terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Análise de um poema sobre o papel da mulher na sociedade - THE TYPE - Sarah Key - Aula de 12º ano - Inglês 8 - Escola Secundária Jaime Moniz

 


The T.Y.P.E - Sarah Key


If you grow up the type of woman men want to look at,

you can let them look at you. But do not mistake eyes for hands.

Or windows. Or mirrors.

Let them see what a woman looks like.

They may not have ever seen one before.

If you grow up the type of woman men want to touch, you can let them touch you.

Sometimes it is not you they are reaching for.

Sometimes it is a bottle. A door. A sandwich.

A Pulitzer. Another woman.

But their hands found you first.

Do not mistake yourself for a guardian.

Or a muse. Or a promise. Or a victim. Or a snack.

You are a woman. Skin and bones. Veins and nerves.

Hair and sweat.

You are not made of metaphors. Not apologies.

Not excuses.(…)


  1. What is the significance of the distinction between "eyes" and "hands" in the first stanza?
    • The distinction emphasizes the difference between looking and touching, highlighting the idea that being seen does not equate to being physically available. The poet warns against conflating observation with ownership or entitlement, reinforcing the autonomy of the woman being observed.
  2. How does the poem challenge traditional metaphors used to describe women?
    • The poem rejects the idea that women should be seen as symbols—muses, promises, or victims. Instead, it asserts that women are real, physical beings, not abstract ideas or objects for others to project meaning onto. This directly challenges the way literature and society often romanticize or diminish women through metaphor.
  3. What is the effect of the repetition of "If you grow up the type of woman men want..." at the beginning of the first two stanzas?
    • The repetition reinforces the inevitability of certain societal expectations placed on women, emphasizing that their identity is often shaped by male desire. However, by following it with affirmations of agency ("you can let them look" / "you can let them touch"), the poet introduces the possibility of choice and control over one's own body.
  4. What does the poem suggest about the way men interact with women in relation to their own desires or needs?
    • The poem implies that men often see women as substitutes for their own unfulfilled desires. The comparison to a "bottle," "door," or "Pulitzer" suggests that women are sometimes treated as placeholders for ambition, comfort, or escape, rather than being valued as individuals. This highlights the objectification and instrumentalization of women in male-centric narratives.
  5. Why do you think the poet emphasizes the physical reality of a woman in the final lines?
    • By focusing on the tangible aspects of a woman's body—"skin and bones," "veins and nerves"—the poet reclaims the idea that a woman exists beyond how she is perceived. This grounding in physicality rejects societal labels, metaphors, and justifications that seek to define or excuse how women are treated.
  6. How does the poem redefine agency and self-perception for women in contrast to societal expectations?
    • The poem affirms that women have autonomy over their bodies and identities, rather than being passive figures shaped by external perceptions. It encourages women to resist being seen as mere symbols and to embrace their own existence outside of male desire or societal labels. This shift from being "looked at" or "touched" to self-recognition empowers women to define themselves on their own terms.

 




O mundo da educação - Edição do Público 04-02-25

Ter 77% dos alunos a concluir o secundário em três anos não é mau

Investigadora, desdramatiza a descida e recorda que, apesar da quebra, antes da pandemia a proporção era menor

RUI GAUDÊNCIO

O universo de alunos que conseguiu concluir o ensino secundário sem retenções no ano lectivo 2022/2023 diminuiu três pontos percentuais face ao ano anterior: foram 77% do total (em 2021/2022 tinham sido 80%), de acordo com o relatório da Direcção-Geral de Estatística da Educação e Ciência (DGEEC) de Janeiro. Ao PÚBLICO, a investigadora em educação Isabel Flores, também directora executiva do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do Iscte — Instituto Universitário de Lisboa, faz, ainda assim, uma leitura positiva dos dados: em comparação com os anos anteriores à pandemia, a percentagem de alunos a terminar o secundário no tempo esperado até aumentou.

