segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Artigo do Jornal The Guardian 18-02-2025 " As crianças e as novas tecnologias"




Children are starting school unable to sit up or hold a pencil – and I know the culprit

Kathryn Peckham

 

As an early years specialist, I’ve seen the drastic impact of screens replacing physical activity and face-to-face interaction

 

Tue 18 Feb 2025 14.02 GMT

As an early year’s education specialist, over the past decade I have seen children enter classrooms with fewer and fewer of the skills needed to begin their formal education. The key culprit, in my opinion? Screen time.

On a child’s first day at school, it’s normal to expect a few nerves. But they should be able to move around confidently, pick up stationery, make new friends, build a relationship with their teacher and start to feel part of a wider community. Instead, a recent survey reported that some children in England and Wales are unable to sit up or hold a pencil. I have seen kids racked with separation anxiety and unable to form bonds. Upset and confused, they miss instructions and hold back or lash out. To a busy teacher this looks like a lack of ability, or a disruptive child to be managed. Children are simply being set up to fail.

For a while, it seemed as if the pandemic might have been the culprit for delayed development. Lockdowns undeniably had an impact on the development of children raised during that period as they were unable to play outside and interact with others, but five years on, it would seem that this was a short-term issue masking a much longer-term trend.

Lockdowns compounded habits that had already begun with the introduction of the first touch-screen phones. More and more parents relied on smartphones to work, organise their lives, shop, and keep in touch with friends and family. Burnt-out and distracted, they spent less time actively parenting. In turn, they handed their kids a device to keep them entertained. The result has been children growing up with less physical activity and face-to-face social interaction.

Imagine spending a year immobilised in a cast – your muscles would weaken and your movements would become awkward. Now, think about children missing foundational years of muscle development, when practice should be natural and constant, because, instead of moving, children have been incentivised to sit quietly with a device.

Children need opportunities to run, play, climb and explore. They need obstacles to move their bodies around, tunnels to crawl through, beams to balance over, and hula hoops to jump between. Every muscle and joint should be used as they develop balance and posture. This helps to forge the deep brain-body connections required for coordination and spatial awareness.

Cognitively, children are struggling because they are not having quality interactive time with their caregivers. A cohort study of Australian children aged 12 to 36 months found a negative association between screen time and parent-child talk. With fewer adult words spoken, there was a reduction in child vocalisations and the back-and-forth conversations crucial for language development and social skills. Devices are also having a behavioural impact, with studies showing a link between excessive screen time and emotional reactivity, aggression and externalising behaviours in children.

Even more worryingly, these outcomes are not being distributed equally among children; they affect those who already face significant disadvantages due to economic and racial inequality. Research revealed that Dutch children from lower socioeconomic backgrounds tend to have higher screen time and a study from the US examining sociodemographic factors found that Black children reported higher levels of various screen time activities compared with their peers. Interestingly, the researchers behind the US study made an association between limited access to safe recreational spaces and increased screen time. Our environments shape us, and it is clear that children need access to safe play spaces where they can experience socially interactive and physical play.

Some children are simply more vulnerable when starting school than others. Rather than a one-size-fits-all approach, children and families, especially those with other disadvantages, would benefit from targeted parenting programmes and support. The main lesson I would give to parents is this: when screen time is used it should be interactive, with engaging discussions about the content to enhance learning and connect on-screen lessons to real-life situations, promoting a child’s cognitive and social development. We cannot turn back the tide of technology, but we can use it more mindfully.

  • Kathryn Peckham is an early childhood consultant, researcher, author and founder of Nurturing Childhoods

 

A morte do Amor

 

“Em que momento morre o amor? Às vezes o amor nasce de um olhar, de uma palavra, de um gesto. Mas eu tenho a impressão de que ele morre muitas vezes. Ele tem mortes súbitas, imperceptíveis. Adeuses que não sabemos que damos. Dias cinzas de chuva que não nos aproximamos. Ou de uma presença que nos foi negada quando mais precisávamos nos aninhar no peito do outro, ou ganhar um abraço em silêncio. Mas talvez o amor morra, morra mesmo, quando os olhos se desencontram, as mãos se desenlaçam, e há um não sei quê de falta. São caminhos que não se cruzam e não flui a alegria do encontro de dois sorrisos. Um beijo que não mais encaixa, um corpo que se torna estrangeiro, uma frase pela metade. Mas, sobretudo o amor morre mesmo é de ausências.”

Ivana Dzakula
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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Quando precisam de ti!

 Quando eu era criança, meu avô me disse:

"Nunca empreste seu guarda-chuva a alguém que só se lembra de você quando chove".
Naquele momento eu não entendi.
Achei uma frase bonita, nada mais.
Mas eu cresci, e a vida me ensinou o seu significado da pior forma.
Aprendi que tem pessoas que só aparecem quando precisam de algo, que te procuram quando o seu mundo desmorona,
mas quando o sol brilha,
Eles nem sequer se lembram do teu nome.
Agora, quando alguém se aproxima sob a tempestade,
Pergunto-me se amanhã, quando o sol nascer,
continuarei existindo para ele / ela.
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Os livros de fevereiro 2025

 

                     Os livros mais importantes do mês de fevereiro de 2025


 

Este será um artigo mensal em que faço uma análise do que melhor li / estou a ler durante o mês em curso.

