Ensinar sem deixar alunos para trás
- Público - Edição Lisboa
- Marta Moitinho Oliveira
José Oliveira dá aulas de Geometria Descritiva em Leiria e venceu o prémio Global Teacher Prize Portugal de 2025, que é uma espécie de “Nobel” da Educação. O professor transforma as suas aulas num género de “laboratório de criação”.
Os expedientes usados pelos professores para ensinar os alunos variam de docente para docente e vão mudando ao longo do tempo. A professora que venceu o mesmo prémio no ano passado, Sofia Jesus, quando dava aulas em Braga, incorpora tecnologias avançadas no ensino da ciência.
Ambos usam métodos diferentes. Mas os dois professores seguem o mesmo princípio: respeitar o tempo de cada aluno, para que todos juntos possam seguir em frente.
José Oliveira explica que a aprendizagem tem de ser feita “a partir do ponto em que cada jovem está”. Um ano antes, Sofia Jesus falava em “personalizar o caminho” que leva os alunos a aprender.
O ano lectivo que agora termina começou — e manteve-se — com vários obstáculos. As greves dos auxiliares educativos geraram dias e dias sem aulas. E a falta de professores em algumas disciplinas continuou a marcar o dia-a-dia do ensino público.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, tem pela frente a exigente tarefa de adoptar medidas que permitam atrair novos professores para as escolas.
Por mais certa que possa ser a medida adoptada para alcançar este objectivo, é preciso não esquecer os actuais professores. E uma melhoria nos salários não resolve todas as questões da escola. A formação e o desenvolvimento profissional do professor contam na hora de ensinar todos os alunos.
No aprimorar deste aspecto da carreira docente pode estar o segredo para que cada professor no activo possa encontrar a sua estratégia para garantir que nenhum aluno fica para trás. Para que todos tenham ferramentas pessoais e pedagógicas que lhes permitam cativar todos os alunos da sala de aulas, independentemente do ponto de partida de cada um.
É desta forma que mais professores farão parte do imaginário de tantos adultos que, olhando para trás, conseguem dizer de cor o nome do professor que os marcou. É desta forma que se garante que histórias como as de José Oliveira e Sofia Jesus não são casos isolados.
E é também com mais recursos formativos ao longo da carreira dos professores que se está mais perto de assegurar o cumprimento efectivo do princípio constitucional do direito à educação para todos.
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