No ano lectivo de 2022/2023 houve menos alunos a concluir o ensino secundário sem retenções: a percentagem diminuiu três pontos percentuais face ao ano anterior. Mas podemos falar numa inversão da tendência de subida? Fui olhar para o relatório do ano anterior, também da DGEEC, e pensar um bocadinho neste ponto: estes alunos que terminaram em 2022/2023 começaram o ensino secundário em 2020/2021, ou seja, fizeram o 10.º e 11.º anos em plena pandemia e com todos os distúrbios a que ela obrigou. Este é um ponto que temos de ter em consideração, que terão sido os alunos mais afectados pela pandemia.

Quando comparamos com o último ano de que há registos sem que os alunos tenham sido afectados pela pandemia, em 2018/2019, estávamos com percentagens de 64% a 65% [de alunos a terminar o secundário sem retenções]. E agora, ainda assim, são 77% no caso dos cursos científico-humanísticos. Apesar da descida, conseguimos ter resultados de transição muito elevados. Não me parece que estes três pontos percentuais de quebra possam ser muito significativos, pese embora tenhamos de nos manter atentos e

As escolas têm de munir-se de sistemas de apoio mais eficientes para os alunos mais pobres

ver se continuamos a ter boas taxas de alunos a completar o secundário no tempo suposto.

Não há, por isso, razões para alertas?

Temos que nos manter sempre alerta. O sistema de educação, como outros, nunca está completo nem terminado. Mas diria que não é um número perfeitamente alarmante. Acho que, ainda assim, comparando com anos antes da pandemia, fizemos um grande progresso.

É também de destacar que o ano em análise foi aquele em que tivemos mais gente no sistema de ensino do secundário, nos cursos científico-humanísticos. Tivemos 64.765 alunos no ensino científico-humanístico, o que representa um crescimento de 7,5% face ao ano anterior. Nunca tivemos tantos alunos registados no secundário e isso é óptimo, é o sistema a crescer. Apesar disso, continuamos a ter 10% de alunos que a DGEEC declara que não estão inscritos, que não os encontram. Trata-se de abandono escolar, possivelmente. É um número que chegou aos 10% e aí tem estado nos últimos anos. Já no ensino profissional, só subimos 1% em número de alunos inscritos face ao ano anterior. Temos também mais 2% de alunos com Acção Social Escolar (ASE) do que tínhamos no período anterior, o que também são boas notícias.

Quanto aos alunos com ASE, o relatório também suscita uma reflexão, porque, mais uma vez, a percentagem de alunos que termina o secundário sem retenções é menor no aluno com o escalão A.

Sim, é a preocupação de sempre. Temos aqui duas hipóteses, a de olhar para o copo meio cheio e pensar que estes alunos já chegam ao ensino secundário e não chegavam antes. E chegam nomeadamente ao ensino secundário científico-humanístico: 20 % dos alunos do sistema têm ASE nesta via. Não tenho as séries muito longas, mas arriscar-me-ia dizer que há dez anos não tínhamos, nem de perto nem de longe, esta percentagem [de alunos com ASE a terminar o secundário em três anos]. Portanto, temos mais alunos ASE a chegarem mais à frente no sistema de ensino e isso é o copo meio cheio. O copo meio vazio é que estes são sempre alunos mais frágeis. E, por isso, o sistema de ensino tem sempre dificuldades em compensar as fragilidades destes alunos. E, quando depois são todos postos na mesma balança, são alunos mais frágeis e com a maior probabilidade de não conseguirem à primeira tentativa ou de haver uma percentagem maior de jovens com esta característica.

Recorde-se que para ter ASE as pessoas têm de ser muito pobres. São pessoas que vivem no limiar da pobreza e, portanto, têm muitas dificuldades e partem de uma grande desvantagem face aos outros. Esta é uma preocupação que temos de ter permanentemente, que é como é que a escola ajuda mais estes jovens que vêm de meios mais desfavorecidos.

