sábado, 23 de agosto de 2025

Malala Yousafzai

 The youngest Nobel Prize laureate ever, Malala Yousafzai, was only 17 years old at the time of the award.

She was born on 12 July 1997 in Pakistan and was named after an Afghan poet, Malalai of Maiwand. Her father ensured that she received proper schooling and educated her at his private school. He added her name to the family register and she was allowed to stay up late and debate politics. From a young age Malala dreamt about becoming a doctor.
Malala had a gift for public speaking and she began to speak up for girls’ rights to education. In 2009, Yousafzai started an anonymous blog for BBC Urdu. After her identity was revealed, the New York Times made a short film about her and her fight for education for all.
As Yousafzai became more known, a death threat was issued against her. In 2012, Malala was shot by a masked gunman on a school bus. He threatened to kill all students on the school bus if she didn’t identify herself. The gunman also shot two of Malala’s friends.
After intensive rehabilitation in the United Kingdom, she survived the attack. Fearlessly and with determination, Yousafzai kept fighting for girls’ right to education. Today, she is a role model for many young girls.
In 2014, Malala Yousafzai received the Nobel Peace Prize for her bravery and work to ensure girls’ rights to education.



Scaphismo

 Scaphismo: a tortura persa que transformou o corpo em prisão

Nem sempre a crueldade se manifestou com espadas ou fogo. Às vezes, a pior condenação era o tempo. Os persas conheciam bem esta arte do sofrimento, e aperfeiçoaram-na num método tão atroz que os gregos recordariam com horror séculos depois: o scaphismo.
A vítima estava imobilizada num barril ou entre duas canoas, deixando apenas a cabeça, braços e pernas expostas. Aí começava o verdadeiro pesadelo. As extremidades estavam cheias de mel e leite, atraindo enxames de insetos que se alimentavam e depositavam as suas larvas na pele viva.
Não bastava o tormento externo: obrigavam o condenado a ingerir grandes quantidades de leite e mel. O resultado era diarreia, e dentro do barril estreito os resíduos se acumulavam, criando uma lama pútrida que atraía ainda mais moscas e vermes. O próprio corpo se tornou alimento para o pequeno mundo dos insectos.
O sol era implacável. As feridas infectavam, a carne abria e os insectos faziam o que a espada não podia: devorar lentamente, de fora e de dentro. Para prolongar a agonia, os carrascos ofereciam água, garantindo que a vítima não morresse muito cedo.
O scaphismo não foi um castigo rápido nem limpo. Era um espetáculo de degradação. Uma execução que podia durar dias, até semanas, em que o condenado não tinha outra escolha senão olhar para o seu próprio corpo tornar-se presa daquilo que antes havia ignorado: os insetos.
Um método tão brutal que, mais do que punir, parecia projetado para apagar a própria humanidade.



O Amor

 Amar é viver sem relógio nem calendário.

É deixar que o coração decida o momento – aparecer porque a saudade chama, ligar porque a voz faz falta, enviar uma foto para partilhar o que encanta os olhos.
O amor é presença.
É partilha.
É juntar o melhor da vida com quem preenche a alma.
É acordar a sorrir porque temos alguém que nos faz feliz.
É dizer “bom dia” sabendo que podemos iluminar o dia de alguém.
Amar é querer ver um sorriso nascer por nossa causa.
É sentir o coração vibrar só porque existe quem o faça bater mais forte.
No fundo, amar é simples.
É amar com a alma.



Fotossíntese: O Motor da Vida

 Fotossíntese: O Motor da Vida

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A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas transformam a luz solar em energia para o seu crescimento. É um mecanismo essencial não apenas para as plantas, mas para a vida na Terra.
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Como funciona?
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As folhas absorvem dióxido de carbono (CO₂) do ar.
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As raízes absorvem água (H₂O) do solo.
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A luz solar ativa o processo dentro das folhas.
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Resultado: São produzidos açúcares (energia) que alimentam a planta e oxigênio (O₂), que é liberado no ambiente.
Graças à fotossíntese, os cultivos crescem, produzem frutos e geram o oxigênio que respiramos. Compreender esse processo é essencial para melhorar a produção agrícola e otimizar o manejo das plantas.

