terça-feira, 10 de junho de 2025

exames nacionais - in o Público!

Há mais alunos a fazerem exames nacionais mas menos querem prosseguir para o ensino superior

Este ano, todos os alunos do secundário estão obrigados à realização de três exames nacionais para conclusão deste nível de ensino

Estão inscritos na 1.ª fase 160.680 estudantes, que realizarão 341.708 provas que arrancam para a semana

Na próxima semana, há mais de 160 mil alunos do ensino secundário que começam a fazer os exames nacionais. São mais do que no ano passado, o que se deverá às mudanças nas regras de conclusão do ensino secundário e de acesso ao ensino superior, que têm vindo a ser gradualmente implementadas. Mas, por comparação, menos querem ingressar no ensino superior: se, no ano passado, 57% dos alunos (89.715) revelavam querer ir para a universidade, este ano baixaram para 88.637 os que dizem querer fazê-lo, representando 55% do total de inscritos.

Segundo os números divulgados ontem pelo Ministério da Educação, estão inscritos para a 1.ª fase dos exames 160.680 estudantes, que realizarão 341.708 provas. São mais quatro mil do que em 2024 e mais 53.481 as provas que serão realizadas. Se, no ano passado, a média de provas por aluno não chegava às duas, este ano, ultrapassa esse valor, uma vez que os alunos do secundário estão já todos abrangidos pelas regras do novo modelo de exames, que têm entrado gradualmente em vigor desde 2023.

Por isso, e ao contrário do que se passou nos últimos anos (na sequência da pandemia), estão obrigados à realização de três exames nacionais para conclusão do secundário: Português no 12.º ano, que passa a ser obrigatório para todos os alunos dos quatro cursos científico-humanísticos (Ciências, Economia, Humanidades e Artes Visuais), e mais duas disciplinas da componente de formação específica (ou uma da componente específica e Filosofia). Recorde-se que os alunos que, no ano passado, estavam no 11.º ano, foram já abrangidos por estas regras.

A prova de Português é, de longe, a que mais inscritos tem: 81.005 — o dobro do ano passado. Segue-se, como habitualmente, Biologia e Geologia, do 11.º ano, com 41.898 inscritos, Física e Química A (39.507), Matemática A (38.733) e Filosofia (23.473). Do outro lado da tabela, está a disciplina de Latim A, com apenas 13 alunos inscritos.

Além de servirem para aprovação na disciplina e como provas de ingresso, os exames do secundário podem também ser realizados para melhoria de nota ou para aprovação a disciplinas que ficaram para trás em anos anteriores. Neste ano, há 197.579 inscrições que têm como objectivo a aprovação às disciplinas, sendo que 186.622 serão feitas por alunos internos. Há ainda 38.617 inscrições nos exames que visam melhorar a nota obtida nas provas do ano passado.

Novas regras

As raparigas voltam a estar em maioria, representando 56% dos inscritos. Os alunos que frequentam os cursos científico-humanísticos são também os que mais concorrem (86%). Já os estudantes que frequentaram os cursos profissionais têm um peso de apenas 9% entre os inscritos. Estes alunos podem entrar no ensino superior por via do concurso nacional de acesso, tendo para isso de realizar exames, mas podem também aceder por via do concurso especial para diplomados das vias profissionalizantes, criado em 2020, que não exige que realizem os exames nacionais (embora as instituições realizem provas próprias).

Recorde-se que, este ano, para os alunos que estão agora no 12.º ano, a média final do secundário para os cursos científico-humanísticos ainda é o somatório de todas as notas (já incluindo os resultados dos exames), a dividir pelo número de disciplinas, com excepção da disciplina de Educação Moral e Religiosa. É uma média simples, mas isso é algo que também vai mudar e já para os estudantes que frequentam o 11.º ano: para calcular a média final do secundário cada disciplina terá um peso diferente, consoante a sua duração. Ou seja, uma disciplina que os alunos tenham ao longo dos três anos, como Português ou Matemática A, terá uma ponderação maior nessa média do que uma anual ou bianual.

Este ano, também há mudanças no cálculo da média de acesso ao ensino superior: a nota final do secundário vale, no mínimo, 40% dessa nota, enquanto as provas de ingresso têm um peso mínimo de 45%.

A época arranca com o exame de Português a 17 de Junho. As pautas da 1.ª fase serão afixadas a 15 de Julho. 

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