O que é que ainda se pode fazer? As escolas têm de munir-se de sistemas de apoio mais eficientes para estes jovens que estão sinalizados por pobreza. Desde logo, têm de olhar para eles com um cuidado distinto dos outros colegas e ter programas de apoio distintos, que possam mitigar [carências na aprendizagem] e ajudar neste ponto de partida tão mais desvantajoso, para os pôr, cada vez mais, em pé de igualdade. Não há nenhum país que consiga fazer isso, mas todos temos de trabalhar para isso. Não acho que o relatório traga más notícias: temos de pensar que este relatório é ainda particularmente afectado pela pandemia. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Miguel Esteves Cardoso no Público 03-02-25

 

Somos todos entes

Alíngua tem de ser batida, como um tapete. Tem de ser sacudida para soltar a poeira que deixou acumular, a ver se as palavras recuperam a cor que tinham. A língua portuguesa, como todas as línguas, é pisada por toda a gente, atraindo tanta sujidade que, a certa altura, é difícil distinguir a lã da lama.

Felizmente, as línguas lavam-se com facilidade. As palavras, depois de tomarem banho, ficam como novas, prontas para usar sem acrescentos e sem douradinhos.

As palavras lavam-se com outras palavras. Despem-se e voltam a brilhar. Pode ser com poesia, pode ser com lógica, pode ser com brincadeira. As palavras têm tantos agentes de limpeza como uma drogaria.

A última vez que ouvi lavar uma palavra foi num corredor de um hospital. A lavagem foi feita por uma adolescente com o nariz enfiado no telemóvel.

A conversa era sobre o nome que davam aos desgraçados que, como nós, estavam à espera de mostrar as maleitas a um médico.

Eu defendia a palavra “doentes”, mas estava a levar muita porrada – até me chamaram paternalista. Uma senhora disse “Era o que faltava: os médicos não são menos doentes do que nós!”

A discussão até tinha graça - afinal só estava a ser mantida para ajudar a passar o tempo -, mas depressa percebi que as definições estavam a ser defendidas conforme as velhas clivagens políticas de sempre.

“Nós somos clientes!”, asseverava um, “somos nós que pagamos esta merda”: “Não, somos utentes”, dizia outra. “Olhe, pacientes somos de certeza”, gracejou o pobre diabo a quem tinha calhado fazer esta piada obrigatória.

Foi aí que a adolescente levantou os olhos e disse:

“Seja como for, somos todos entes”. Ficámos calados a olhar para ela. Estaria a ler ficção científica? Estaria pedrada?

Só quando cheguei a casa é que lhe dei razão. Mas fiz mal. Sim, somos todos entes. Mas as palavras servem para distinguir os entes um dos outros. Um doente é diferente de um cliente, de um utente ou de um paciente.

É a diferença que tem de ser defendida.


A vida, esse mistério!

 O que é a vida?

