sábado, 13 de setembro de 2025

Pais à Maneira Dinamarquesa - Rita Caetano in o Público de hoje!

 

Educar à maneira dinamarquesa 5 conselhos para uma parentalidade feliz

A viajar aprende-se e Jessica Joelle Alexander, especialista em parentalidade, é um exemplo disso. Até ter ido à Dinamarca, a norte-americana não tinha a certeza de que queria ser mãe. Mas no país do seu marido, “as crianças pareciam todas tão serenas, bem comportadas, contentes e respeitadoras” que a maternidade passou a fazer parte dos seus planos. “No meu país, era tudo muito diferente”, partilhou com o PÚBLICO, no início de Setembro, aquando da sua vinda a Lisboa para participar no encontro sobre o futuro dos livros Book 2.0 – Futuro da Leitura e lançar o livro Educar À Maneira Dinamarquesa (Arena).

Muitos anos passados dessa sua primeira visita à Dinamarca, quando foi mãe pela primeira vez, deu por si a preferir os conselhos da família e amigos dinamarqueses ao que tinha lido em livros de parentalidade. Juntou isso ao facto de a Dinamarca estar sempre posicionada entre os países mais felizes do mundo e começou a investigar. Pesquisa essa que deu origem ao livro Pais à Maneira Dinamarquesa, publicado em mais de 30 países, entre os quais Portugal. Escrito em conjunto com a psicoterapeuta Iben Dissing Sandahl, deu a conhecer ao mundo a teoria PARENT (Play – brincar em português –, Autenticidade, Reenquadramento, Empatia, Nada de ultimatos, Tempos juntos), que de ne os princípios de ser pai e mãe na Dinamarca.

Será possível adoptar este estilo de parentalidade noutro país? “Sem dúvida, eu própria o fiz, pois criei os meus filhos em Itália”, respondeu a especialista. “Se conseguirmos exportar o que se faz na Dinamarca, as crianças crescerão em qualquer lugar um pouco mais felizes”, prosseguiu, sugerindo que a educação dinamarquesa “deveria ser elevada a Património da Humanidade da UNESCO”.

Se só pudesse dar cinco conselhos a pais de qualquer país, a especialista em parentalidade escolheria valorizar as crianças, acompanhar a sua pegada digital, incluí- las nas tarefas domésticas, fomentar a auto-estima e deixá-las brincar à vontade.

1. Valorizar as crianças

Na Dinamarca, “há um foco muito grande na independência das crianças, na sua dignidade – há uma grande crença na ideia de que são muito competentes desde bebés –, na responsabilidade e na liberdade de brincar”, explicou a especialista em parentalidade. Os dinamarqueses ouvem as crianças, tentam compreendê-las sem ultimatos ou castigos imediatos. “No início, era-me difícil acreditar que, quando se confia nas crianças e se lhes dá mais responsabilidade, elas tornam-se mais confiáveis, mas é mesmo assim”, garantiu. A recomendação que dá aos pais é que “ensinem o respeito, sejam respeitadores e serão respeitados”.

2. Acompanhar a pegada digital dos filhos

“Algo em que os dinamarqueses são realmente bons é em perceber que o mundo digital não vai desaparecer, portanto não vale a pena vê-lo como inimigo a ser banido”, afirmou Jessica Joelle Alexander. A especialista em parentalidade não tem dúvidas: “Se queremos que os mais pequenos nos oiçam, temos de os ouvir também.”

Aconselha os pais a sentarem-se ao lado dos filhos, questionarem-nos sobre o que estão a fazer, com quem falam, o que jogam e porque gostam de determinado jogo e até pedir para os ensinarem a jogar. “Tal como dizemos que as crianças devem ter cuidado ao atravessar a rua, é importante alertar para as amizades que podem surgir online, o que fazer quando são enganados ou alvo de comentários maldosos. Não podemos fingir que nada acontece enquanto eles estão agarrados aos ecrãs”, sublinhou. Jessica Joelle Alexander recomendou ainda que os pais questionem sobre quem seriam as três principais pessoas a quem os lhos recorreriam se algo de mau lhes acontecesse.

3. Envolver as crianças nas tarefas domésticas

Um dos ensinamentos que Jessica Joelle Alexander aprendeu na Dinamarca é que, para as crianças, trabalho e diversão não são coisas assim tão diferentes. “Muitas vezes as crianças querem ajudar e os adultos dizem que não, mas na Dinamarca não é assim. As crianças são incluídas nas tarefas domésticas, até porque tudo o que elas querem é estar com os pais, seja a brincar, a ajudar, em casa ou na rua”, explicou. E é aqui que entra o hygge, que tem origem na palavra hygga que significa confortar. Para a especialista em parentalidade, hygge é um espaço psicológico criado para nós e para a nossa família, é um tempo de convívio sem dramas, nem stresses. “É o estar presente para o nós, por isso, digo que hygge é well-fulness”, realçou.

4. Desenvolver a auto-estima

“Na Dinamarca, usa-se um diagrama de uma árvore para explicar a diferença entre auto-confiança e auto-estima. A primeira são as folhas da árvore, enquanto a auto-estima são as raízes”, referiu Jessica Joelle Alexander. E por que é que isto é importante? “As folhas é tudo aquilo que se consegue fazer, as notas na escola, o desporto praticado, etc.; as raízes são os valores, as relações significativas e como se sentem consigo próprios”. Portanto, “é preciso nutrir a auto-estima, para que, quando as folhas caírem e a auto-confiança diminuir, a estrutura não abanar. Nós não somos o que fazemos”, alertou.

5. Brincar, brincar, brincar

Na Dinamarca, brincar é a actividade mais importante que uma criança pode realizar. “É a brincar que as crianças aprendem tudo. A brincadeira estimula a criatividade, a empatia, a resiliência, a capacidade de negociação, além de ser muito importante para o desenvolvimento físico”, disse a especialista em parentalidade. “Vamos deixar de pressionar os nossos filhos e programar todas as actividades e deixá-los brincar livremente. Isto reduz o stresse em geral de todos os elementos da família”, assegurou Jessica Joelle Alexander.


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