quinta-feira, 7 de agosto de 2025

PARIS, TEXAS de Wim Wenders

 Elegia sobre o amor perdido, o vazio e a esperança de reencontro, PARIS, TEXAS é o mais celebrado e icónico filme de Wim Wenders. Vencedor da Palma de Ouro, revela um retrato dos EUA na sua vertente mais íntima e melancólica. Um clássico que permanece vivo no coração de cada geração.

Pioneiro do Novo Cinema Alemão, Wenders leva o seu olhar singular ao Sudoeste americano com rara intensidade. O argumento, escrito pelo dramaturgo Sam Shepard, vencedor do Pulitzer, traz à vida Travis (um inesquecível Harry Dean Stanton, rosto talhado como paisagem), que regressa amnésico e quase mudo, em busca do filho pequeno, do irmão e da mulher desaparecida (Nastassja Kinski). Desta premissa simples nasce uma meditação poderosa sobre os códigos da masculinidade e os mitos da família e do sonho americanos, filmada entre o vazio dos desfiladeiros e o fulgor do néon.
Grande parte do filme passa-se na estrada, onde a paisagem se torna personagem. Robby Müller filma a vastidão árida do Texas e os céus imensos, em contraste com as luzes urbanas de Houston. Sobre essas imagens, a guitarra de Ry Cooder desliza como lamento crepuscular, dando ao filme a sua melancolia inconfundível.
Acima de tudo, PARIS, TEXAS é uma fábula moderna sobre a fragilidade humana, a força do amor altruísta e a esperança que persiste no escuro. Travis abdica da própria felicidade para abrir espaço ao recomeço dos que ama. É nessa última viagem solitária que o filme encontra a sua nota final de poesia… amarga e luminosa, como cicatriz que não desaparece.



Sem comentários:

Enviar um comentário