Assim iniciou as medições da profundidade do mar...
No início do século XVI, o mundo era um mapa incompleto, cheio de espaços em branco e oceanos que pareciam infinitos. Foi nesse cenário que surgiu Fernão de Magalhães, o navegador português que ousou provar que a Terra podia ser contornada e que o mar, por mais vasto que fosse, tinha um fundo que o homem podia tentar medir.
Durante sua lendária expedição de 1519, Magalhães e sua frota enfrentaram mares desconhecidos, tempestades, calmarias e o frio cortante das terras austrais. Ao atravessar o estreito que mais tarde levaria seu nome, o Estreito de Magalhães, o comandante sabia que um erro de cálculo poderia significar o fim. Para sobreviver, precisava entender a profundidade das águas que navegava.
Foi então que se serviu de um antigo método náutico: lançar pesos de ferro ou bolas de canhão presas a longas cordas, marcadas em braças (cerca de 1,8 metro cada). Assim, os marinheiros mediam o quanto o peso demorava a tocar o fundo, estimando a profundidade do mar.
Esse método era rudimentar, mas representava o que havia de mais avançado em navegação empírica.
Algumas vezes, ao içar o peso de volta, ele vinha coberto de lama, areia grossa ou fragmentos de conchas, pistas sobre o tipo de solo submerso. Essas pequenas amostras ajudavam Magalhães a interpretar o comportamento das correntes, identificar regiões rasas ou perigosas e decidir por onde seguir.
Era uma ciência feita com as mãos, com o tato, com o olhar atento de quem lia o oceano como um livro sem letras.
Em sua travessia, Magalhães foi o primeiro europeu a cruzar o Pacífico, um mar que ele batizou de “Mar Pacífico”, por suas águas aparentemente calmas após meses de tormentas. E, mesmo sem saber, a sua busca prática por segurança nas rotas marítimas foi o embrião da oceanografia moderna.
Os primeiros a medir a profundidade com pesos, como Magalhães, foram os precursores dos grandes exploradores científicos que, séculos depois, desvendariam as fossas e montanhas do fundo do mar com cabos, ecos e sonares.
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