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O Juiz Mais Gentil do Mundo

 O Adeus ao Juiz Mais Gentil do Mundo

Frank Caprio, o famoso juiz de Providence, nos deixou aos 88 anos, após uma batalha contra o câncer do pâncreas. Conhecido mundialmente pelo programa Caught in Providence, ele mostrou que a Justiça podia ser feita com empatia, humor e humanidade. Muitos dos seus vídeos viralizaram nas redes.
Enquanto muitos viam apenas réus, Caprio enxergava pessoas — com histórias, dificuldades e esperanças. Foi assim que ganhou o título de “o juiz mais gentil do mundo”, conquistando milhões de corações com decisões que misturavam compaixão e sabedoria.
Rhode Island hasteou as suas bandeiras a meia-haste, em homenagem a esse homem que se tornou símbolo de bondade. O governador chamou-o de “um verdadeiro tesouro” — e foi isso mesmo que ele foi: um tesouro humano, lembrando ao mundo que Justiça também pode ser sinónimo de misericórdia.



Transformações no corpo da mulher durante a gravidez!

 Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por transformações profundas, mas a ciência vem mostrando que o cérebro também muda de forma significativa. Estudos de ressonância magnética revelam que o volume cerebral total diminui ao longo da gestação, chegando ao ponto mais baixo no momento do parto. Essa redução não representa uma perda de capacidade, mas sim uma reorganização das conexões neurais, um ajuste natural que parece preparar a mãe para perceber melhor as necessidades do bebé e criar laços afetivos mais fortes. Após o nascimento, parte desse volume retorna em cerca de seis meses, mas algumas alterações permanecem, deixando marcas duradouras no cérebro materno. Um estudo de caso acompanhou uma mulher durante quase três anos, desde antes da concepção até dois anos após o parto, e observou uma redução de aproximadamente 4% na substância cinzenta, principalmente em áreas ligadas à empatia e cognição social, enquanto a substância branca apresentou melhora temporária na comunicação entre regiões cerebrais durante a gravidez, voltando ao normal depois. Curiosamente, parte da redução da substância cinzenta permaneceu mesmo anos após o parto, sugerindo que certas adaptações são permanentes.





JÁ OUVIU FALAR DAS LINHAS DE NAZCA?

JÁ OUVIU FALAR DAS LINHAS DE NAZCA?

Localizadas em um deserto no centro-sul do Peru, continuam intrigando cientistas e visitantes, anos após sua criação. São mais de 140 formas que vão desde as já conhecidas, como macacos e cobras, até outras que surpreendem os cientistas, como a de uma figura humanoide com um bastão, cujo significado começará a ser estudado.
Acredita-se que os geoglifos encontrados foram criados entre os anos de 100 a.C. e 300 d.C. O início das atividades de aviação permitiram o descobrimento dessas formas enigmáticas, que só são visíveis de grandes alturas. Segundo os pesquisadores, todas as figuras foram criadas com a remoção de rochas negras que cobriam o terreno, expondo a areia embaixo. As condições áridas do terreno permitiram a sua conservação ao longo de séculos.
Ao todo, elas ocupam uma área aproximada de 517 quilómetros quadrados num deserto, e incluem centenas de geoglifos, criados pela civilização nazca.




Vivian Maier self-portraits

 Vivian Maier self-portraits

Vivian Maier (February 1, 1926 – April 21, 2009) was an American street photographer born in New York City. Although born in the U.S., it was in France that Maier spent most of her youth. Maier returned to the U.S. in 1951 where she took up work as a nanny and care-giver for the rest of her life. In her leisure however, Maier had begun to venture into the art of photography. Consistently taking photos over the course of five decades, she would ultimately leave over 100,000 negatives, most of them shot in Chicago and New York City. Vivian would further indulge in her passionate devotion to documenting the world around her through homemade films, recordings and collections, assembling one of the most fascinating windows into American life in the second half of the twentieth century.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

“Mothers and children will die.” The reason?

