segunda-feira, 25 de agosto de 2025

A Donzela de Gelo

 No fundo do gelo eterno da Sibéria, os arqueólogos encontraram um corpo que parecia dormir há 2.500 anos. Chamaram-na de Donzela de Gelo, e na sua pele descansava um segredo antigo: uma tatuagem.

Sob a sua juba gelada apareceu um cervo cita, desenhado com linhas finas e curvas que ainda hoje surpreendem pela sua elegância. Não era um ornamento banal, era um símbolo. Os Citas, um povo de guerreiros e nómadas, tatuavam os seus corpos como uma linguagem sagrada, um mapa de poder e espiritualidade que viajava com eles para além da morte.
O achado da Donzela revelou que, mesmo no meio das estepes gelidas, a tinta era memória e resistência. As suas tatuagens, entre as mais antigas já encontradas, abrem uma janela para um mundo que se pensava estar perdido: um mundo de crenças complexas, de rituais, de animais totémicos que servem de guia e proteção.
Não era apenas uma múmia. Era um testemunho de como, desde tempos imemoriais, o ser humano procurou deixar marcas indeléveis na sua própria pele. Marcas que sobreviveram ao tempo, ao gelo e à própria morte.






Machu Picchu

 Em 24 de julho de 1911 o mundo conheceu a cidade inca de Machu Picchu.

Nesse dia o explorador americano Hiram Bingham "descobriu" o monumento Inca localizado nas alturas da montanha de mesmo nome, na província de Urubamba, região de Cusco.
Hiram Bingham era um professor de história interessado em encontrar as últimas fortalezas incas em Vilcabamba e ouviu histórias sobre Machu Picchu.
O explorador chegou a Machu Picchu onde encontrou duas famílias camponesas morando na região: os Recharte e os Álvarez.
Eles usaram as plataformas do sul do complexo arqueológico para cultivar e beber água de um canal de origem inca que ainda funcionava e trazia água de uma nascente.
Pablo Recharte, uma das crianças que moravam em Machu Picchu, guiou Bingham em direção à “zona urbana” da cidadela inca coberta por ervas daninhas.
Aqui está uma foto de 1915 e 2020:



SAIL Amsterdam 2025 Begins

 SAIL Amsterdam 2025 Begins

🇳🇱✨
Today - 23rd august - marks the opening of SAIL 2025, the Netherlands’ iconic maritime festival held once every five years. The waters of the IJ in Amsterdam have transformed into a living seascape, where dozens of towering tall ships sail alongside modern naval vessels, luxury yachts, and traditional Dutch craft. It is one of the largest nautical parades in the world, drawing millions of visitors to the city’s waterfront.
Since its first edition in 1975, SAIL has become a cherished tradition celebrating both maritime heritage and innovation. Historic square-riggers, once used to transport goods and explorers across the globe, now sail proudly beside sleek high-tech ships, offering a breathtaking view of past and future converging on the same horizon.
Beyond the opening parade, the festival invites visitors to step aboard vessels, meet international crews, and enjoy cultural performances along the harbor. More than just a spectacle, SAIL is a reflection of the Netherlands’ enduring bond with the sea and a rare chance to see history in motion against the backdrop of Amsterdam’s skyline.



A complexidade de um polvo!

 Scientists have uncovered one of the most extraordinary abilities in nature: octopuses can edit up to 60% of their neural RNA in real time, essentially rewriting how their brains function. By doing this, they can create thousands of new proteins not directly coded in their DNA, allowing them to adapt memory, learning, and sensory perception within a single lifetime.

This may explain their famous problem-solving skills, tool use, and even their ability to recognize human faces. Unlike most animals that rely on slow genetic evolution, octopuses can reprogram themselves on demand, making them one of the most flexible and intelligent creatures on Earth.



A TEMPESTADE SEM FIM

 A TEMPESTADE SEM FIM: Um tipo de raio chamado Catatumbo ocorre apenas num lugar da Terra, durando de 140 a 160 noites por ano durante 10 horas por dia, mais de 280 raios por hora, e é considerado o maior gerador de ozónio do mundo.

