A devastação das incursões nórdicas na Espanha Islâmica é bem conhecida. No entanto, o que poucos sabem é que a expedição viking foi para além de al-Andalus, chegando ao continente africano e levando terror ao Emirado de Necor, na costa do Magrebe.
O ataque ao potentado mouro africano foi registrado em fontes cristãs e islâmicas. No relato do historiador andalusino al-Bakri (1040–1094), lemos:
“Os vikings – que Allah os amaldiçoe – passaram por Necor no ano 244 (858–859 d.C.). Eles tomaram a cidade, saquearam-na e levaram seus habitantes como escravos, exceto aqueles que se salvaram pela fuga. Entre os seus prisioneiros estavam Ama al-Raḥmān e Khanūla, filhas de Wakif ibn-Mu'tasim ibn-Ṣāliḥ. [O emir] Muḥammed (de Córdoba) as resgatou. Os vikings ficaram oito dias em Necor.“
Os muçulmanos subsaarianos levados pelos vikings, que ficaram conhecidos como "homens azuis'' por sua cor negra, foram levados à Bretanha e Irlanda, onde formaram uma comunidade distinta dentre as pessoas escravizadas pelos nórdicos. Os seus ossos foram, inclusive, encontrados em recentes escavações arqueológicas realizadas nas últimas décadas.
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