No inverno gelado de 1956, Harper Lee era uma jovem sonhadora que dividia o tempo entre longos turnos como agente de reservas de companhias aéreas em Nova Iorque e as madrugadas em que escrevia, tentando dar forma ao romance que vivia dentro dela. O sonho parecia distante — até o Natal daquele ano.
Naquela noite, seus amigos mais próximos, Michael e Joy Brown, entregaram-lhe um envelope. Dentro, havia um bilhete e um cheque com o valor de um ano inteiro de salário. “Você tem um ano livre para escrever o que quiser”, diziam. Não era apenas dinheiro — era fé. Era o dom raro de alguém acreditar profundamente em um talento ainda invisível ao mundo.
Livre da luta diária pela sobrevivência, Harper mergulhou completamente na escrita. Inspirou-se na infância em Monroeville, Alabama, nas memórias do pai advogado e nas feridas da injustiça racial que marcavam o sul dos Estados Unidos. O manuscrito, inicialmente intitulado Go Set a Watchman, transformou-se, após longas revisões, em To Kill a Mockingbird — uma obra que, ao ser publicada em 1960, se tornaria um marco moral e literário.
O livro venceu o Prêmio Pulitzer, vendeu mais de 30 milhões de cópias e foi traduzido para dezenas de idiomas. Mas a verdadeira história por trás do seu nascimento é mais silenciosa e humana: To Kill a Mockingbird nasceu de um gesto de confiança.
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