sábado, 8 de março de 2025

Conta-me tudo - Elizabeth Strout

 

★★★★

CONTA-ME TUDO

Elizabeth Strout

Alfaguara, 2025, trad. de Tânia Ganho, 384 págs., €19,95

Romance

“Conta-me Tudo”, de Elizabeth Strout, cruza as duas grandes personagens da autora num romance próximo de um policial

A obra de Strout configura-se sobretudo em torno de duas personagens icónicas: Lucy Barton e Olive Kitteridge (vencedor do Pulitzer e adaptado a minissérie). Em torno destas protagonistas, de personalidades bastante díspares, compõem-se assim os seus romances, que podem ser lidos em série ou autonomamente, pois a autora cria obras únicas, que nada perdem lidas fora de sequência ou de forma isolada. É outono na vila de Crosby, no Maine.



Também outonais são as vidas de Olive, quase com 90 anos, e Lucy, agora reconciliada com o ex-marido. Ambas, cada uma sozinha à sua maneira, enfrentam o declínio da velhice e da solidão. Mas contradizem esse ocaso com a vivacidade com que partilham memórias e impressões sobre vidas enganosamente comuns das pessoas que as rodeiam, com quem se cruzaram, e de outros que nem conhecem. Dos fios narrativos que entretecem, e por entre os quais parecem subsumir-se, há uma história que ressalta, conferindo nova cor ao estilo habitual da autora, numa natureza próxima do policial. Bob Burgess, amigo (e apaixonado) de Lucy, advogado, procura defender Matthew Beach, acusado de assassinar a própria mãe — um artista solitário e enigmático, pouco querido pela comunidade, que, como sempre, conta todo o tipo de histórias a seu respeito. Em “Conta-me Tudo”, Strout surpreende ao cruzar as suas duas grandes personagens. Além disso, surge ainda aqui, discretamente, Isabelle (do seu primeiro romance). O título faz jus à estrutura narrativa do romance e traduz a maturidade romanesca e ousadia da autora, ao produzir uma obra que ganha vivacidade a partir das intrincadas histórias de vida, quase sempre banais (e não são sempre banais as vidas humanas?), que aqui se sucedem, a irromper por entre as páginas, sem intenção aparente ou fio condutor, tão espontaneamente como brotam das conversas livremente trocadas entre Lucy e Olive.

 

06 março 2025 22:57

Paulo Nóbrega Serra in "Revista jornal "EXPRESSO"


Blind Tom e o seu talento musical!

 Em 1849, numa plantação na Geórgia, nasceu uma criança que parecia destinada a ser esquecida pela história. Thomas Wiggins, mais tarde conhecido como Blind Tom, veio ao mundo numa época em que ser cego significava ser considerado inútil no cruel sistema esclavagista do sul dos EUA. A sua vida começou com rejeição: ele não podia trabalhar nos campos, então o seu dono pensou em se livrar dele. Mas o destino tinha outros planos.

Desde cedo, Tom demonstrou um fascínio obsessivo por sons. Enquanto outras crianças brincavam ou trabalhavam, ele passava horas ouvindo o vento nas árvores, a chuva a gotejar ou o ranger das madeiras da casa. Qualquer barulho parecia apanhá-lo num mundo só seu.
Um dia, quando tinha quatro anos, Tom encontrou um piano na casa do seu mestre, James Bethune. Para surpresa de todos, sem ter recebido uma única lição, sentou-se e começou a tocar. No início, os sons eram caóticos, mas rapidamente começou a imitar as melodias que ouvia na casa, com uma precisão impossível para alguém que nunca tinha tocado um instrumento.
Bethune, ao perceber que tinha um prodígio nas suas mãos, decidiu explorá-lo. Treinou-o com professores de música e começou a levá-lo em turné, apresentando-o como um fenómeno da natureza. Com o tempo, Tom foi enchendo teatros por toda a América e Europa. Ele podia ouvir qualquer peça musical uma vez e repeti-la nota a nota, até peças complexas de compositores como Beethoven ou Chopin. Mas seu talento ia além da simples imitação: improvisava, compunha e dava à música uma alma própria.
As pessoas vinham em massa para o ver. Não só porque ele era um virtuoso, mas porque a sua forma de tocar era visceral, como se a música falasse através dele. Diz-se que podia imitar com o piano qualquer som que ouvisse desde o treinar dos pássaros até o estrondo de uma tempestade.
No entanto, a sua vida nunca foi inteiramente sua. Apesar da fama e do dinheiro que ele gerava, ele nunca foi livre. Os seus ganhos iam parar à família Bethune, e Tom, com uma mentalidade infantil devido ao que hoje poderia ser diagnosticado como autismo, nunca compreendeu totalmente a exploração a que estava sujeito. Ele passou a vida sendo transferido de um lado para o outro, tocando em cenários deslumbrantes, mas sem ter controle sobre o seu próprio destino.
À medida que envelheceu, a fama de Blind Tom diminuiu, embora o seu talento nunca diminuísse. Faleceu em 1908, tendo tocado para presidentes, músicos de renome e para milhares de espectadores que ficaram maravilhados com seu dom.
Hoje, o seu legado continua vivo. A sua história inspirou músicos como Elton John, que compôs a música The Balad of Blind Tom em sua homenagem. E embora o seu nome não seja tão lembrado quanto o de outros génios musicais, a sua história é um testemunho do poder da arte, da resiliência e do mistério do talento humano.
Blind Tom não via o mundo, mas ouvia-o de uma maneira que mais ninguém conseguia. E através da sua música, conseguiu que outros também o ouvissem.