Esses relâmpagos ocorrem na Venezuela e são despejados inteiramente no Lago Maracaibo. Os flashes persistentes são tão brilhantes que podem ser vistos até 250 milhas e, consequentemente, foram usados ​​durante séculos pelos navegadores do Caribe nos tempos coloniais, resultando no apelido de “Farol de Catatumbo”.
Por ano, ocorrem em média 297 tempestades elétricas, que proporcionam este espetáculo de luzes naturais. O número é da agência espacial americana, a Nasa, em parceira com a USP e as universidades de Maryland e Alabama (ambos nos EUA), que confirmaram que o lago de Maracaibo é a "capital" dos relâmpagos na Terra.



Vou ali à tasca e já venho!

 TABERNAS em Portugal

Curiosidades e Tradições
Originária do latim taberna, que significava "barraca" ou "loja", a palavra refere-se a um comércio simples, de baixa categoria, podendo também ser usada de forma figurada, para descrever uma casa desordenada ou imunda.
Em Portugal (onde eram, muitas vezes, designadas pejorativamente como "tascas"), a par dos cafés e das casas de pasto, as tabernas vingaram até os anos 1980, tanto nas áreas rurais, onde eram o centro por excelência da vida social das pequenas localidades, como nas urbanas.
- O COPO DE TRÊS:
Nas tabernas, era comum pedir um "copo de três". Este não era um copo com três bebidas diferentes, mas sim uma medida de vinho de cerca de três decilitros.
Popular entre trabalhadores e clientes habituais, o copo de três tornou-se um símbolo de camaradagem e resistência popular.
- O FADO VADIO:
Muitas tabernas de Lisboa e Coimbra, são palcos improvisados para fadistas não profissionais, conhecidos como fadistas vadios.
Quem tiver talento e coragem, sobe a uma cadeira com um copo na mão e solta a alma em forma de canção.
- AS SENHAS DE CORTESIA:
Em algumas tabernas do passado, os clientes habituais tinham direito a "senhas de cortesia".
Pequenos discos de madeira ou metal, que garantiam uma rodada extra, oferecida pelo dono da casa.
O TABERNEIRO, CONFIDENTE E PSICÓLOGO:
Quem está atrás do balcão, é muito mais do que um simples vendedor de bebidas, é amigo, ouvinte e até conselheiro.
Muitos desabafos são feitos entre um trago e outro, selados pelo olhar compreensivo de quem ouve de tudo um pouco.



O til (~) - uma espécie de “atalho”

 Já reparou como o til (~), esse pequeno sinal que parece insignificante, tem um poder enorme na nossa língua?

Ele nasceu no latim medieval como um sinal usado para indicar que havia uma letra a mais que não era escrita. Era uma espécie de “atalho”. Por exemplo:
A palavra latina manus (mão) era às vezes escrita como mãus, com o til a mostrar que faltava um “n”.
Com o tempo, esse símbolo passou a marcar a nasalização das vogais em português. É por isso que temos palavras como:
Mãe
Coração
Limões
O til, além de embelezar a palavra, muda completamente o som. Sem ele, a palavra já não seria a mesma. Imagina “pão” sem til: viraria “pao”, que perderia o som nasal e ficaria estranho.
Poucas línguas no mundo usam o til como o português. O espanhol, por exemplo, só o usa em uma letra: “ñ” (como em niño). Já o português foi além, fazendo dele uma marca característica da nossa identidade linguística.
É curioso perceber que um sinal tão pequeno pode carregar tanta história e tanta força. É como se o til fosse um lembrete de que, na língua, cada detalhe importa.



Um lobisomem!?