 “Mothers and children will die.” The reason? The wholesale slashing by Washington of U.S. humanitarian aid, until recently the single biggest source of development support for ordinary Afghans.

That support had been critical for the survival of health and other development projects in the country, flowing in via the U.N. and its partners. But, as of August this year, funding cuts have led to the suspension or closure of 422 health facilities in the country. The reductions include 21 family-health clinics in Daikundi. Officially known as Family Health Houses, the clinics provided care to women and children in areas where communities have no access to other health facilities.
Nationwide, more than 100 such clinics have closed as a result of the cuts. The impact in many cases has been devastating. In April, Ali Hassan rushed his pregnant wife Mariam to their local Family Health House in Taiko, when she complained of pain and believed she was close to giving birth. It was only after waiting for the midwife for several hours that they realized that the clinic had been closed. The midwife had been laid off.
Desperate for medical attention, they headed for a district hospital around five hours’ drive away. It was too far. Both Miriam, 38, and their child succumbed shortly after they reached the hospital. “There was a chance we could have saved both mother and child … or at least the mother [had the clinic been open],” Sediqa, a midwife at the district hospital, told TIME.



Uma ilha portuguesa que desapareceu

Uma ilha portuguesa que desapareceu dos mapas

Imagine uma ilha com extensos areais banhados por águas cristalinas, um refúgio natural no extremo sul de Portugal. Este lugar enigmático, conhecido como Ilha dos Cães, carrega uma história repleta de mistérios e transformações ao longo dos séculos.
Localizada no cabo de Santa Maria, ponto onde Portugal termina, a Ilha dos Cães aparece em mapas antigos, embora hoje a sua localização exata seja incerta. Acredita-se que se trate de uma das ilhas barreira que protegem a costa algarvia e os baixios da Ria Formosa, uma região de constante mudança devido às marés e ventos que moldam os bancos de areia e deslocam as barras que separam as ilhas.
Essa instabilidade natural levou ao desaparecimento das antigas estruturas defensivas que um dia ali existiram, como fortins que foram engolidos pelo terreno e pelo mar. Além disso, o devastador terramoto de 1755 e a onda gigante que se seguiu alteraram para sempre a geografia destas ilhas, como pode ler-se na VortexMag [1].
As primeiras referências à presença humana na Ilha dos Cães remontam a 1522, quando serviu como ponto de quarentena para viajantes suspeitos de portar peste bubônica. Conhecida também como Ilha dos Leprosos, era um lugar inóspito e sujeito não apenas à força da natureza, mas também às investidas de piratas.
No século 19, apesar das dificuldades, pescadores começaram a estabelecer-se ali, construindo cabanas e estruturas para a pesca, dando origem aos núcleos habitacionais que existem até hoje, como o de Culatra.
O nome “Ilha dos Cães” pode estar ligado aos fiéis cães de água que acompanhavam os pescadores, ajudando a capturar peixes e a proteger as embarcações. Estes cães, conhecidos pela sua inteligência, resistência e habilidade para nadar, também foram companheiros do rei D. Carlos em campanhas oceanográficas a bordo do D. Amélia.
Embora as cartas náuticas do século 19 tenham esquecido a existência da Ilha dos Cães, a raça do cão de água, considerada a mais rara do mundo nas décadas de 70 e 80, tem hoje recuperado seu prestígio, tornando-se um animal de companhia popular mundialmente.
A Ilha dos Cães permanece um símbolo da riqueza natural e histórica do Algarve, um lugar onde passado e presente se entrelaçam nas ondas e areias do sul português.

[1] Ilha dos Cães: a misteriosa ilha algarvia que despareceu do mapa:



Na Era vitoriana, as amantes morriam cedo.

