"Narcissus and Goldmund," written by the German-Swiss author Hermann Hesse, is a philosophical novel that explores the duality of human nature through the journey of two contrasting characters.
domingo, 23 de março de 2025
Narciso e Goldmundo - Herman Hesse
As pessoas sensíveis
"As pessoas sensíveis têm o coração sempre despenteado, a alma de cabeça para baixo, os olhos arregalados,
O efeito preto e branco na fotografia!
Black-and-white photography emerged in the 19th century as a dominant form of visual expression, with pioneers like Louis Daguerre and George Eastman revolutionizing the field. In the early days, photographers used processes like daguerreotypes and albumen prints to capture moments in time, focusing on light, shadow, and contrast. The absence of color in these photographs pushed artists to develop a keen sense of composition and detail, making every tonal shift significant to the viewer’s experience.
A tragédia dos imigrantes!
★★★★
LAMPEDUSA
— IR E NÃO CHEGAR
Ana
França
Tinta-da-china, 2025, 167 págs., €16,90
Reportagem
Ana França escreveu várias
reportagens no Expresso sobre as implicações do desastre na ilha (que visitou
três vezes), nas políticas migratórias europeias, e sobretudo na vida de quem
escapou à morte naquela noite, de quem se mobilizou para salvar (Vito no seu
barquinho de pesca, resgatando 47 pessoas) e de quem luta para esclarecer a
verdade sobre o que aconteceu. Em formato de livro, sem as limitações de espaço
do jornal, a autora ampliou muitíssimo a sua abordagem, valendo-se do trabalho
de campo, das entrevistas, e de um mergulho nas minúcias dos processos
judiciais e legislativos.
O resultado é um brilhante
levantamento dos factos, escrito por vezes com fôlego literário, que nos mostra
a realidade brutal a que os migrantes fogem nos países de origem, a odisseia de
inimagináveis tormentos a que se sujeitam, às mãos dos traficantes, até
chegarem à costa do Mediterrâneo (viajando em carrinhas de caixa aberta sem
segurança, sofrendo torturas em prisões no deserto, ou infames abusos sexuais,
no caso das mulheres), culminando na experiência de entrar, sem colete
salva-vidas, num barco decrépito com destino à mirífica, e tantas vezes
ilusória, “porta da Europa”.
Fazendo zoom in e zoom out, o livro narra
ainda impressionantes histórias paralelas de resiliência e perda (a de Solomon
e Adal, hoje na Suécia), integrando-as no quadro de uma lúcida análise
macropolítica.
sábado, 22 de março de 2025
Histórias da História
Medusa foi vítima de violência sexual e a história que você conhece a tornou uma vilã. Medusa é uma das figuras mais reconhecíveis da mitologia grega, com seu cabelo de cobras e seu olhar petrificante. Mas a sua história é muito mais trágica do que se costuma contar. Antes da sua transformação, Medusa era uma jovem linda e a única mortal entre as suas irmãs górgonas, Esteno e Euríale. Nas Metamorfose, o poeta romano Ovídio relata que Poseidon a violou dentro de um templo de Atena. Sem punir o deus do mar, a deusa ficou furiosa com Medusa e a condenou a se tornar um "monstro", com cobras em vez de cabelo e um olhar letal. Tempo depois, o herói Perseu recebeu a missão de decapitá-la, com a ajuda de Atena e seu escudo polido. Ao matá-la, do pescoço de Medusa nasceram Pegasus e Crisaor, filhos de Poseidon, o que indica que ela estava grávida na hora do seu assassinato. Medusa foi transformada em um "monstro" só por ter sido vítima de violência. Enquanto Poseidon permaneceu impune, ela ficou marcada como uma ameaça. Mesmo depois de sua morte, Athena criou a flauta para imitar os lamentos das suas irmãs.
Ensino especial ou ensino inclusivo?
O ensino inclusivo não pode ser um dogma
- Público - Edição Lisboa
- Carlos Nunes Filipe
Crianças e adolescentes, com incapacidade intelectual, com alterações graves do comportamento, não verbais e sem autonomia de alimentação ou de higiene, necessitados de cuidados constantes de suporte, com necessidade de vigilância e apoio médico regular e de equipas multidisciplinares de apoio não têm condições, nem vantagem, nem segurança, nem futuro no ensino inclusivo. No caso das perturbações do espectro do autismo, mesmo as crianças e adolescentes com mais autonomia e melhores competências cognitivas dificilmente terão algum benefício com uma sociabilização forçada. A inaptidão nas relações sociais, a dificuldade de se adaptarem a situações novas e a singularidade de alguns dos seus comportamentos tornam-nos facilmente alvos de chacota e de incompreensão por parte de colegas e, mesmo, de professores menos informados sobre a origem deste tipo de comportamentos.