 Na povoação de Cambra de Baixo, em Vouzela (Viseu Dão Lafões), há uma caverna no meio de um bosque onde, rezam as lendas locais, nas noites de lua cheia se abrigava um ser monstruoso que aterrorizava a região: um lobisomem. Quando a noite se abatia sobre as aldeias, fechavam-se as janelas e trancavam-se as portas. Ouviam-se sons assustadores, uma espécie de cavalgada pesada que percorria as ruas, os caminhos e os terrenos. Ninguém ousava olhar lá para fora, só desejavam que o dia regressasse, sinal que tinham sobrevivido a mais uma madrugada de pavor. As histórias deste misterioso lobisomem passaram de geração em geração na região. Ninguém sabia quem ele era, mas havia quem desconfiasse de algumas famílias numerosas. Segundo a lenda, se o sétimo filho fosse um homem teria de se chamar Bento ou Custódio, de forma a ser protegido da maldição que nas noites de luar o transformava nessa criatura maligna, meio homem, meio lobo, que percorria a região em busca de vítimas para levar para o seu antro. Situada perto da margem do Rio do Couto, essa caverna tornou-se numa atração turística na região, onde se podem encontrar placas com a inscrição: “Cova do Lobisomem”.




domingo, 24 de agosto de 2025

Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção

 Detalhes… no reino mágico do Alentejo … Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção

"Uma vida gasta cometendo erros não é mais honrada, mas é mais útil do que uma vida gasta não fazendo nada." - George Bernard Shaw
Perspetiva desde os claustros da maior catedral medieval de Portugal, a Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida por Catedral de Évora ou Sé de Évora
A Sé de Évora é a maior Catedral medieval do país. A um primitivo templo construído entre 1186 e os primeiros anos do século XIII, sucedeu-se o grandioso monumento que hoje existe, resultado essencialmente de duas notáveis campanhas da Baixa Idade Média.
Sob o dinâmico impulso do bispo D. Durando Pais, aquela modesta igreja sagrada por D. Soeiro em 1204 foi demolida para dar lugar a uma ambiciosa Catedral, sem paralelo no restante panorama nacional. Os modelos inspiradores desta nova Sé foram amplamente estudados por Mário Tavares Chicó em meados do século passado e revelam a importância desta construção não apenas como ponto terminal do Românico e inicial do Gótico, mas, sobretudo, pela variedade de soluções de transição empregues.
A cabeceira derivava dos mais desenvolvidos planos mendicantes, sendo provavelmente muito semelhante à cabeceira do Convento de São Domingos de Elvas ambicioso plano de três naves com trifório sobre as naves laterais, transepto saliente e cabeceira bastante desenvolvida. Foram dois os modelos inspiradores desta campanha: por um lado, a adopção do mesmo esquema planimétrico ensaiado na Sé de Lisboa, aqui tratados de forma distinta, fruto da data tardia de construção (c.1280-1340). Esta circunstância, colocou o estaleiro eborense em contacto directo com as concepções góticas, então já em franca maturação no nosso país, pela extraordinária actividade das Ordens mendicantes.
O portal principal é já da década de 30 do século XIV, e constitui um dos mais impressionantes portais góticos portugueses, com um Apostolado em escultura de vulto da autoria de Mestre Pêro, o principal nome da escultura gótica trecentista no nosso país. A este mestre coimbrão deve-se igualmente o programa iconográfico do claustro, com os Evangelistas em estátuas-colunas de mármore em cada ângulo das alas do recinto, e a Capela do Fundador, espaço funerário do bispo D. Pedro, encomendador desta empreitada e que repousa num monumento com jacente. De um ponto de vista puramente arquitectónico, o claustro segue o mesmo esquema dos claustros dionisinos, designadamente o da Sé de Lisboa, com o qual mantém curiosas afinidades estruturais.
Durante a época moderna sucederam-se as campanhas decorativas. Do vastíssimo número de obras que poderíamos citar, realce para a Capela de Nossa Senhora da Piedade, ou do Esporão, construída em 1530, e que ostenta um portal tardo-manuelino de mármore e um retábulo maneirista com uma pintura alusiva ao Descimento da Cruz. O coro alto ocupa os dois primeiros tramos da nave central, e deve a sua construção à extensa campanha de obras levada a cabo pelo bispo D. Afonso de Portugal na primeira metade do século XVI. Aí se conserva o cadeiral maneirista encomendado pelo arcebispo D. Henrique, Cardeal e futuro monarca, em 1562.
A capela-mor actual resulta de uma renovação integral ocorrida no reinado de D. João V, que contou com o apoio do cabido da Sé. O projecto foi entregue a João Frederico Ludovice, que, num espaço que começou por ser românico, passou pelo gótico e pelo manuelino, concebeu uma ampla capela barroca, incorporando um retábulo rococó com mármores da zona de Estremoz, em que intervieram nomes tão importantes como os de Vieira Lusitano ou de Masucci.