 Era vitoriana, as amantes morriam cedo.

Naquela época, a maioria dos homens tinha uma amante e quando a esposa deles descobria isso, ela ficava completamente revoltada e fazia de tudo para proteger o casamento. Elas tinham três maneiras de se livrar da "cujo dita". A primeira era a mais traiçoeira. Ela se aproximavam da amante e virava amiga dela. Depois disso, preparavam um chá da tarde com vários doces e bolos repletos de veneno e a convidavam para tomar um chá na casa delas. Quando a amante comia o primeiro pedaço de bolo, já começava a passar mal e perdia a vida ali mesmo. A segunda maneira era espalhando "bilhardice" sobre a amante. Aos poucos elas iam destruindo a reputação dela e a amante perdia o emprego, os amigos e muitas vezes era expulsa de casa pela família. A terceira maneira exigia bastante dinheiro. Elas contratavam capangas para dar uma surra na amante quando não morria. A mulher ficava com muito medo.



Let the Earth handle it

 While snowstorms paralyze cities across the globe, Iceland quietly lets the Earth handle it.

Beneath the streets of Reykjavik lies a genius solution—geothermal pipes powered by volcanic heat that melt snow and ice on contact. No fuel. No salt. No plows. Just pure, sustainable energy keeping sidewalks, roads, and bike paths clear—even during the harshest blizzards.
Installed in the late ’90s and still expanding, this system proves you don’t need to fight nature—you can work with it. While other countries battle snow with chemicals and diesel, Iceland uses the planet’s own heat to protect its people and environment. It's not just smart—it’s the future of winter cities.



Jardins suspensos

 No topo de prédios e até mesmo de estacionamentos em cidades japonesas, um novo movimento está transformando concreto em vida. Espaços antes esquecidos agora dão lugar a jardins suspensos, que refrescam o ar, melhoram a paisagem urbana e criam pequenos refúgios verdes em meio ao ritmo acelerado das metrópoles.

Além de embelezar a cidade, esses telhados verdes ajudam a reduzir o calor, absorver a água da chuva, melhorar a qualidade do ar e ainda servem de abrigo para abelhas e borboletas. Para os moradores, representam algo ainda mais valioso: a chance de respirar fundo e se reconectar com a natureza sem sair do coração urbano.



Ruby Crane - uma luz para muitos!

 No rastro sombrio deixado pela Primeira Guerra Mundial, quando multidões de soldados regressavam com cicatrizes que os olhos viam e feridas que a alma escondia, um episódio inesperado iluminou os jardins de St Dunstans, em Brighton.

Ali, onde homens cegos reaprendiam a viver sem a visão, surgiu uma guia improvável: Ruby Crane, uma menina de apenas três anos. Com a sua mão minúscula, conduzia aqueles gigantes privados da luz, perguntando-lhes para onde desejavam ir e levando-os com a naturalidade de quem não enxerga fragilidade nem força, apenas humanidade.
Os veteranos, acostumados ao silêncio da escuridão, encontravam no riso e na voz cristalina de Ruby um alívio inesperado: a ternura que devolvia cor aos seus dias. A comoção espalhou-se por toda a Inglaterra, e de todos os cantos lhe chegavam bonecas e brinquedos, enviados por estranhos que agradeciam o incalculável — a sensação de serem vistos de um modo diferente.
Ruby guardou para sempre essa memória: “Minha mão era tão pequena dentro das delas… estavam tão felizes por uma criança vir falar com eles.” A sua imagem marcou a capa do primeiro relatório anual de St Dunstans e inspirou emblemas solidários do Dia da Bandeira.
Viveu quase um século, até 2011, levando consigo a lição mais profunda: que, mesmo nas trevas mais densas, a luz mais duradoura pode nascer do gesto inocente de uma criança.



