Os filhos da Vergonha
Quando soldados dos Estados Unidos tinham algum tempo de ócio entre os violentos combates da guerra do Vietname, esses períodos eram preenchidos com o máximo de "diversão" possível, para ajudá-los a esquecer as coisas horríveis que viram e fizeram, bem como esquecer a dor de seus próprios ferimentos, eles tentavam compensar isso com o uso de drogas e participando de festas, ou até mesmo se relacionando com mulheres locais.
Os shows, e idas a casas de prostituição regadas a drogas e alcool eram particularmente populares entre eles.
A “diversão” teve um efeito colateral, já visto em outros conflitos.
Muitos soldados dos EUA tiveram filhos com mulheres do Vietname, às vezes antes mesmo de seu filho nascer, muitos desses soldados acabavam morrendo durante o conflito ou foram mandados para casa. Também não podemos esquecer das mulheres que tiveram filhos depois de sofrerem violência sexual por parte de soldados dos Eua.
Cerca de 50 mil crianças de casais mistos ficaram no Vietname após o fim da guerra em 1975, e quase 30 mil delas puderam emigrar para os Estados Unidos graças a um programa de amparo promovido por Washington e pela ONU nos anos 1980.
Para o resto dos mais de 20 mil, a maioria cresceu sem nunca conhecer os seus pais e sofrendo grave preconceito.
No Vietname, essas crianças eram motivo de vergonha de suas mães, que tinham de enfrentar o preconceito da família. Isso num país onde os mais velhos costumam dizer que é melhor casar a filha com um cachorro da própria vila a dar a sua mão a um forasteiro. Em alguns casos, quando a criança era loira demais e destoava dos padrões étnicos locais, as mães tentavam disfarçar as diferenças pintando os cabelos dos filhos.
No decorrer das décadas após anos de processo muitos deles conseguiram enfim migrar para os EUA, muitos já em idade adulta.
Porém ainda hoje há casos de ex combatentes que vão ao Vietnã para encontrar seus filhos.
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