Dostoiévski: É o inferno.
Para Dostoiévski, a vida era uma batalha com as partes mais escuras da alma humana - um crucible de sofrimento onde confrontamos nossos medos e desejos mais profundos.
Sócrates: É um teste.
A vida é o último exame da virtude, sabedoria e verdade. Para Sócrates, não vale a pena viver uma vida não examinada.
Aristóteles: É a mente.
A vida é a busca pelo conhecimento e pela razão - uma jornada para compreender o mundo através da lógica, ética e metafísica.
Nietzsche: É poder.
A vida é a vontade de poder - uma luta pela auto-superação e domínio das circunstâncias, rejeitando a complacência e abraçando o crescimento.
Freud: É morte.
Freud viu a vida como uma tensão entre o instinto de vida (Eros) e o instinto de morte (Thanatos) - um impulso constante em direção à criação e destruição.
É a ideia.
Para Marx, a vida é moldadada pelas condições materiais e pelas ideologias que surgem delas - uma luta para criar um mundo de igualdade e justiça.
Picasso: É arte.
A vida é criação - uma tela para pintar nossas paixões, emoções e sonhos, moldadada pela imaginação e expressão.
Gandhi: É amor.
Gandhi acreditava que a vida está enraizada na não-violência, compaixão e amor universal - uma jornada em direção à paz e ao serviço altruísta.
Schopenhauer: É sofrimento.
Para Schopenhauer, a vida é um esforço incessante que inevitavelmente leva à dor e à insatisfação, temperada apenas por momentos de beleza e arte.
Bertrand Russell: É competição.
A vida é moldada por desejos e ambições humanos - um ato de equilíbrio entre interesse próprio e progresso coletivo.
Steve Jobs: É fé.
A vida é confiar no processo - correr riscos e seguir a intuição, mesmo quando o caminho à frente é incerto.
Einstein: É conhecimento.
Einstein via a vida como uma busca para compreender os mistérios do universo, impulsionada pela curiosidade e espanto.
Stephen Hawking: É esperança.
A vida é perseverança diante da adversidade - uma crença no futuro e o poder da engenhosidade humana.
Kafka: É apenas o começo.
A vida é surreal e enigmática, muitas vezes absurda, mas sempre abrindo portas para transformação e possibilidade.
Camus: É a rebelião.
A vida é encontrar sentido em um universo sem sentido, desafiando o absurdo com coragem e paixão.
Thoreau: É simplicidade.
A vida é tirar o desnecessário - abraçar a natureza e viver deliberadamente.
Rumi: É uma dança.
A vida é uma jornada espiritual - um ritmo de amor e conexão divina tecido em cada momento.
Kierkegaard: É um salto de fé.
A vida exige abraçar a incerteza e dar passos corajosos fundamentados na crença e na autenticidade.
Epicuro: É prazer.
A vida é sobre maximizar prazeres simples e duradouros enquanto minimiza dores desnecessárias.
Laozi: É harmonia.
A vida flui como a água - sem esforço e alinhada com a ordem natural do universo.
Confúcio: É virtude.
A vida é cumprir papéis com integridade, respeito e compromisso com a comunidade e a família.
Carl Jung: É individuação.
A vida é integrar o consciente e o inconsciente - tornando-se inteiro e autêntico.
Alan Watts: É um jogo.
A vida é para ser experimentada e brincada com maravilhas - não levada muito a sério.
Victor Frankl: É um significado.
A vida é encontrar propósito, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, através do amor e do serviço.
Simone de Beauvoir: É liberdade.
A vida é o poder de se definir e rejeitar os papéis impostos pela sociedade.
Heráclito: É mudança.
A vida é um fluxo constante - um rio em que pisamos uma vez antes de fluir de novo.
Hegel: É progresso.
A vida é um processo dialético, avançando através da contradição e resolução em direção a uma maior compreensão.
É sobrevivência.
A vida no seu estado natural é "nojenta, brutal e curta", exigindo que os sistemas mantenham a ordem.
Rousseau: É liberdade na natureza.
A vida é mais autêntica quando voltamos ao nosso estado natural, livres da corrupção social.
Marco Aurélio: É aceitação.
A vida é abraçar o momento presente com determinação estoica, guiada pela razão e pela virtude.
Sêneca: É preparação para a morte.
A vida não é sobre a sua duração, mas sim a sua qualidade - ensinando-nos a viver bem e a deixar ir graciosamente.
Qual destas visões sobre a vida ressoa mais contigo?
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Bem e mal nas relações humanas!

 Quando nós dizemos o bem, ou o mal... há uma série de pequenos satélites desses grandes planetas, e que são a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedicação... No fundo é disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades... Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma importância, é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar esta simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti» parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do género por onde se chega não ao egoísmo mas à relação humana.

(José Saramago, in "Revista Diário da Madeira, Junho 1994")
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