domingo, 24 de agosto de 2025

Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção

 Detalhes… no reino mágico do Alentejo … Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção

"Uma vida gasta cometendo erros não é mais honrada, mas é mais útil do que uma vida gasta não fazendo nada." - George Bernard Shaw
Perspetiva desde os claustros da maior catedral medieval de Portugal, a Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida por Catedral de Évora ou Sé de Évora
A Sé de Évora é a maior Catedral medieval do país. A um primitivo templo construído entre 1186 e os primeiros anos do século XIII, sucedeu-se o grandioso monumento que hoje existe, resultado essencialmente de duas notáveis campanhas da Baixa Idade Média.
Sob o dinâmico impulso do bispo D. Durando Pais, aquela modesta igreja sagrada por D. Soeiro em 1204 foi demolida para dar lugar a uma ambiciosa Catedral, sem paralelo no restante panorama nacional. Os modelos inspiradores desta nova Sé foram amplamente estudados por Mário Tavares Chicó em meados do século passado e revelam a importância desta construção não apenas como ponto terminal do Românico e inicial do Gótico, mas, sobretudo, pela variedade de soluções de transição empregues.
A cabeceira derivava dos mais desenvolvidos planos mendicantes, sendo provavelmente muito semelhante à cabeceira do Convento de São Domingos de Elvas ambicioso plano de três naves com trifório sobre as naves laterais, transepto saliente e cabeceira bastante desenvolvida. Foram dois os modelos inspiradores desta campanha: por um lado, a adopção do mesmo esquema planimétrico ensaiado na Sé de Lisboa, aqui tratados de forma distinta, fruto da data tardia de construção (c.1280-1340). Esta circunstância, colocou o estaleiro eborense em contacto directo com as concepções góticas, então já em franca maturação no nosso país, pela extraordinária actividade das Ordens mendicantes.
O portal principal é já da década de 30 do século XIV, e constitui um dos mais impressionantes portais góticos portugueses, com um Apostolado em escultura de vulto da autoria de Mestre Pêro, o principal nome da escultura gótica trecentista no nosso país. A este mestre coimbrão deve-se igualmente o programa iconográfico do claustro, com os Evangelistas em estátuas-colunas de mármore em cada ângulo das alas do recinto, e a Capela do Fundador, espaço funerário do bispo D. Pedro, encomendador desta empreitada e que repousa num monumento com jacente. De um ponto de vista puramente arquitectónico, o claustro segue o mesmo esquema dos claustros dionisinos, designadamente o da Sé de Lisboa, com o qual mantém curiosas afinidades estruturais.
Durante a época moderna sucederam-se as campanhas decorativas. Do vastíssimo número de obras que poderíamos citar, realce para a Capela de Nossa Senhora da Piedade, ou do Esporão, construída em 1530, e que ostenta um portal tardo-manuelino de mármore e um retábulo maneirista com uma pintura alusiva ao Descimento da Cruz. O coro alto ocupa os dois primeiros tramos da nave central, e deve a sua construção à extensa campanha de obras levada a cabo pelo bispo D. Afonso de Portugal na primeira metade do século XVI. Aí se conserva o cadeiral maneirista encomendado pelo arcebispo D. Henrique, Cardeal e futuro monarca, em 1562.
A capela-mor actual resulta de uma renovação integral ocorrida no reinado de D. João V, que contou com o apoio do cabido da Sé. O projecto foi entregue a João Frederico Ludovice, que, num espaço que começou por ser românico, passou pelo gótico e pelo manuelino, concebeu uma ampla capela barroca, incorporando um retábulo rococó com mármores da zona de Estremoz, em que intervieram nomes tão importantes como os de Vieira Lusitano ou de Masucci.



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