O Decreto-Lei 3/2008 propôs a “escola inclusiva” como o único recurso para as crianças com necessidades educativas permanentes. O objetivo a que se propunha era “o sucesso educativo, a autonomia, a estabilidade emocional, bem como a promoção da igualdade de oportunidades”. Qualquer criança, independentemente do tipo de perturbação, deveria ser aceite em qualquer escola, mesmo que esta não dispusesse de condições adequadas para a acolher. Os objetivos deste decreto-lei e os meios através dos quais se propunha atingi-los eram manifestamente desajustados da realidade. As unidades de ensino estruturado aí previstas tornaram-se, na maioria dos casos, locais segregados dentro do espaço das escolas.
Na sequência do debate desencadeado pela publicação do Decreto-Lei 3/2008, viria a ser posteriormente publicada a Lei 21/2008, que admitia o recurso ao ensino especial, nos casos em que as adaptações fossem “comprovadamente insuficientes em função do tipo e grau de deficiência do aluno” e após um “processo de referenciação e de avaliação”, no qual a participação dos pais se limita a uma declaração de concordância. Segundo o decreto-lei, são as escolas que têm de declarar incapacidade, não cabe aos pais sinalizar a incompetência da escola.
Mais tarde, o Decreto-Lei 54/2018 estabelece o “regime jurídico da educação inclusiva”, ocultando o encaminhamento para outras estruturas, nomeadamente de educação especial. A forma de referenciação, essa, continua a ser a mesma, regulada por portarias de 1997 (Portarias n.º 1102/97 e n.º 1103/97).
O ensino inclusivo não pode, contudo, ser um dogma. A existência de ensino inclusivo em paralelo com estruturas diferenciadas de apoio de educação especial é a prática mais realista e a que, em muitos países, tem provado ter os melhores resultados. O suporte familiar é também, no caso das estruturas de educação especial, muito mais acautelado. No caso das crianças e adolescentes portadores de deficiência grave, a sobrecarga familiar é tremenda. Os horários letivos, bem como os prolongados períodos de férias escolares do ensino regular, aumentam tremendamente essa sobrecarga, levando a que, necessariamente, pelo menos um dos elementos da família tenha de ficar em casa. O recurso a centros de atividades de tempos livres (ATL) é também, nestes casos, muito difícil, atendendo às particularidades destas crianças e à falta de estruturas adaptadas e de pessoal com formação específica na quase totalidade dos ATL. Dificultar ou inviabilizar alternativas diferenciadas de ensino é abandonar ainda mais os que já vivem um dos maiores abandonos, é sobrecarregar ainda mais as famílias que suportam a maior carga.
No caso dos alunos com autismo, a intervenção adequada às suas necessidades particulares e que atenda às suas singularidades é, por norma, muito diferente da que é adaptada a pessoas com outras perturbações do desenvolvimento.
A existência de ensino inclusivo em paralelo com estruturas diferenciadas de apoio de educação especial é a prática mais realista e a que, em muitos países, tem provado ter os melhores resultados.
As equipas docentes e de assistentes operacionais nem sempre têm treino ou formação específica que os ajude a lidar de forma correta com pessoas com autismo, nem as instalações são, a maioria das vezes, as mais adaptadas. As alterações de comportamento, frequentes em pessoas com autismo, são um exemplo de situações com as quais os técnicos não treinados estão pouco habilitados para lidar. A não serem devidamente geridas, podem pôr em risco a pessoa que as exterioriza, os outros alunos, os docentes e os equipamentos. Em muitos casos, aquando da ocorrência de alterações do comportamento, com agitação motora, autoagressão ou agressão a terceiros, mesmo que não seja intencionalmente determinada, os pais ou tutores são contactados pelas escolas e é-lhes pedido que levem o filho com eles, “até se acalmar e estar em condição de poder voltar”. Em muitos casos são mesmo instruídos processos disciplinares. Mais uma vez, a sobrecarga cairá sobre os pais que, sem outros apoios, são tornados responsáveis pela contenção e acompanhamento do filho em crise.
O ensino inclusivo, sendo o desejável, não é necessariamente o melhor em todos os casos e nem sempre é possível; o ensino especial não é sempre, mas, às vezes, é a melhor solução. Aos pais cabe o direito de escolher a educação a dar aos filhos. Aos pais cabe o direito de proteger a família como um todo.
Professor catedrático da NMS/UNL; director clínico da APPDA-Lisboa





