordar no ano de 2100 e perceber que muitos lugares conhecidos mudaram profundamente.
🌎
Algumas regiões poderão enfrentar ondas de calor mais intensas, enquanto cidades costeiras precisarão conviver com o avanço gradual do mar.
🏙️
Ao mesmo tempo, tecnologias inteligentes deverão monitorizar florestas, oceanos e a atmosfera em tempo real, ajudando governos e cientistas a responder rapidamente aos desafios ambientais.
🤖
A produção de energia poderá depender quase totalmente de fontes renováveis, reduzindo a emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global.
⚡
Muitas espécies animais migrarão para áreas mais favoráveis, enquanto novas soluções de engenharia permitirão adaptar cidades, proteger comunidades e recuperar ecossistemas.
🌱
O futuro da Terra dependerá tanto das mudanças naturais quanto das decisões tomadas pelas pessoas durante este século. Cada escolha feita hoje poderá influenciar diretamente como será o planeta das próximas gerações.
5 curiosidades:
Cerca de metade da população mundial poderá viver em áreas urbanas altamente adaptadas ao clima.
Algumas cidades já desenvolvem bairros preparados para enchentes permanentes.
Satélites monitorizam diariamente mudanças na vegetação e nos oceanos.
Energias renováveis tendem a ocupar parcela cada vez maior da produção elétrica mundial.
A Inteligência artificial já auxilia previsões climáticas com enorme precisão.


Invenções que ainda perduram nos nossos dias!

 




Ser resiliente, compensa!

 Na década de 1970, o prefeito Kotoku Wamura tomou uma decisão para a pequena vila costeira de Fudai, no Japão, que gerou forte revolta. Ele insistiu na construção de uma barreira contra tsunamis com impressionantes 15,5 metros de altura e um portão de contenção no rio local. Moradores e políticos criticaram duramente o projeto, classificando o investimento milionário como um enorme desperdício de dinheiro público e uma obra visivelmente exagerada.

🌊
O líder municipal manteve sua posição firme porque guardava na memória a tragédia de 1933, quando um tsunami devastou a região e tirou a vida de dezenas de moradores. Mesmo após deixar a vida pública, Wamura continuou sendo lembrado por muitos como o político que cometeu um excesso desnecessário. A obra concluída nos anos 1980 permaneceu lá, testada apenas pelo ceticismo da população por mais de três décadas.
🛡️
A história mudou drasticamente em março de 2011, quando um dos mais devastadores terremotos seguidos de tsunami atingiu o Japão. Ondas gigantescas destruíram cidades inteiras e deixaram mais de 20 mil mortos no país. Em Fudai, no entanto, a estrutura gigante projetada por Wamura segurou com sucesso a força assustadora do oceano, mantendo as casas intactas e salvando a vida de cerca de três mil habitantes sem registrar uma única fatalidade na área protegida.



Derek Walcott published his first poem in a newspaper at 14

 “The thing I consider very lucky in my life was I knew exactly what I wanted to do. I knew I wanted to be a poet and I knew I wanted to paint.”

Derek Walcott published his first poem in a newspaper at 14 and released his first collection of poetry at 18. His father, who passed away when Walcott was just one, had been a writer and a painter and Walcott, encouraged by his supportive mother, never wanted to do anything else.
Born in Saint Lucia, a former British colony, the experience of growing up on the Caribbean island ran deeply through Walcott’s life and work. Walcott’s poems and plays often interrogate the tension between his heritage of Caribbean, African and European cultures and revolve around a search for identity.
Walcott received the 1992 Nobel Prize in Literature “for a poetic oeuvre of great luminosity, sustained by a historical vision, the outcome of a multicultural commitment." When awarding the prize the Swedish Academy said in his literary works Walcott “laid a course for his own cultural environment, but through them he speaks to each and every one of us.”



Os ventos formam-se devido ...

 Você Sabia? Os ventos formam-se devido ao aquecimento desigual da superfície terrestre pelo Sol, que cria diferenças de temperatura e de pressão atmosférica. O ar quente, por ser menos denso, sobe, formando áreas de baixa pressão, enquanto o ar frio, mais denso, desce, formando áreas de alta pressão.

Para equilibrar essas diferenças, o ar desloca-se das regiões de alta para as de baixa pressão, originando os ventos. Esse movimento é influenciado pela rotação da Terra, por meio do efeito Coriolis, que desvia os ventos para a direita no Hemisfério Norte e para a esquerda no Hemisfério Sul.
Numa escala global, esse processo organiza a circulação da atmosfera em grandes células de circulação e dá origem aos ventos predominantes, como os alísios, os ventos de oeste e os ventos polares, que desempenham um papel fundamental na distribuição do calor, da umidade e das chuvas pelo planeta.



