sábado, 9 de agosto de 2025

A invenção do betão

 Há dois mil anos, enquanto o mundo ainda tacteava na escuridão do desconhecido, os romanos já desciam às profundezas do mar – não por poesia ou superstição, mas por engenharia. Sem oxigénio, sem fatos de neoprene, sem Google. Apenas com tubos de junco, coragem e uma ideia fixa na mente: dominar a natureza.

Foram eles que inventaram o betão que endurece debaixo de água – um milagre que nem o cimento armado moderno consegue igualar. Com esse segredo, ergueram portos no fundo do mar, como o de Cesareia, encomendado por Herodes. Uma obra tão ousada que, ainda hoje, faria qualquer engenheiro suar em bica.
E os mergulhadores? Desciam com sinos de ar presos à cabeça. A trinta metros de profundidade, peito aberto, enfrentavam a pressão, a escuridão, o desconhecido. Procuravam destroços de naufrágios, construíam fundações, desafiavam Poseidon com as próprias mãos.
A Roma Antiga não era só togas, Senado, pão e circo. Era suor, cálculo, engenharia e um pacto com o impossível. E é isso que permanece de pé, dois milénios depois: não o império, mas o betão.



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