Há quem olhe para Ceuta e pense: “Isso é um problema de Espanha.”
Não é.
Pedro Sánchez passou anos a defender políticas de regularização em massa e uma abordagem cada vez mais permissiva à imigração irregular.
Hoje, Espanha enfrenta uma pressão sem precedentes na sua fronteira externa.
E Portugal continua em silêncio.
É curioso.
Os portugueses adoram Schengen. Gostam de atravessar a fronteira para ir a Badajoz ou a Vigo, encher o depósito, fazer compras e regressar sem mostrar um único documento.
Mas esquecem-se de uma coisa.
Essa liberdade só existe porque alguém protege as fronteiras externas da Europa.
A liberdade depende da segurança.
Entretanto, por toda a Europa, cresce a preocupação com a insegurança, com a criminalidade violenta e com a incapacidade de muitos governos para controlar quem entra no seu território. Os cidadãos sentem essa realidade no dia a dia, mesmo quando parte do debate político insiste em ignorá-la.
Se as fronteiras externas deixarem de ser credíveis, Schengen deixa de ser sustentável.
Talvez seja nessa altura que muitos portugueses descubram que a liberdade de atravessar a fronteira para ir às compras ou encher o depósito nunca foi gratuita.
Sem comentários:
Enviar um comentário