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Dia Internacional da Mulher 8 de março - A minha homenagem!


Happy International Women’s Day 🩷 A MULHER É UMA ILUSÃO

Parece frágil, mas tem a força de um tornado.
Parece sensível, mas resiste às tormentas como mais ninguém.
Parece instável, mas é nela que nasce o equilíbrio do mundo.
Parece complexa, mas é ela que simplifica a vida.
Parece ingénua, mas sabe de tudo muito antes de acontecer.
Parece insatisfeita, mas é a que menos exigências faz para ser feliz.
Parece vaidosa, mas é a primeira a pôr mãos à obra e a chegar-se à frente.
Parece dramática, mas é ela que é o abrigo no meio da tempestade.
Parece medrosa, mas tem a coragem de mil homens.
Parece o ser mais incrível já criado, mas... mas nada. É mesmo.

sexta-feira, 7 de março de 2025

O Mito da Caverna, Platão

 O MITO DA CAVERNA ,O QUE É?

Significados, conclusões e o mito nos dias atuais:
Os estudos filosóficos estão cheios de conceitos e metáforas intrigantes que fazem refletir sobre diversos assuntos.
Assim, um deles está relacionado ao Mito da Caverna, metáfora criada pelo filósofo grego Platão. Nesse sentido, a metáfora diz respeito a conduta de ignorância em que vivem os seres humanos e a luta por tentar sair de uma bolha mundana,e, assim, enxergar o mundo como ele realmente é.
Dessa forma, o que Platão defendia, eram os conceitos da razão acima das questões sentimentais.
Assim, o Mito da Caverna também é reconhecido como a Alegoria da Caverna ou Parábola da Caverna.
Além disso, a obra desenvolvida pelo filósofo encontra-se numa publicação intitulada “A República”.
Na obra, Platão discute temas que cercam o Estado ideal, como o conhecimento, a linguagem e a educação.
Todavia, o Mito da Caverna ainda hoje é um dos textos que geram mais debates filosóficos,isso porque, o texto propõe uma análise entre o senso comum e a definição do senso crítico.
Nesse sentido, Platão acreditava que o mundo inteligível só poderia ser alcançado com a ausência de sentimentos, colocando em prática a razão.
A história resume-se a um grupo de pessoas que estava preso numa caverna escura.
Além disso, eram pessoas presas a correntes e sem contato com a luz e mundo lá fora.
Dessa forma, o que existia era apenas uma parede com a qual fixavam os olhares.
Prisioneiros presos e sentados no chão vendo as imagens sendo projetadas na paredes como se fosse a realidade.
Nesse sentido, dentro da caverna existia também uma fogueira na qual algumas pessoas seguram representações de objetos que eram refletidos pela luz do fogo.
Assim, os presos entendiam que as representações das sombras dos objetivos refletidos pelo fogo seria a realidade daqueles objetos.
Entretanto, um dos prisioneiros conseguiu se libertar das correntes e foi de encontro à entrada da caverna.
Assim, ao observar a luz, os objetos, as diversas cores sentiu medo e a primeira reação foi querer retornar para o interior da caverna. Porém, a vontade de descobrir mais sobre o mundo real fê-lo desbravar o novo.
Logo após, quis voltar para a caverna, mas dessa vez, para compartilhar com os companheiros o que havia descoberto do lado de fora. Porém, a ânsia pelas descobertas do mundo real não atraiu a todos.
Assim, com medo, os outros prisioneiros mataram o fugitivo para que outras pessoas não saíssem da caverna.
Em síntese, o Mito da Caverna é composto por diversos simbolismos.
Dessa forma, os prisioneiros dentro da metáfora desenvolvida por Platão significam os homens que aderem aos costumes mundanos da sociedade.
Ou seja, nós somos guiados pelas regras e conceitos já incorporados. Enquanto que a caverna representa o corpo e os sentidos.
Assim, de acordo com Platão, os nossos sentidos tendem a nos enganar, assim como acontecia na caverna com as representações dos objetos na luz.
O indivíduo que consegue se “libertar das correntes” e vivenciar o mundo exterior é aquele que vai além do pensamento comum.
Além disso, as sombras na parede e os ecos na caverna representam o que enxergamos como realidade quando, na verdade, não passam de representações do real e não a realidade em si.
Nesse sentido, a saída da caverna simboliza o anseio pelo conhecimento e por saber mais sobre o mundo. Ou seja, a desconstrução dos conceitos já estabelecidos.
E por último, a luz que cega num primeiro momento representa o conhecimento verdadeiro, a razão e a filosofia.
Nos dias atuais o Mito da Caverna enquadra-se cada vez mais quando o assunto são as redes sociais e a ignorância cultivada por elas; Com a tecnologia o ato de pensar tornou-se cada vez mais escasso.
Ou seja, hoje em dia a preguiça intelectual foi desenvolvida graças ao avanço das tecnologias;
As pessoas que questionam as leis, os modos de vida regentes e a forma como a política, a economia estão a evoluir são consideradas loucas, assim como o fugitivo da caverna.
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