 Na Amazónia, as árvores são essenciais para a criação dos “rios voadores”, que são grandes fluxos de vapor de água na atmosfera. Eles originam-se pela evapotranspiração da floresta, onde as árvores liberam vapor através de suas folhas. Esse vapor se mistura com a humidade do oceano Atlântico e é levado pelos ventos alísios em direção aos Andes e a outras regiões, influenciando o clima e o ciclo da água.

Os rios voadores transportam mais água do que o próprio rio Amazonas e exercem um grande impacto nas chuvas e no clima da América do Sul, sendo vitais para a Amazónia, para a agricultura ao redor e para a vida de muitas pessoas na região.



𝔹𝕖𝕓𝕖𝕣 𝕍𝕚𝕟𝕙𝕠 à 𝕄𝕒𝕟𝕘𝕦𝕖𝕚𝕣𝕒𝕕𝕒

 𝔹𝕖𝕓𝕖𝕣 𝕍𝕚𝕟𝕙𝕠 à 𝕄𝕒𝕟𝕘𝕦𝕖𝕚𝕣𝕒𝕕𝕒

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Uma Tradição de Outros Tempos
Nas primeiras décadas do século XX, ainda era comum em Lobão da Beira e noutros pontos da região a prática de “beber vinho à mangueirada”.
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Esta curiosa tradição consistia em beber o vinho – quase sempre tinto – diretamente do pipo através de uma mangueira fina (7/8), de um só fôlego. O preço era acessível: o equivalente a meio quartilho.
Em Lobão da Beira, várias tabernas mantinham este costume, que reunia amigos e curiosos. Já na sede do concelho, Tondela, um dos últimos estabelecimentos a oferecer este método situava-se em frente aos CTT e pertencia à família Sales, resistindo até às décadas de 1950/60.
Hoje, a prática caiu em desuso, mas fica a memória viva desta tradição que marcou o quotidiano das nossas gentes.





Mary Ellen Wilson

Espancada. Faminta. Humilhada. Assim foram os primeiros dez anos de vida de Mary Ellen Wilson, nascida em março de 1864, em Nova Iorque. O pai morreu quando ela ainda era um bebé. A mãe, sem meios para sustentá-la, entregou-a aos cuidados de Mary e Francis Connolly — um casal que parecia respeitável, mas que atrás das paredes da sua casa escondia apenas crueldade. Não havia proteção, nem afeto. Apenas fome, castigos e solidão. Mary Ellen não viveu uma infância, sobreviveu a um cativeiro diário, tratada como escrava dentro do lar que deveria abrigá-la.
O silêncio teria enterrado sua dor para sempre, não fosse a atenção de Etta Angell Wheeler, uma voluntária que caminhava pelas vielas daquele bairro. Foi ela quem reparou na menina de olhar apagado, no corpo magro demais para a idade, nas marcas profundas que não deixavam dúvidas: aquela criança estava sendo destruída. Mas havia um problema ainda maior: na época, não existiam leis que protegessem as crianças. Eram invisíveis aos olhos da justiça.
Então, surgiu o improvável. Wheeler recorreu à Sociedade Americana de Prevenção da Crueldade contra os Animais. Se até os animais tinham direito a proteção, por que não as crianças? Henry Bergh, presidente da instituição, ficou profundamente abalado com o relato e decidiu agir. Com um advogado ao seu lado, conseguiu um mandado e arrancou Mary Ellen das garras do inferno em que vivia.
A cena do resgate foi devastadora: subnutrida, coberta de cicatrizes, com um medo tão profundo que falava mais do que qualquer palavra. Ao vê-la, a sociedade acordou para uma verdade que parecia óbvia, mas até então ignorada: as crianças também podiam ser vítimas de violência.
No tribunal, o que abalou a opinião pública não foram apenas os indícios físicos, mas a própria voz da menina. Com apenas dez anos, Mary Ellen contou entre lágrimas como era chicoteada, deixada sem comida por dias, obrigada a dormir num armário escuro. O seu testemunho ecoou como um grito que atravessou consciências e abriu feridas numa sociedade acostumada a calar. Mary Connolly foi condenada. A pena pode ter parecido leve, mas o precedente foi imenso: pela primeira vez, os maus-tratos contra uma criança foram reconhecidos e punidos em tribunal.
Daquele caso nasceu a primeira organização do mundo dedicada à defesa da infância: a Sociedade de Nova Iorque para a Prevenção da Crueldade Infantil (NYSPCC). O sofrimento de Mary Ellen plantou a semente de uma nova era — a infância deixava de ser invisível e passava a ser um direito a ser protegido.
E Mary Ellen? Após o julgamento, encontrou abrigo na casa da avó e, mais tarde, foi adotada por uma família que lhe ofereceu aquilo que jamais conhecera: segurança e carinho. Pela primeira vez, frequentou a escola, cresceu em paz e pôde reconstruir os pedaços da vida que lhe tinham sido arrancados. Tornou-se esposa de Lewis Schutt, mãe de quatro filhos e dedicou-se a lhes dar aquilo que lhe fora negado: um lar cheio de amor.