A maternidade de um polvo

 A maternidade de um polvo é diferente de qualquer outro ser vivo.

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Após o acasalamento, a fêmea encontra um refúgio no fundo do mar e se estabelece ali.
Ela começa a pôr milhares de ovos entre 50 mil e 200 mil, dependendo da espécie que pendura cuidadosamente no teto do ninho, como pequenas pérolas suspensas.
Dedica-se inteiramente a eles: os mantém limpos, oxigenados e protegidos, soprando jatos de água sem cessar. Durante todo esse tempo, não abandona sua vigília abre mão da própria fome para garantir a vida que está por nascer.
Esse cuidado pode durar meses, e em algumas espécies, até anos. Quando finalmente os filhotes rompem as cápsulas e ganham o mar aberto, a mãe já está fraca, exausta e prestes a morrer.
Ela nunca verá seus descendentes crescerem. Seu corpo permanece no fundo, devolvido ao oceano, tornando-se parte da vida que ajudou a gerar.
É assim que a maternidade do polvo se revela: um ato extremo de amor e sacrifício, onde a mãe entrega tudo de si para que outros possam começar a viver.



a Festa de Santa Rosa de Lima

 Hoje a Igreja celebra a Festa de Santa Rosa de Lima, a primeira santa da América, padroeira do Peru, da América Latina, das Índias e Filipinas.

Isabel Flores y de Oliva nasceu em Lima, em 1586. Mesmo proveniente de uma família nobre de imigrantes espanhóis que se estabeleceram no Peru, não hesitou arregaçar as mangas quando os seus familiares se encontraram em dificuldade económica.
Desde a adolescência optou por seguir Jesus inscrevendo-se na Ordem Terciária Dominicana e tomando como modelo e guia espiritual Catarina de Sena. Dedicada ao cuidado dos pobres e aos trabalhos ordinários, impôs-se um regime de vida austero que se distinguia por uma extraordinária penitência.
Com 23 anos, fechou-se numa cela com apenas dois metros quadrados, construída pelo irmão no jardim de casa e da qual saía só para ir às funções religiosas. E era precisamente nesta angústia e voluntária prisão que transcorria a maior parte dos seus dias em contemplação, em intimidade com o seu Senhor. Como a Catarina de Sena, também a ela foi concedida a graça mística de participar fisicamente na paixão de Jesus.
Quando ainda era viva, Rosa foi examinada por uma Comissão mista de religiosos e cientistas, que julgou as suas experiências místicas como verdadeiros “dons da graça”; tanto é verdade que, quando ela morreu, pela enorme multidão que participou do seu enterro, já era considerada Santa.
Rosa faleceu no dia 23 de agosto de 1617 com apenas 32 anos após renovar seus votos religiosos, repetindo várias vezes: “Jesus, permanecei comigo!”.
A mensagem que continua a comunicar aos devotos que a invocam como protetora não só peruanos e do continente latino-americano, mas de todo o mundo, expressa-se numa das misteriosas mensagens que recebeu do Senhor. “Saibam que sem o peso das aflições não se alcança o vértice da graça; compreendam que quanto mais cresce a intensidade dos sofrimentos, tanto mais aumenta a medida dos carismas. Ninguém erre nem se engane; esta é a única verdadeira escada do paraíso, e sem a cruz não há outro caminho pelo qual subir ao céu”.



