sábado, 13 de setembro de 2025

O cedo se fez tarde, e o tarde se fez nunca - Oliver Harden

 O cedo se fez tarde, e o tarde se fez nunca. Essa sentença é quase um epitáfio da experiência humana diante do tempo. O que julgamos antecipar, o que acreditamos segurar nas mãos como promessa de eternidade, dissolve-se como areia entre os dedos. O cedo, que parecia oportunidade, se retrai em atraso, e o atraso, quando carregado por demais, transmuta-se em nunca, esse silêncio definitivo do que não aconteceu.

O “para sempre” não raro carrega dentro de si a semente da sua própria contradição. Dizemos “para sempre” como se estivéssemos plantando um carvalho no solo firme da eternidade, mas na verdade muitas vezes estamos apenas desenhando palavras na espuma da maré. O para sempre é, quase sempre, uma hipérbole do desejo, uma máscara da finitude, um recurso da alma para encobrir a fragilidade do instante. Assim, o para sempre torna-se o nunca, não porque o amor, o sonho ou a esperança não tenham existido, mas porque se perderam no labirinto da impermanência.
A vida é uma sucessão de instantes que se devoram, um teatro onde os atos não se repetem. Talvez a única eternidade possível esteja no instante bem vivido, na chama breve que arde e ilumina, sem a arrogância de querer durar. O cedo, o tarde e o nunca são apenas gradações da mesma vertigem: a de que nada permanece, e de que tudo o que prometemos às vezes não passa de um eco que se dissolve no ar.
Assim, o para sempre que prometemos aos outros, e até a nós mesmos, é menos uma certeza do futuro do que uma súplica contra o vazio. Talvez a sabedoria consista em não buscar o para sempre, mas o agora, esse único território onde o nunca ainda não chegou e o cedo ainda é possível.

Oliver Harden



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