João de Gouveia - poeta e aviador madeirense
João de Gouveia, nasceu no Funchal, na freguesia de São Pedro, a 8 de fevereiro de 1880, filho do militar José Maria Pina de Gouveia e de D. Elisa Matilde Camacho de Gouveia. Estava também ligado ao meio artístico da Região, sendo sobrinho do fotógrafo João Francisco Camacho — irmão de sua mãe e proprietário do atelier “Photographia Camacho”.
Publicou as obras poéticas “Breviário” (Funchal, 1900) e “Atlante – Sonetos” (Lisboa, 1903), obras que suscitaram, mais tarde, a atenção crítica de escritores contemporâneos, como João Cabral do Nascimento ou Pedro de Moura e Sá. Em 1904, a Revista Literária, Científica e Artística de “O Século” publicou o conto “À borda d’água (Paisagens da Ilha)” de João Gouveia. Em 1908, edita um pequeno volume dedicado ao espiritismo experimental intitulado “Almas do outro mundo: experiências psychicas firmadas por sábios eminentes”. João de Gouveia foi também autor de duas peças teatrais: “Engano d’ Alma”, um drama em um ato, escrito em 1904, e “Mar de Lágrimas”, composto por três atos e desenvolvido em parceria com o seu conterrâneo Jorge Santos. Ambas as obras foram representadas no Teatro Nacional, respetivamente em 1904 e 1908. Colaborou ainda na imprensa regional com o pseudónimo “João Zarco”.
A partir de 1907, João de Gouveia passa a dedicar-se de forma mais intensa à aeronáutica, nomeadamente à construção de modelos voadores à escala reduzida, com o propósito de estudar os princípios de voo e estabilidade. Apesar do insucesso técnico, João de Gouveia é hoje reconhecido como um pioneiro da aviação em Portugal, antecipando iniciativas semelhantes levadas a cabo por estrangeiros como Mamet e Ziptel (1909), e por portugueses como Gomes da Silva, em Paris.
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