Viajar de comboio é uma lição de humildade. Entramos com a ilusão de saber para onde vamos, mas o movimento depressa nos desmente. As estações passam como capítulos mal pontuados: umas deixam marcas, outras são apenas nomes que não voltamos a pronunciar. E tu, sentado à janela, percebes que o vidro é um espelho disfarçado. O que vês lá fora é o reflexo do que deixaste para trás , pessoas, pressas, planos que o tempo arquivou.
O comboio tem essa honestidade que a vida raramente concede: não espera por ninguém, mas também não julga quem chega atrasado. Vai. Sempre. E tu, que o acompanhas, aprendes a medir o tempo pela cadência das rodas e não pelos relógios. Há uma espécie de sabedoria nesse andamento constante , o reconhecimento de que tudo o que é verdadeiramente importante acontece entre uma paragem e outra.
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