A árvore-baobá

 A árvore-baobá, popularmente conhecida como a “Árvore da Vida”, é nativa do continente africano, além de estar presente em algumas regiões da Austrália e de Madagascar, podendo viver durante milhares de anos. O seu nome científico, Adansonia digitata, foi atribuído em homenagem ao botânico francês Michel Adanson, que descreveu essa árvore extraordinária no século XVIII.




«Cresça onde eu não posso»

 No inverno mais cruel de 1943, quando o gueto de Lviv desmoronou sob a fome, doenças e terror das deportações, uma mãe tomou a decisão mais difícil que um ser humano pode imaginar. Ela não pensou em si mesma, mas na vida do seu filho.

Com o gueto prestes a ser aniquilado, um grupo de trabalhadores polacos do esgoto arriscava tudo para tirar clandestinamente crianças judeus através de túneis escuros e gelados. Naquela noite, a jovem mãe enrolou o seu bebé em um xaile gasto, colocou-o em um balde de metal e, com um último beijo na testa, entregou-o à escuridão. Enquanto o desciam para os esgotos, sussurrou com a serenidade de quem ama além de si mesma:
«Cresça onde eu não posso».
Ela não saiu do gueto. Nunca mais se soube o seu nome ou o seu túmulo. O seu destino perdeu-se no silêncio, como o de tantas mães anónimas que escolheram morrer para que os seus filhos vivessem.
A criança frágil e doente sobreviveu. Foi levado pelas entranhas da cidade e emergiu para a vida. Décadas depois, tornado-se um homem e com um futuro que só existia graças ao sacrifício da sua mãe, regressou a Lviv. Tinha uma rosa na mão. Parou em frente a uma velha tampa de esgoto enferrujada, perto do antigo gueto, depositou-a silenciosamente e murmurou:
"Aqui começou a minha vida".
Foi nesse lugar, na escuridão do subsolo, que a sua mãe entregou tudo o que tinha para lhe dar um destino. Em tempos onde o amor parecia impossível, ela transformou-o em um ato eterno.
Porque mesmo em Auschwitz, em Lviv, nos guetos e nas sombras do ódio, o amor de uma mãe brilhou mais forte que a morte.



Olisipo

 A cidade que hoje conhecemos como Lisboa já era chamada de Olisipo pelos romanos, muito antes de ser integrada oficialmente aos seus domínios.

O nome, na verdade, parece ter origem ainda mais antiga: os fenícios, quando chegaram à região, teriam batizado o lugar de Alis Ubbo, expressão que em sua língua significava algo como “porto seguro” ou “baía amena”.
Com o tempo, o espaço de influência fenícia passou para o controle de Cartago, que se tornou potência no Mediterrâneo e dominou boa parte do sul da Península Ibérica.
Esse domínio, porém, seria desafiado pelo poder emergente de Roma, nas célebres Guerras Púnicas. Foi nesse contexto que os romanos conquistaram a Península Ibérica, incluindo Olisipo, integrando-a de vez à sua esfera imperial.



Tristan da Cunha

 Tristan da Cunha: a ilha que desafia o mundo

No meio do Atlântico Sul, tão distante que o mapa parece brincar de esconde-esconde, existe Tristan da Cunha. Um pedacinho de terra cercado por milhares de quilômetros de água, tão isolado que chegar lá não é tarefa para qualquer embarcação. A ilha mais próxima, Santa Helena, está a mais de 2 mil quilômetros, e a África do Sul, quase cinco mil.
E, no entanto, pessoas vivem ali. Cerca de 250 almas compartilham o cotidiano dessa terra remota, mantendo tradições, cultivando alimentos e enfrentando o vento e o mar com uma resiliência que impressiona. A vida é simples, quase congelada no tempo: todos se conhecem, e cada notícia circula rapidamente entre os moradores. O isolamento moldou uma comunidade única, onde cada pessoa tem um papel, e cada desafio natural — de tempestades a erupções vulcânicas — se sente coletivo.
Tristan da Cunha é mais do que uma curiosidade geográfica. É um lembrete de como o ser humano consegue se adaptar, criar vínculos e construir uma sociedade mesmo nos cantos mais recônditos do planeta.