Queremos resultados mais do que caminhos, queremos ser vistos mais do que aprender a olhar e a ser olhados.
Numa sociedade e numa escola que premeia quase em exclusivo o resultado, vemos a aprendizagem como um caminho para o desenvolvimento de competências humanas negado, e sem importância. Tornarmo-nos assim robôs perfeitos. Perfeitos na arte de deixar de pensar pela própria cabeça. Estamos capazes de reproduzir resultados mas incapazes de criar caminhos alternativos. Tudo é chato e não há nada para fazer fora daqui. Vivemos para que nos vejam ou para que vejam o que conseguimos comprar, mostrar e parecer.
Deixámos de valorizar quem somos para passarmos a valorizar o que temos. Escondemo-nos em perfis, em filtros, em marcas e na aparência. Falamos por mensagens e não sabemos conversar. Não há palavras ouvidas e escutar está fora de moda. Estamos vazios, ausentes e quase incapazes de sentir para além do que parece vivermos dentro de nós.
Ler é uma seca, o conhecimento parece só ser válido traduzido numa média, que nos vai dar um título que nos levará a ter mais possibilidades para comprar o que se calhar achamos que nos vais tornar felizes. Estamos sem rosto, sem alegria, sem entusiasmo e sem vida. As flores são de plástico, os ovos vêm dos supermercados e a floresta tem bichos e suja a roupa. Na escola, é mais fácil copiar do que pensar, reproduzir do que criar, memorizar do que aprender.
Questionar é raro e refletir uma necessidade está quase em vias de extinção. É mais fácil reproduzir conteúdos do que questionar os mesmos, as motivações estão só nos prazeres imediatos e queremos consumir coisas. Não resolvemos angústias, abafamos o que nos dói em comida, álcool, drogas e coisas.
Passamos a vida a esperar o pior, justificamos o que dá trabalho com falta de jeito ou competências, vivemos de rótulos e não queremos parar por nada. Afinal, parar é morrer e morrer ninguém quer numa sociedade que não está preparada para perder nem para integrar a morte.
Estamos todos exaustos, sem rumo, sem vida à espera que haja alguém que nos retire do marasmo e da dor, e que nos devolvam a tal vida perfeita que parece existir nas vidas que vemos passar em perfil.
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