Educação: ano novo, problemas velhos
- Público - Edição Lisboa
- Marta Moitinho Oliveira
O desafio maior do ministro da Educação é devolver a normalidade aos anos lectivos na escola pública e ter uma resposta consistente para problemas que precisam de tempo para serem resolvidos
Milhares de alunos e de professores estão prestes a começar mais um ano lectivo. O ano é novo, mas traz consigo problemas antigos e desafios enormes. A leitura das notícias das últimas semanas mostra isso mesmo de forma inequívoca.
No imediato, tudo aponta para mais um ano lectivo com falta de professores. A Federação Nacional dos Professores estima que 276 mil alunos poderão ser afectados pela falta de docentes, e os horários sem professor encontram-se principalmente em Lisboa, Alentejo e Algarve — as áreas que têm sido mais atingidas em anos anteriores.
Uma das soluções encontradas nos últimos anos para tentar aumentar o número de professores foi o recurso a docentes sem habilitação profissional. O resultado desta medida está à vista. A integração nas escolas de professores sem formação pedagógica e didáctica quadruplicou numa década. Mas uma andorinha não faz a Primavera. É preciso formar mais professores e os incentivos criados para esta formação são positivos, mas podem não ser suficientes. A realidade tem mostrado que a crise na habitação é um forte entrave ao exercício da profissão de professor. E esta está longe de estar resolvida.
Para o médio e longo prazo, existem desafios que precisarão de tempo para serem enfrentados definitivamente. Dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico revelam que o elevador social não está a funcionar como era desejável e uma percentagem considerável de adultos (e muito mais alta do que nos restantes países) não concluiu o ensino secundário, penalizando o acesso ao mercado de trabalho. Resultados que se somam ao já registado mau desempenho, conhecido no final de 2024, sobre os cerca de 40% de adultos que só conseguem compreender textos simples e fazer cálculos matemáticos básicos.
Há ainda outra camada de problemas a considerar: mais profunda e cultural. Os movimentos de digitalização no ensino aplicados nos últimos anos estão a perder a força, e quem os liderou no passado defende agora o regresso “ao papel e à caneta”.
Fernando Alexandre enfrentou nos últimos dias a polémica sobre a autorização da entrada excepcional de alunos para o curso de Medicina da Universidade do Porto. No entanto, o desafio maior do ministro da Educação é devolver a normalidade aos anos lectivos na escola pública e ter uma resposta consistente para problemas que precisam de tempo para terem resolução.
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