Ricardo Reis, "o heterónimo das odes clássicas", faz hoje, 19 de Setembro de 2025, 138 anos. Na célebre carta da origem dos heterónimos', escrita a Adolfo Casais Monteiro a 13 de Janeiro de 1935, Fernando Pessoa refere que Ricardo Reis nasceu em 1887 (embora não se recorde do dia e mês), no Porto. O assunto da data virá a ser clarificado pelo mapa astral que aqui se reproduz.
Pessoa descreve Reis como sendo um pouco mais baixo, mais forte e seco que Caeiro, com cara rapada. Adiciona que este seu heterónimo fora educado num colégio de jesuítas, era médico e vivia no Brasil, desde 1919, para onde se tinha exilado, por ser monárquico. Tinha formação latinista e semi-helenista. Fernando Pessoa atribui a este heterónimo um purismo que considera exagerado e refere que escreve em nome de Ricardo Reis, «depois de uma deliberação abstracta, que subitamente se concretiza numa ode».
No Colóquio Athena 100, a 21 de Novembro de 2024, na Casa Fernando Pessoa, Nuno Ribeiro foi o primeiro investigador a identificar, em décadas de estudos pessoanos, que a primeira publicação do heterónimo Ricardo Reis NÃO ACONTECEU em 1924, no nº 1 da revista Athena (Lisboa, Out. 1924), como até ao ano passado sempre foi referido.
Com efeito, o investigador identificou e estabeleceu que o primeiro poema de Ricardo Reis, em forma impressa, viu a luz do dia um ano antes, em 1923, no livro de António Botto “Motivos de Belleza” (Portvgalia Livraria - Editora. Lisboa). Há muito que se conhecia e citava a introdução/prefácio que Fernando Pessoa escreveu para este livro do seu amigo, mas a inclusão do poema de Ricardo Reis na obra sempre esteve de fora dos artigos e compêndios pessoanos.
Mais curiosas ainda, são as diferenças de algumas palavras na ode “As rosas amo dos jardins de Adónis”, também mencionadas por Nuno Ribeiro, o que nos deixa perceber que Fernando Pessoa ainda retrabalhou o poema, entre o deixá-lo incluir isolado no livro de Botto, em 1923; e publicá-lo como segunda das 20 odes do “Livro Primeiro” de Ricardo Reis que surgem na revista Athena de 1924. Onde Fernando Pessoa opta, como referiu Nuno Ribeiro, “por um estilo mais arcaizante”.
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