De criança silenciada, Mary Ellen transformou-se em símbolo. A sua dor não foi inútil — foi a força que despertou o mundo para uma verdade inegociável: a infância merece ser protegida. 




𝐀 𝐏𝐫𝐨𝐟𝐢𝐬𝐬ã𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐨𝐜𝐡𝐞𝐢𝐫𝐨

 𝐀 𝐏𝐫𝐨𝐟𝐢𝐬𝐬ã𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐨𝐜𝐡𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐞𝐦 𝐋𝐨𝐛ã𝐨 𝐝𝐚 𝐁𝐞𝐢𝐫𝐚 – 𝐌𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐎𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐓𝐞𝐦𝐩𝐨𝐬

🚃🐴
Em tempos idos, quando a vida rural e senhorial ditava o ritmo da aldeia, a profissão de cocheiro ocupava um lugar de grande prestígio em Lobão da Beira, sobretudo ao serviço das casas mais ricas e influentes da região. Entre elas, destacavam-se a Casa da Viscondessa, a Casa dos Abranches, a Casa do Coronel Gonçalves, a Casa do Casal, a Casa dos Gouveia, a Casa dos Pina Cabral, a Casa dos Perestrelo, entre outras famílias abastadas que marcavam a vida social e económica da aldeia.
O cocheiro não era apenas o homem que conduzia o coche (ou carruagem). Era um verdadeiro guardião dos cavalos e do veículo que transportava os seus patrões. O seu papel exigia confiança, responsabilidade e grande dedicação.
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Os cavalos eram tratados com enorme zelo: escovados diariamente, bem alimentados e cuidadosamente preparados antes de cada viagem. O brilho da pelagem e a força do animal eram motivo de orgulho para o cocheiro e sinal de distinção para a família que servia.
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Os coches ou carruagens, por sua vez, variavam desde os mais simples, de uso diário, até aos mais imponentes, destinados a cerimónias e eventos sociais. Eram cuidadosamente limpos e enfeitados, refletindo a posição social dos proprietários.
Mais do que uma função prática, a profissão de cocheiro tinha também uma dimensão simbólica: era o elo entre a nobreza ou famílias endinheiradas (burguesia) e o povo, e um dos rostos mais visíveis da riqueza e do prestígio de cada casa. O cocheiro conhecia os caminhos, os segredos da estrada, e muitas vezes era também confidente e homem de confiança dos seus patrões.
Com a chegada do automóvel, esta profissão foi desaparecendo, ficando apenas na memória coletiva e nos relatos dos mais velhos, como uma das marcas da transição entre a vida tradicional e a modernidade.
Hoje, recordar os cocheiros de Lobão da Beira é também valorizar a história da nossa aldeia e as profissões que ajudaram a moldar o seu passado.
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Nota: Ainda existem pessoas vivas em Lobão da Beira que se recordam destes veículos a circular pelas ruas da aldeia.