Começo por um livro da escritora Argentina Ariana Harwicz – Trilogia da Paixão, editado pela Elsinore. Este livro reúne num único volume os três primeiros romances da escritora (Mata-me, Amor; A Atrasada Mental; Precoce) que compõem, segundo a autora, uma trilogia involuntária sobre a maternidade e os seus tabus. A sua escrita é única e explosiva em que o prazer do paradoxo, da transgressão e da imoralidade flui livremente numa linguagem poderosa e poética.

Ela, a heroína sem nome, na primeira pessoa, um violento turbilhão de paixões, duelos, medos e obsessões que a perseguem em casa, no hospital, no bosque, na estrada. Ela e a febril sensação de estar presa a um papel que não foi da sua inteira escolha, a uma realidade doméstica e familiar que a destrói e da qual anseia fugir. Sempre ela no limite alucinante do amor, da sanidade e da vida. *****

 

O segundo livro que sugiro ainda não está editado em Português, a previsão é maio ou junho de 2025. Percival EverettJames, editado pela Mantle. Comprei-o na Leya do Funchal. Uma preciosidade. Lembram-se das Aventuras de Huckleberry Finn e do Tom Sayer? James dá-nos a visão do escravo Jim / James. Na altura em que foi escrito Jim / James era uma personagem secundária, agora é a personagem principal. Inesquecível, cheio de emoção, belo e brutal, uma tragédia e uma farsa, este romance reescreve um romance brilhante e dá-nos a conhecer uma voz, a de James / Jim que foi suprimida aquando do romance original. Percival Everett já tinha publicado outro excelente romance, As Árvores. Esteve na Shortlist do famoso, The Booker Prize 2024. *****

 

O terceiro livro que recomendo é um excelente ensaio que nos faz refletir sobre o nosso papel numa sociedade cada vez mais exigente, dominada pela tecnologia.

O Guia para Não Fazer Nada da escritora / ensaísta Jenny Odell e publicado pela Casa das Letras. Jenny Odell oferece uma alternativa a um ambiente dominado pela tecnologia viciante, desenhada para monopolizar a nossa atenção e maximizar a produtividade, um ambiente que parece ser impossível escapar. Como podemos recuperar as nossas vidas? Para ela, a nossa atenção é um recurso essencial, desperdiçado quando subordinado às prioridades capitalistas. O seu guia convida-nos a escolher como utilizar a nossa atenção de modo intencional e transformador, propondo a redescoberta da nossa conexão com o mundo natural e social. A sua leitura faz-nos pensar / refletir sobre o nosso lugar na sociedade digital. *****

 


O quarto livro será editado em Portugal a 06 de março de 2025. Orbital de Samantha Harvey foi o vencedor do The Booker Prize 2024 o mais conceituado prémio literário em língua inglesa. A vida no planeta Terra contada pela primeira vez pelas vozes de seis astronautas na sua nave espacial em orbita. Estão lá para recolher informações meteorológicas e levar a cabo experiências científicas. No entanto, estão confinados a um espaço exíguo, separados da Terra, o seu mundo. Chegam notícias da morte da mãe de um deles e a partir daqui somos testemunhas de pensamentos e desejos de regresso a casa. Tão longe do planeta, contudo nunca se sentiram tão ligados a ele. O que seria a vida sem a Terra, e a Terra sem a humanidade? *****

 

O último livro que vos sugiro chama-se Contos Sombrios da escritora Shirley Jackson. Volume póstumo, Contos Sombrios reúne as dezassete histórias mais perturbadoras de Shirley Jackson, incluindo a Possibilidade do Mal, a que foi atribuído o Edgar Allan Poe Award em 1966. Considerada mestre do gótico literário e do suspense psicológico, a autora norte-americana retrata de uma forma exímia a crueldade do quotidiano e a ambiguidade humana, num mundo onde a loucura e o terror estão à espreita. Aconselho-vos a começar a coletânea pelo conto O Aprendiz de Feiticeiro, um clássico à Poe. *****

Quando quiseres!

 “Liga-me quando quiseres, quando sentires vontade, mas não como quem carrega a obrigação de fazê-lo. Não seria justo nem para ti, nem para mim.

Às vezes imagino como seria maravilhoso receber a tua ligação sem motivo aparente, apenas porque sim, como quem sente sede e busca um copo de água. Um gesto simples, natural, despretensioso.
Mas sei que esperar isso seria exigir o impossível. Comigo, nunca precisarás de fingir uma sede que não sentes. Nunca precisarás de inventar um desejo que não existe.”
(José Saramago)
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