O direito a ser diferente!

 


O problema não é ter opinião

 O problema não é ter opinião,

o problema pode estar na necessidade de a dar, na forma como se dá, nas palavras, no tom e na intenção implícita na mesma.
Sinto que por aqui está tudo mais tóxico, mas acredito que podemos fazer deste espaço encontros mais saudáveis para todos, onde todos podemos ganhar: outros ângulos, perspetivas, empatia e respeito.

Diana Gaspar



A imigração de Marrocos para a Espanha

 A imigração de Marrocos para a Espanha ocorre principalmente pela busca por melhores oportunidades de trabalho, renda e qualidade de vida na União Europeia.

Além dos marroquinos, milhares de migrantes de outros países africanos utilizam essa rota para tentar chegar à Europa. Embora os dois países sejam separados pelo Estreito de Gibraltar, existe uma fronteira terrestre nas cidades espanholas de Ceuta e Melilla, localizadas no norte da África e cercadas pelo território marroquino.
Essas áreas possuem cercas, sistemas de vigilância e forte controle policial, mas continuam sendo uma das principais portas de entrada para a Europa.
Nos últimos dias, a região voltou a registrar um aumento nas tentativas de travessia após a circulação de informações de que seria mais difícil deportar migrantes que conseguissem entrar em Ceuta. Estima-se que 49 a 60 mil imigrantes chegaram na Espanha entre os dias 30 e 31 de julho de 2026.



Ashes to Ashes - David Bowie

 Released 46 years ago on this day in 1980 ... the David Bowie game changing single 'Ashes to Ashes' from the #artrock experimental sounds of the groundbreaking (& huge inspiration to #postpunk) album 'Scary Monsters (And Super Creeps)' ... a song which verbally reprised the character of 'Major Tom' complete with then mesmerising & innovative video!





sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

The Castle of the Templars of Ponferrada

 Did you know that the Castle of the Templars of Ponferrada, located in the province of León, Spain, is one of the most important and best preserved Templar fortresses on the Iberian Peninsula. Built from the 12th century, it was key in defending the Camino de Santiago and in the strategic control of the Bierzo

🏰🛡️
.
📍
General data
🇪🇸
Country: Spain
🌍
Province: León
🏙️
City: Ponferrada
🏰
Type: Medieval Templar Castle
📅
Initial construction: XII Century
• ino️ Strategic location: Camino de Santiago
📍
5 Interesting Facts
1. It was handed over to the Order of the Temple in 1178 to protect pilgrims of the Camino de Santiago.
2. After the dissolution of the Templars, it passed through the hands of different nobles and kings.
3. It combines Templar, Gothic and Renaissance architectural styles.
4. It hosts exhibitions and cultural events throughout the year.
5. It is the most representative historical symbol of the city of Ponferrada.





O airo-crestado

 Pequeno no tamanho, mas gigante na aparência, o airo-crestado chama atenção à primeira vista. Habitante das regiões geladas do Ártico, ele parece ter sido desenhado fora do seu tempo.

Com um topete curvado para a frente, quase como um adorno futurista, o pássaro exibe um visual que mistura elegância e estranheza. Os seus olhos claros reforçam a impressão de que saiu de um estúdio de design, não da natureza.
Conhecido cientificamente como Aethia cristatella, o airo-crestado vive em colónias nas falésias e ilhas do Pacífico Norte. Além da aparência incomum, é um exímio mergulhador, adaptado às águas frias e agitadas.



The Wondiwoi tree kangaroo

 The Wondiwoi tree kangaroo, one of the most elusive mammals on Earth, was dramatically rediscovered in 2018 in the remote montane forests of Papua, Indonesia.

First documented in 1928, the species disappeared from scientific records for nearly 90 years. With no confirmed sightings for decades, many experts assumed it had gone extinct. That assumption was overturned when British naturalist Michael Smith photographed a living individual, confirming the species had survived unseen for generations.
The Wondiwoi tree kangaroo is a medium-sized marsupial uniquely adapted for life in the trees. It has strong forelimbs for climbing, powerful hind legs, and a long tail that helps with balance as it moves through the forest canopy.
Despite its remarkable survival, the outlook for the species remains grim. Scientists estimate that fewer than 50 adult individuals may exist. Its extremely limited range leaves it highly vulnerable to hunting and ongoing habitat loss, making it one of the world’s most endangered mammals.
The rediscovery has renewed conservation interest, but it also serves as a stark reminder that survival alone does not guarantee safety. Without urgent protection, the Wondiwoi tree kangaroo could still slip into extinction—this time for good.