Querem salvar as crianças e os adolescentes do telemóvel?
Comecem pelos adultos. Arranquem-lho das mãos.
É na rua, quase a irem contra um poste, olhos colados ao feed, indiferentes ao corpo.
É em casa, imóveis no sofá, enquanto os filhos pedem atenção — um olhar, uma frase, um gesto qualquer que diga: “estou contigo”.
Os adultos não largam o telemóvel.
Estão agarrados como junkies com cartão de crédito.
Depois choram porque o miúdo quer um TikTok.
Queixam-se de que os adolescentes estão viciados.
Hipócritas.
A tecnologia serve-lhes para esquecer o mundo.
As crianças fizeram o mesmo.
Que escolha tiveram?
Ou se viciavam no ecrã, ou se viciavam na ausência.
A pior de todas as ausências: a de quem está fisicamente presente; emocionalmente morto.
Adultos com pulso; sem alma.
Querem salvar os miúdos?
Sejam o exemplo que não têm.
Larguem o ecrã.
Olhem-nos nos olhos.
A presença cura o que a tecnologia consome.
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